O Dragão de Sitra Ahra
Adriano Camargo | 20 de setembro de 2010
Texto do frater Adriano Camargo Monteiro
Sitra Ahra, o “Outro Lado”, o “Lado Sinistro”, é o mundo primordial, o reino das trevas que precedem a luz da Criação, o reino de Shekinah, o mundo dos poderes femininos que criam, que gestam a vida na escuridão; é o útero de toda multiplicidade do universo manifestado, a fonte de toda a existência. Em Sitra Ahra, a “deusa” Shekinah (Sofia, Shakti, Vênus) se une à Luz de seu filho e esposo Lúcifer para criar e para expandir a vida múltipla em todos os planos de existência; Sitra Ahra é, portanto, o plano primevo que precede todos os outros planos do universo.
Em nível humano, Sitra Ahra é reino do subconsciente no qual a sabedoria secreta (Sofia, Shekinah) vem à consciência do indivíduo que atingiu a iluminação do Eu Superior (Lúcifer, Agathodaemon). Tal evento só é possível com a “entrada” do “Ungido” em Sitra Ahra para “resgatar” a Sabedoria lá oculta, quer dizer, quando Lúcifer resgata sua esposa Diana (Sofia, Shekinah). “Ungido” é todo aquele que desperta o Dragão-Serpente de Sabedoria, Kundalini, a força psicossexual e espiritual que sobe até a cabeça e ilumina com Sabedoria a consciência. A unção serpentina e draconiana então purifica o corpo de Adam Belial, ou seja, o ser humano encarnado se transforma fisica e fisiologicamente. Assim, o indivíduo comum se transforma no iniciado, em Ophis-Christos, em Nachash-Messiah, ou seja, a “Serpente Ungida”, o Grande Dragão. O iniciado então se converte no filho e amante de Sofia, o verdadeiro Filósofo, assim como Lúcifer o é.
Pelo que precede, Sitra Ahra é também o reino da Besta, filho e consorte de Sofia. É a Besta iniciadora, o Dragão mestre dos Mistérios das Trevas onde a Sabedoria jaz oculta. Em Sitra Ahra o conhecimento “proibido” e inacessível pode ser buscado e é onde a Árvore do Conhecimento cresce e dá frutos. Simbolicamente, tal árvore do Éden possui onze frutos, onze pomos pertencentes a cada um dos reis de Edom, os reis que governam cada uma das qliphoth de Sitra Ahra (o “Outro Lado”) sob o poder de Shekinah, ou Sofia, a Sabedoria da Serpente do Éden, ou o Dragão-Serpente Lúcifer-Vênus (Abzu-Tiamat, Samael-Lilith, etc). Nesse ponto, é facilmente notável a aproximação linguística entre Eden e Edom, entre os onze frutos da Árvore do Conhecimento e os onze reis de Sitra Ahra, o mundo da Magia Draconiana (cujo o número é 11).
Por ser um reino de trevas criadoras cuja força principal é negativa, feminina e metafisicamente sexual, Sitra Ahra é considerado pelo monoteísmo “da luz patriarcal” como o reino “esquerdo”, sinistro e infernal. Mas isso não signifca que seja um reino maléfico como entendido comumente; afinal, os monoteístas “da luz” parecem sempre amaldiçoar as Trevas necessárias, a multiplicidade e os aspectos femininos da existência. Mas a luz não é o bem absoluto e as trevas não são o mal absoluto; essa dicotomia absurda não existe na “vida prática” da natureza e do universo. A luz somente pode ser perceptível sobre o fundo negro das trevas essenciais das quais surge a própria luz como manifestação do universo vísivel e da vida multifacetada em tons gradativos de luz e escuridão e de muitas cores…
Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, Draconismo e de simbologia e mitologia comparadas. É membro de diversas Ordens, possui diversos livros publicados pela Madras Editora e escreve também para a Revista Universo Maçônico, para o site Morte Súbita, para blogs pertinentes e é artista colaborador na Zupi, famosa revista trilíngue de arte e design.
Site do autor:
http://www.geocities.ws/adrianocmonteiro




































[quote]“Mas a luz não é o bem absoluto e as trevas não são o mal absoluto;”[/quote]
Deixe ver se eu entendi: no plano espiritual, a luz é a referência, e o bem é aproximar-se (assemelhar-se) da luz e o mal é afastar-se; Porém no plano material é necessário mergulhar no Sitra Ahra para absorver energias necessárias para o crescimento (analogia da raiz ou da semente), como diz o ditado rabínico “Yeridá zo le-tzorech Aliyá” ou “Esse rebaixamento é preciso para subir”.
Certo? ou confundi as coisas?
Obrigado pelo texto! Luz e paz!
Ja dizia o sábio que devemos roubar o “fogo do Diabo”…
Marcelo, não querendo cobrar…mas voce tinha prometido um post explicando pq a goetia não funciona mais, hehehe
as vezes acho que nunca vi uma resposta satisfatória do que seria de fato o caminho da mão esquerda.
Os livros do Adriano Camargo são indicáveis? Estou pensando em adquirir o “Sistemagia”.
@MDD – Sistemagia é um dos melhores livros de referência para estudos. Vê se compra pela livraria do Mayhem http://www.lojaderpg.com.br/
Fala tio,
Qdo vc vai falar (com suas próprias palavras) o que VC sabe/pensa sobre o satanismo?
@MDD – Não conheço nenhum satanista de orkut que não more de aluguel/com os pais/em república. Isso responde à pergunta?
“a “deusa” Shekinah (Sofia, Shakti, Vênus) se une à Luz de seu filho e esposo Lúcifer para criar e para expandir a vida múltipla em todos os planos de existência”, essa é a mesma idéia de nuit e hadit da thelema?
Definitivamente, preciso ler as obras do Adriano Camargo Monteiro. Merecem um lugar na minha estante.
meu irmão e mestre adriano, parabéns por mais um texto magnífico, cheio de informações e ideias pra refletir. vc é o único em nosso país q fala com propriedade sobre temas tão pouco conhecido. obrigado!
Olá Deldebbio,
Bacana o post, mas me desculpe pela crítica, o texto é bom, mas contém equívocos, que ao meu ver deixam de fazer sentido no real significado esotérico.
O autor cita que Shekinah é idêntica a Sophia, Shakti, Vênus, ou seja, a própria Kundalini, portanto energia “feminina” (e estou de acordo), e que essa energia se une a luz de seu filho/esposo Lúcifer.
O problema é que “Lúcifer” também é idêntico à Vênus, conforme seu próprio texto “Belzebu, Satanás e Lúcifer, parte II”.
Como pode então: “O iniciado então se converte no filho e amante de Sofia, o verdadeiro Filósofo, assim como Lúcifer o é.” – - Vênus não se une a Vênus; energia feminina não se une a energia feminina para gerar o ” filho ou Cristos”.
Shekinah ou Shakti se une ao próprio aspecto masculino, ou seja, Kether/Shiva, gerando o filho, ou consciência Crística.
O texto confunde bastante, não está coerente, pois sendo Shekinah idêntica a Vênus, e sendo Lúcifer também idêntico a Vênus, ambos são os mesmos, ou seja, energia feminina.
Agora Deldebbio, nesse trecho seu do post “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, simplesmente muito bom: ” Simples e direto: Jesus é aquele que traz a luz, Jesus é aquele que traz a iluminação, Jesus é o “portador da luz divina” ou seja: JESUS É LÚCIFER.”
… perfeito em sua colocação, JESUS, … mas não o Cristos!!
Abs
uma moeda é a mesma moeda, com dois lados (Lúcifer/Vênus, dois pólos de uma mesma “coisa”). uma pessoa, seja homem ou mulher tem o masculino (animus) e o feminino (anima), porém um só predomina mais q o outro. Simples de entender, sim… perfeitamente coerente! mas o pensamento do autor parece bastante filosófico e por isso há informações nas entrelinhas… o Christos é Lucifer, o Ophis-Christos original (veja a filosofia hermética greco-egípcia e o gnosticismo primitivo). O Adriano está de parabéns! Pensamento profundo porém desconcertante para alguns…
adriano, seus livros são ótimos! já li todos e aprendi muito com vc. aprendi a buscar fontes de pesquisa tbem e a a fazer anologias e correspondências, como vc nos mostra. parabéns por mais esse texto rico em informações e conhecimentos. sitra ahra não é um conceito muito conhecido, mas com o novo disco do therion talvez alguns se interessem em conhecer mais (rsss). abraço!
Tio, tem algum livro aprofundando o assunto da relação entre as pessoas e as influencias das egregoras e espiritos?
Sitra Achra é um protótipo da cidade de GADARA onde Jesus expulsou aquela possessão daquele homem. Isso ai é demônio vestido de “LUZ”. João 8:12 De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.
Arrependei e sereis salvos do vossos encantos diz Deus. Um grande abraço a tds vcs.Jesus te Abençoe.
Caro Adriano, apreciei muito teu livro a Cabala Draconiana. Porém gostaria de expor onde discordo e que faz uma grande diferença. Akasha é a primeira Mae, a negra, a virgem que será fecundada pelo Pai. Mas Ela não é satanas, nem trevas, Ela é a matéria prima que o Filho “qualifica com as virtudes” do Pai(por isso esposa e mãe) formando o Corpo Causal(o celeiro que Jesus falava ou Corpo Búdico dos Teosofistas). Seu Filho é Cristo, não lucifer(esse tem só a luz do intelecto humano e é no máximo um grande mago). O SUBCONSCIENTE é a luz corrompida(campos de força de outras encarnações), este pode ser a grande prostituta, a mulher escarlate, ambas do apocalipse, mas não a mãe Binah ou shekinah/Sophia. Obrigado.