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Melkisedek ou Preste João

deldebbio | 22 de abril de 2010

Texto fantástico de Vitor Manuel Adrião.
O nome Melkitsedek, ou antes, Melki-Tsedek, como é designado na tradição judaico-cristã, refere-se à função de “Rei do Mundo” na cúspide dirigente de toda a Evolução Planetária, sendo Aquele que está mais próximo de Deus – o Logos Planetário – de cuja natureza participa a ponto de se confundir com Ele, mesmo estando “como a personalidade humana está para a sua individualidade espiritual”, na mais pálida definição.

Na Bíblia, tem-se aparece a primeira referência a Melki-Tsedek no Genesis (XIV, 19-20): “E Melki-Tsedek, Rei de Salém, mandou que lhe trouxessem pão e vinho e ofereceu-os ao Deus Altíssimo. E bendisse Abraão (…) e Abraão deu-lhe o dízimo de tudo”, instituindo-se a Ordem de que fala o Salmo 110, 4: “Tu és um sacerdote eterno, segundo a Ordem de Melkitsedek”. Este é assim definido por S. Paulo na sua Epístola aos Hebreus (VII, 1-3): “Melki-Tsedek, Rei de Salém, Sacerdote do Deus Altíssimo que saiu ao encontro de Abraão (…) que o abençoou e a quem Abraão deu o dízimo de tudo, é em primeiro lugar e, de acordo com o significado do seu nome, Rei da Justiça, e em seguida, Rei de Salém, isto é Rei da Paz; existe sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tem princípio nem fim a sua vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece Sacerdote para todo o sempre”.

É assim que o sacerdócio da Igreja cristã chega a identificá-lo à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, mantenedor da Tradição Apostólica que vem do Apóstolo Pedro até ao Presente. De maneira que o Sacrifício de Melki-Tsedek (o pão e o vinho) é encarado habitualmente como uma «pré-figuração» da Eucaristia, pois que o próprio sacerdócio cristão se identifica, em princípio, ao Sacerdócio de Melki-Tsedek, segundo a aplicação feita a Cristo das mesmas palavras do Salmo 110, e que no Apocalipse vem a ser a “Pedra Cúbica” do Trono de Deus em que assenta a Assembleia ou Igreja Universal da Corte dos Príncipes ou Principais do mesmo Rei do Mundo.

O livro do Génesis e a epístola de S. Paulo aos Hebreus referindo-se a esse misterioso Soberano, levou a tradição judaico-cristã a distinguir dois sacerdócios: um, “segundo a Ordem de Aarão”; outro, “segundo a Ordem de Melkitsedek”. Este superior àquele, pois se liga do Presente aos Tempos do Advento do Messias, expressando os Apóstolos, os Bispos e a Igreja do Ocidente. E aquele vincula o Passado ao Presente, expressando os Profetas, os Patriarcas e a Igreja do Oriente.

Melki-Tsedek é, pois, ao mesmo tempo, Rei e Sacerdote. O seu nome significa “Rei da Justiça”, e também é o Rei de Salém, isto é, “Rei da Paz”. “Justiça” e “Paz” são precisamente os dois atributos fundamentais do “Rei do Mundo”, assim como do Arcanjo Mikael portador da espada e da balança, atributos iconográficos psicopompos designativos do Metraton, nisto como intermediário entre o Céu e a Terra, Deus e o Homem, presença indispensável do Paraninfo mercuriano ou AKBEL que é quem carrega o ANEL ou ARO prova da ALIANÇA ETERNA DO CRIADOR COM A CRIAÇÃO, e que na Natureza tem a sua expressão lídima nas sete cores do espectro do ARCO-ÍRIS, de maneira que sempre que a Humanidade declina em sua Evolução o ETERNO envia a ela o seu “Filho Primogénito” para restabelecer a Boa Lei, anular a anarquia e a injustiça e restaurar a Ordem e a Justiça, ou seja, ciclicamente descem do Céu à Terra os Avataras ou Messias. O termo Salém designa a “Cidade da Paz”, arquétipo sobre que se construiu Jerusalém, e veio a ser o nome da Morada oculta do “Rei do Mundo”, chamada nas tradições transhimalaias de Agharta e Shamballah, correspondendo ao Paraíso Terrestre, ao Éden Primordial que a Mítica Lusitana insiste em identificar ao vindouro Quinto Império do Mundo que trará um Reinado de Felicidade e Concórdia com o Imperador Universal, Melki-Tsedek, a dirigi-lo.

Melki-Tsedek tinha o seu equivalente no Antigo Egipto na função de Ptah-Ptahmer; na Índia, é chamado Chakravarti e Dharma-Raja; os antigos Rosacruzes reconheciam-no como Imperator Mundi e Pater Rotan, e foi assim que a Maçonaria o reconheceu no século XVIII, consignando-o Maximus Superius Incognitus, para todos os efeitos, o Imperador Universal.

No século XII, na época do rei S. Luís de França, os relatos das viagens de Carpin e Rubruquis invés de referirem os nomes de Melki-Tsedek substituíram-no pelo do Preste João que morava num país misterioso no Norte da Ásia distante. Preste significa tanto “Pai” como “Presbítero”, e João é referência tanto ao Anunciador do Messias, João Baptista, quanto ao Apóstolo João Evangelista que escreveu o Apocalipse, sendo referência óbvia ao Sacerdócio do Rei do Mundo, insistindo as três religiões do Livro (judaica, cristã e islâmica) que será por Ele que haverá um Reinado de Concórdia Universal sobre a Terra.

As primeiras notícias do Presbítero chegaram à Europa em 1145, quando Hugo de Gebel, bispo da colónia cristã do Líbano, informou o Papa da existência de um reino cristão situado “para lá da Pérsia e da Arménia”, governando por um Rei-Sacerdote chamado Iohannes Presbyter (João, o Presbítero, isto é, Sacerdote, Ancião) e que seria descendente de um dos Reis Magos que visitaram o Menino em Belém.

Mas o primeiro documento conhecido sobre esta misteriosa personagem, é a famosa Carta do Preste João endereçada em 1165 a Manuel Comneno, imperador bizantino de Constantinopla, assim como a Barba-Ruiva, imperador da Alemanha, e ao Papa Alexandre III, parecendo que o documento tem a sua origem em Portugal. Isto porque a versão mais antiga do texto original data dos finais do século XIV e encontra-se no Cartório do Mosteiro de Alcobaça, mas que foi impressa pela primeira vez em língua italiana, em Veneza, no ano 1478, onde se inspiraram outras obras, também na mesma língua, como a versão rimada do Tratacto del maximo Prete Janni (Veneza?, 1494), de Giuliano Dati, tudo próximo da época em que o viajante Marco Pólo regressou Oriente a Veneza falando da existência do Preste João, como soberano da Igreja etíope. Por outra parte, ao longo dos séculos XV e XVI aparece uma série de cartas enviadas pelo Preste João da Índia aos soberanos portugueses (D. João II, D. Manuel I e até D. Sebastião que, diz-se, recebeu uma embaixada no Preste João nos seus paços em Lisboa), que por sua vez enviam embaixadas à corte daquele, como foi o caso notável de Pêro da Covilhã, enviado de D. Afonso V.

O mito do Preste João foi amplamente divulgado pelos Templários e veio a servir de principal impulsor do processo das Descobertas Marítimas pelos Portugueses, aparentemente com a intenção de incentivar à conquista cristã de novas terras e obter riquezas fartas, mas realmente estabelecer a ligação de Portugal com o Centro Primordial do Mundo, chamado indistintamente Salém e Shamballah.

A Continuação no blog Lusophia.

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14 Responses to “Melkisedek ou Preste João”

  1. João de Sacrobosco disse:
    22 de abril de 2010 às 12:06

    Muito bom texto. Para uma bem-humorada versão quase cética, que discute a relação história/mentira em profundidade, recomendo o Baudolino, de Humberto Eco. Paz.

    Responder
  2. Lucas Félix disse:
    22 de abril de 2010 às 12:30

    Se já não bastasse o texto… a imagem usada para ilustrá-lo me deixou profundamente intrigado. É o que dá estudar ocultismo, você começa a ver simbolismo e associações a tudo, desde uma leitura a uma simples imagem. É realmente impressionante. Olho para isso e vejo Tarot. Olho para isso e vejo Alquimia. Olho para isso e vejo até mesmo Maçonaria… caramba.

    Mas que texto interessante. Eu já tinha visto citações sobre Melquisedec na bíblia e, inclusive, no livro O Alquimista, do Paulo Coelho (já leu esse livro, tio? Vale a pena a leitura). Para ser honesto, não conhecia os desdobramentos históricos desse personagem não.

    Responder
  3. bruno freitas disse:
    22 de abril de 2010 às 13:43

    estava lendo a respeito disso ainda hoje de madrugada..
    sincronia total
    abraço

    Responder
  4. Vinicius Lira disse:
    22 de abril de 2010 às 15:45

    Tu ja ouviu falar disso aqui? http://migre.me/yHZR

    @MDD – caraca… que MEDO desse povo maluco esquisotérico !!!

    Responder
  5. Andreh Torres disse:
    22 de abril de 2010 às 18:30

    Antes de sair rotulando assim, faltou saber mais a respeito hein pessoal… Muita coisa boa saiu dali do vale da amanhecer…

    @MDD – Muita coisa boa tipo o que exatamente? ou voce quer dizer que as coisas boas saem correndo para bem longe dali?

    Responder
  6. Mauricio Gonzatto disse:
    22 de abril de 2010 às 18:50

    O Rei que o Pastor encontra antes de Viajar para o Egito em “O Alquimista” de Paulo Coelho. Que lhe dá duas “pedras” com os poderes da decisão – Sim e Não, que possuía o peito cravejado de ouro e pedras preciosas. O Rei de Salém.

    Muito bom o texto.

    Mas mudando de saco pra mala…

    Eu estou ancioso para saber da História que não é contada na História. A História de Selassié.

    Vi um documentário na semana da Páscoa sobre a Arca da Aliança e alguns estudiosos afirmam que ela esteja da Etiópia. O Tio, possui alguma referência sobre essa ligação?

    Responder
  7. Vimerson disse:
    22 de abril de 2010 às 23:29

    A figura deste Melkisedek lembra uma carta do Tarot…

    Responder
  8. "L" disse:
    28 de abril de 2010 às 11:11

    Eu li o texto inteiro no Lusophia, pq vc num coloca aqui no teu blog tmbm?

    @MDD – Pra fazer voces visitarem o Lusophia.

    Responder
  9. Shanti disse:
    22 de maio de 2010 às 0:07

    Marcelo, sobre o Kebra nagast, tem alguma opinião?
    abraços

    @MDD – A biblia dos rastafaris, ne? Acho que as histórias são tão alegóricas quanto a outra bíblia e não devem ser levadas ao pé da letra. A história do “filho de salomão e a arca sagrada” é bacana, apesar de apenas simbólica.

    Responder
  10. Shanti disse:
    27 de maio de 2010 às 7:35

    Obrigado Marcelo, é sobre isso mesmo.

    Responder
  11. Henrique Silva disse:
    19 de agosto de 2010 às 21:08

    E se os elementos da maçonaria e os dois, sacerdocios aarônico e de melquisedeque, forem manifestações de Deus e de Seu poder? O sacerdócio é o poder de Deus dado aos homens para agir em nome dele…os ritos da maçonaria são ordenanças do sacerdócio, mas não como são mostradas atualmente e também com outros propósitos.

    Responder
  12. Magal disse:
    1 de outubro de 2011 às 20:37

    Infelismente a maioria dos jovens está voltada para os prazeres da mocidade. Isso é bom, porém assuntos mais sutis devem ser estudados, não precisa ser idoso para pesquisar espiritualidade. É óbvio que existe muita coisa além do que é mostrado na TV. O Governo Oculto do Mundo é uma possibilidade inquestionável. Será que alguem acredita que o homem moderno tem o controle de alguma coisa ? Está na hora de se acordar e reconhecer que somos meros habitantes e que existe Autoridade e Controle Superior sobre a Raça Humana.

    Responder
  13. José Bonifácio disse:
    6 de janeiro de 2012 às 10:54

    Pois bem, hj uma senhora que é irmã do meu patrão perguntou se eu poderia leva-la a um lugar chamado Vale do Amanhecer., disse que indicaram a ela e como ela esta num momento dificil (doença grave na família), acabou aceitando o convite. Como ela não possui um carro e eu sou seu vizinho me fez o pedido de lava-la domingo a tarde. Disse q se eu tivesse interesse poderia ficar lá com ela. Pelo que andei pesquisando por ae, sinceramente, me deu preguiça de ficar lá. Mas, quem sabe no dia eu animo. Alguém já foi num encontro deles?

    Responder
  14. José Bonifácio disse:
    6 de janeiro de 2012 às 10:56

    O link q o amigo ali em cima deixou é de fato assustador…hehehe

    Responder

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