Allan Kardec e o Preto Velho
deldebbio | 11 de abril de 2011Pouca gente sabe, mas numa das reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec evocou um Espírito que, segundo as terminologias da cultura brasileira, poderia ser classificado como um “preto velho”. Esse encontro, narrado pelo próprio Kardec nas páginas da sua histórica “Revista Espírita” (Revue Spirite), de junho de 1859, aconteceu na reunião do dia 25 de março de 1859.
Pai César – este o nome do Espírito comunicante – havia desencarnado em 8 de fevereiro também de 1859 com 138 anos de idade – segundo davam conta as notícias da época –, fato este que certamente chamou a atenção do Codificador, que logo se interessou em obter, da Espiritualidade, mais informações sobre o falecido, que havia encerrado a sua existência física perto de Covington, nos Estados Unidos.
Pai César havia nascido na África e tinha sido levado para a Louisiana quando tinha apenas 15 anos.
Antes de iniciar a sessão em que se faria presente Pai César, Allan Kardec indagou ao Espírito São Luís, que coordenava o trabalho, se haveria algum impedimento em evocar aquele companheiro recém-chegado ao Plano Espiritual. Ao que respondeu São Luís que não, prontificando-se, inclusive, a prestar auxílio no intercâmbio. E assim se fez. A comunicação, contudo, mal iniciada, já conclamou os participantes do grupo a muitas reflexões. Na sua mensagem, Pai César desabafou, expondo a todos as mágoas guardadas em seu coração, fruto dos sofrimentos por que passara na Terra em função do preconceito que naqueles dias graçava em ainda maior escala do que hoje. E tamanhas eram as feridas que trazia no peito que chegou a dizer a Kardec que não gostaria de voltar à Terra novamente como negro, estaria assim, no seu entendimento, fugindo da maldade, fruto da ignorância humana. Quando indagado também sobre sua idade, se tinha vivido mesmo 138 anos, Pai César disse não ter certeza, fato compreensível, como esclarece o Codificador, visto que os negros não possuíam naqueles tempos registro civil de nascimento, sobretudo os oriundos da África, pelo que só poderiam ter uma noção aproximada da sua idade real.
A comunicação de Pai César certamente ajudou Kardec, em muito, a reforçar as suas teses contra o preconceito, o mesmo preconceito que o levou a fazer, dois anos depois, nas páginas da mesma “Revista Espírita”, em outubro de 1861, a declaração a seguir, na qual deixou patente o papel que o Espiritismo teria no processo evolutivo da Humanidade, ajudando a pôr fim na escuridão que ainda subjuga mentes e corações: “O Espiritismo, restituindo ao espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor.”
Não obstante, é claro verificar o preconceito que existia da sociedade européia de fato na época do fato narrado. Não me surpreende também, o epiritismo, doutrina derivada da sociedade européia vigente daqueles tempos, e codificada por Kardec, a priori, ter qualquer preconceito com relação a espíritos que diferissem dos moldes por eles preconizados pela era européia contemporânea. Ora, não deveria sequer se dar tamnha ênfase nessa comunicação deveras ordinária por Kardec, haja visto que a única diferença, tratava-se pela origem humilde e racial do espírito comunicante. Seria de mesmo modo, como se a Umbanda se maravilhasse quando um espírito de um nobre europeu fizesse comunicação em uma de suas sessões.
Publicado originalmente no boletim “Serviço Espírita de Informações” (www.boletimsei.org.br/?wpfb_dl=393), na edição 2090, do ano 2008.




































Que legal, eu sabia que Kardec tinha revisto o próprio racismo (que era fruto da época e região onde vivia, não custa lembrar que os sábios antigos não eram contra a escravidão, por exemplo), mas não sabia de registro documentado na Revista Espírita. Talvez um dia escreva um artigo sobre racismo e espiritismo, porque como encontraram praticamente apenas esta brecha, os críticos pegam pesado em cima de Kardec, como se ele fosse praticamente um senhor de engenho :/
Entre os críticos do espiritismo muito se fala sobre a própria doutrina espírita ter indicativos de racismo e preconceito racial. Esse post é importante pois evidencia que o espiritismo é um “sistema aberto” que pode evoluir.
Ao menos eu acho q é isso.
Na verdade, dado o local para onde “Pai Cesar” foi levado, era um “old black man”.
Admirável o post e por isso eu sempre procuro o blog. Trabalho em uma casa espírita já há alguns anos, e aos poucos vejo, com certo ceticismo, a expansão do “movimento” espírita. Aos poucos, sinto aproximar-se um conjunto de “isso pode, isso não pode”, sem muitas justificativas, por parte de instituições…. hããã…. “federativas” (vejam bem, não estou generalizando, são alguns casos).
Não sou contra regras, ainda mais quando derivam do bom-senso! E quando explicam o porquê delas!
Meu medo é que muita gente com comportamento de “gado”, ávida por repetir experências do passado, repita o que aconteceu com o cristianismo (e outras tantas doutrinas por aí afora). O Espiritismo, para mim, veio a ser uma forte doutrina de esclarecimento dos mecanismos (adoro entender as coisas com um pouco mais de profundidade!!!) da vida após a morte, e não uma reedição da idolatria e do comportamento de gado.
Questionar é a chave do conhecimento (assim acho eu neste instante), e não há nada que não possa ser questionado, e foi isso que Kardec fez: questionou, ponderou e compilou.
E esse post deixa bem claro isso: o caráter universal e despreconceituoso da doutrina. Pelo menos, é isso que deveria ser…. O que virá a seguir? Veremos nos próximos capítulos……. (ou séculos…….)
Marcelo,
Uma observação: Os “Pretos-Velhos” da Umbanda não necessariamente foram negros e/ou velhos em encarnações passadas.
No caso relatado pela revista, o Pai Cesar não parece em nada um “Preto-Velho”, uma vez que que trata-se de um “companheiro recém-chegado ao Plano Espiritual”.
Meus parabéns pelo blog!!!
Saravá a todos!
Esse fato ocorreu antes ou depois das famosas declarações preconceituosas de Kardec?
@MDD – Quais declarações?
Pois é.
Já li :
- Livro dos Espiritos
- Evangeelho segundo o espiritismo
- Céu e inferno
Estou lendo :
- Genese
E falta ler :
- O livro dos médiuns
Não ví sequer UMA frase do Kardec sobre preconceito.
Também gostaria de ver essas “declarações” dele.
Pode até ser em alguma Revista Espirita, mas ninguém nunca fala…..
Provas, meu caro Testament_knot, provas.
MiguelR
Non Ducor, Duco!
Um livro interessante sobre o assunto é Tambores de Angola que tira um monte de preconceitos sobre esse assunto.
Tira como? dizendo que a boa UMBANDA é aquela que não usa guias, simbolos e escritas?! Em que o preto velho na verdade nem preto é?! Aceito que os livros do Robson, embora não tragam nenhum conceito novo (na minha opinião pessoal, os espíritos que trabalham com ele apenas adaptam determinados conceitos para faze-los menos repeliveis as massas, não sendo necessário que só usem conceitos livres de equivocos) são muito úteis aos fins que se prestam. Quem lê o livro até tem mais chances de se livrar de possiveis preconceitos que poderiam vir a ter mas adiquirem alguns piores à respeito de UMBANDA, se levarem os ensinamentos de João Cobu ao pé da letra, dizendo isso por base em todos os Livros que já li do Robson.
lendo o texto me vem uma dúvida: quando uma pessoa desencarna ela não fica tendo uma visão mais clara das coisas? claro, tem os que ficam se remoendo com erros e todo aquele lance, mas nesse caso, ter um são Luis ajudando na comunicação não ajudaria ele a ‘saber mais’ das coisas?
fato: a arrogância do europeu fazia ele se ver como o supra sumo da evolução.
fato: quem não se dá valor não ganha valor dos outros.
fato: os europeus não faziam expedições de caça no continente africano para trazer escravos, eles simplesmente compravam de outros pretos que escravizavam seus irmãos.
fato: você não vê na história irmãos vendendo irmãos como os pretos.
vou parar por aqui pra não sair do tema do post, apenas expus os fatos acima para reforçar a pergunta: o pai cesar não teria que ter uma clara noção disso? dizer que o sofrimento dele provinha do preconceito pra mim não é outra coisa a não ser ignorância dos fatos reais. fatos que continuam verdade até hoje se você estudar a realidade dos países africanos (favor se inteirar mais dos ‘agitos’ de 1994 em Ruanda) e até mesmo da américa (haiti).
Realmente o espiritismo é visto hoje como algo elitizado e que ” seleciona” seus seguidores nas mais altas classes sociais. Como espírita devo reconhecer que isso é, em partes, verdade. Mas só assim porque os seguidores que se encaixam nessa condição abastada o mantém assim.
Como todas as outras religiões e doutrinas, são os seguidores que as fazem melhores ou piores. Preconceituosas ou não. O espiritismo não prega o preconceito nem o racismo e repudia toda forma de discriminação. Mas algumas pessoas que se dizem espíritas ainda carregam com elas esses defeitos que não devem ser julgados por ninguém. Apenas a própria consciência da pessoa pode se julgar.
Também devemos ter cuidado para não ter preconceito contra preconceito.
A doutrina espírita nos mostra o valor da puerilidade da influência da matéria sobre o espírito, não nos servindo a mais nada a não ser o meio de provação para a melhoria de nosso ser.
O que nos leva a concluir que essa situação do Pai César não foi mais do que uma prova, e que pelo visto superou com resignação.
E também esse modo de como o espírito amigo protestou contra o preconceito que sofrera, de um jeito bem passional, provavelmente deve-se ao fato de que o espírito ainda poderia estar no processo de desprendimento e de volta à consciência do plano espiritual, momento que na maioria das vezes é de grande perturbação e influência que ainda resta da matéria sobre o espírito.
Espíritos da umbanda, principalmente os pretos velhos, eram maltratados pela sua origem africana e tal. Pela sua raça. Não foi diferente na colonização no Brasil, onde a história evidencia muito isso. Aprecio a doutrina espírita e respeito quem a segue.
Não há este tipo de preconceito no espiritismo, pelo contrário vejo até uma aproximação grande:
http://www.centroraiosdesol.kit.net/frater.doc
O pessoal comenta acerca da influência da matéria sobre o espírito como se fosse algo digno de rebaixamento, ou até como estava num cooment acima, numa conotação de “puerilidade” (e às vezes até um certo nojo, como se a matéria fosse algo indigno).
Não vejo os estágios na matéria como algo indigno nem pueril, mas sub-aproveitado.
Se fosse indgno, nem estaria na arquitetura do universo. Acho, opinião pessoal minha, certa prepotência ser espírita (e olha que sou trabalhador espírita…!) e sair desprezando a matéria. É, no mínimo, falta de auto-conhecimento, uma vez que estaremos neste estágio longo tempo.
O lance é sabermos aproveitarmos a matéria para ascender, e não deixar o peso dela nos dominar. Desprezar a matéria no atual estágio e considerá-la, como muitos grupos fazem, um “fardo”, um “peso negativo”, uma “âncora que aprisiona a evolução” etc….. um desvio.
@MDD – o mago vive em 4 mundos… Material, Mental, emocional e Espiritual. Desprezar qualquer um deles é cair em desequilíbrio.
Não disse que é ruim nem desprezei, porque a matéria também é essencial para o avanço espiritual.
:)
Aqueles que conheçem o referido texto não se esqueçam que no proprio tem uma passagem muito preconceituosa vejam por si mesmos.
9. (A São Luís). A raça negra é verdadeiramente uma raça inferior? – R. A raça negra desaparecerá da Terra. Ela foi feita para uma latitude diferente da vossa.
A titulo de curiosidade: dos seis médiuns que participam das sessões de passe na principal casa espirita de Porto Alegre, três deles são negros.
E as palavras do Sr. Divaldo Franco?
Diz ele categoricamente que os espíritos que se apresentam como “pretos-velhos” não podem ser levados a sério.
Sectarismo por falta de conhecimento da VERDADEIRA Umbanda?
@MDD – O divaldo franco está gagá faz um tempo já. Não é a primeira opinião tosca que emite em relação á Umbanda.
“[...]Sob o mesmo envoltório, quer dizer, com os mesmos instrumentos de manifestação do pensamento, as raças não são perfectíveis senão em limites estreitos, pelas razões que desenvolvemos. Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporeamente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas; mas, enquanto Espíritos, é outra coisa; ela pode se tornar, e se tornará, o que somos; somente ser-lhe-á preciso tempo e melhores instrumentos. Eis porque as raças selvagens, mesmo em contato com a civilização, permanecem sempre selvagens; mas, à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. Os corpos desapareceram, mas em se tornaram os Espíritos? Mais de um, talvez, esteja entre nós”. (Revista Espírita 1862, págs. 97-105).
As supostas declarações teriam ocorrido em uma edição da própria revista. Haveria uma parte onde ele tenta justificar a igualdade de negros com os demais no outro mundo, deixando entender (na verdade, é bem explícito) uma inferioridade material do corpo em algum nível. O trecho em questão eu li de uma extração feita pelo site: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/allan-kardec-um-racista.html. Obviamente o site é tendencioso, mas o que mais valeria seria a extração do trecho em si.
Eu ouvi falar que Kardec cometeria mais deslizes (a ponto de falar grandes besteiras mesmo) no “A Gênese”. Sendo verdade, seriam suas crenças e ignorâncias pessoais sobrepujando seus trabalhos anteriores?
@MDD – Não tem como evitar os filtros culturais de cada tempo-espaço. O que vcs precisam entender é que não é porque um fulano morreu que ele adquire consciencia universal… pelo contrário, se o zé morreu preconceituoso, ele CONTINUA um espírito preconceituoso, se morreu bandido ele CONTINUA bandido, se odiava chineses, ou negros, ou gays, ou mulheres, ele CONTINUA odiando… se era um europeu do século XIX, continua sendo um europeu do século XIX em mentalidade.
Isto não é deixado junto com a casca ? A essência espiritual da pessoa é moldada pela vida que ela teve e pelas coisas que se prendeu ?
Eu considerava curioso (e arbitrário), quando o espírita “reconhecia” algum desencarnado, por conta de hábitos, vícios e manias que tinha enquanto encarnado, mas pelo que coloca, eles tem razão então ?
MiguelR,
Eu li o Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Céu e o Inferno. Não estou aqui só trollando, eu acompanho os post do MDD há algum tempo.
As citações com possíveis conotações preconceituosas existem (pouquíssimas) nos primeiros livros. As críticas mais recorrentes que eu já vi se referem sempre a A Genese e a obscura Revista Espírita. Eu ainda pretendo ler A Gênese para me informar melhor.
“à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. ”
Cara, acho que se isso foi pego de um espírito, o entrevistado era o Hernan Cortez ou o Francisco Pizarro. Ou um bispo das Grandes Navegações quem sabe…
Mesmo na época da conquista da América, as pessoas já sabiam que a razão desse avanço das “civilizadas ” e diminuição das “selvagens” era interligada sim, mas apenas pelo massacre e exploração perpetrado pelos europeus. Vide os escritos de Frei Bartolomé de las Casas.
Portanto os filtros culturais da época não justificam totalmente uma declaração dessas. Embora não maculem o trabalho dos caras. Afinal, sabemos que em ciência a conduta pessoal não altera em nada o que é produzido para a ciência. Dizer que o espiritismo é mentira por que Kardec era racista tem a mesmo inocuidade de dizer que a Teoria da Evolução é mentira por que Darwin era um péssimo pai (o que não é verdade). Só acredita quem acha que kardecismo e evolucionismo são religiões. E quem acredita nisso é normalmente um religioso inseguro de sua própria religião querendo atacar as convicções alheias…
Mas fora esse comentário sobre as razões espirituais do desaparecimento dos Caraíbas, eu percebi, lendo o Livro dos Espírtos que as respostas tiveram uma influência evolucionista (dã!) sim.
Me refiro à evolução como corrente antropológica, que alegava que as sociedades simples, como as indígenas tendem a evoluir para sociedades “avançadas” como a ocidental. No Livro dos Espíritos chegam a dizer que nós servimos de “exemplo” (risos) para os indígenas.
Hoje sabemos que essa teoria é apenas fruto do “otimismo” europeu do século XIX e muitas sociedades ditas simples são inclusive mais complexas que as nossas. Encarnados otimistas, desencarnados otimistas também.
Belo comentário diga-se de passagem, que me fez lembrar que: “Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender.”
Ou seja de acordo como nosso camarada acima propôs: “Afinal, sabemos que em ciência a conduta pessoal não altera em nada o que é produzido para a ciência.” Se formos analisar, todo o contexto histórico-social em que uma pessoa vive, digamos que o meio influencia sim em suas idéias, mas isso não significa que de acordo com nossas convenções atuais, sobre o que é moral ou não, se Alan Kardec, ou espírito tal, tiveram ou não algum preconceito de caracter que hoje seria reprovável, não significa que o todo de sua obra não presta perante isso apenas. Isso é falta de senso crítico e como se vê como estamos alienados de filtros de percepção. E não venhamos discutir sobre o que se é ou não preconceito, pois nos mais variados graus somos todos preconceitusos, pois não conhecemos e muito menos compreendemos o todo.
Paz
Otima oportunidade para eufalar da minha experiência.
Eu havia me iniciado na doutrina espirita,já fazia evangelho no lar, e portanto já recebia a visita de espíritos amigos em minha casa para nos ajudar no estudo e pratica do Evangelho de Jesus,quando fui chamada para me orientarem em um centro de umbanda, que essa seria a iniciação de minha filha. Lá chegando,pude ouvir de um médium(que exerce a profissão de medica no seu dia a dia)que ele havia sido um escravo aqui no Brasil e me contou toda a sua história da vida passada em questão.
Fiquei como que encantada com a tão sofrida história. De imediato não entendi bem,mas depois minha filha acabou abraçando a Umbanda como sua religião .
Existe ainda muito preconceito quanto a umbanda no kardecismo, mas elas trabalham juntas fazendo caridade sem nenhum fim lucrativo. O médium sempre tem que desenvolver seu trabalho de doação sem pensar em nenhum fim que não seja o AMOR ao próximo . Por isso oque importa nisso tudo e’ o nossa evolução moral, o autoconhecimento , o crescimento espiritual, aprendendo na pratica a não ter preconceito, deixar de vez o Orgulho,pois “Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos ”
Para bom entendedor meia palavra basta
O problema de tudo e’ sempre o orgulho
,
Para a gente ver.
Ao nos depararmos com a idéia de reencarnação, é comum a gente aderir ou repelir à idéia. E se mudarmos um dia, geralmente é apenas para se converter à determinada vertente.
Não enxergamos as possibilidades contidas, mesmo se a idéia não fosse “factível”.
Me explico. O conteúdo da idéia da reencarnação, mais do que saber que existe uma alma imortal, e sucessivos corpos e vidas, traz também (ou deveria trazer) um conceito muito bonito. A de que não nos prendemos a vida atual. Se já fomos de gêneros opostos, raças diferentes, credos diversos, nacionalidades distintas, podemos abraçar nossos irmãos de várias culturas, grupos e etnias, e talvez até quem nos agrida, ou seja agredido por nós, como irmãos e iguais.
Isto é um soco na boca do estômago, em idéias e conceitos discriminatórios, preconceituosos, elitistas ou, em termos muito em voga hoje, em situações de assédio ou de bullying.
Então, mais do que se esforçar em convencer alguém da idéia da reencarnação, hoje eu fico feliz em partilhar que, ainda que ela discorde (e tenha toda a liberdade para tal), este conceito tão bonito e interessante!
Uma pena que este tipo de preconceito esteja tão arraigado, que mesmo muitos reencarnacionistas esbarrem neste tipo de atitude. Quando é tão claro o quanto que isto é contraditório!!!!
@MDD – é porque qualquer conceito de “reencarnação” já vem rotulado de religiao. Eu vejo isso como algo natural, do qual precisamos estudar e conhecer para avançar mais rapidamente na jornada. Se voce já tem a hipotese validada por um número gigantesco de experimentos, relatos e evidencias empíricas, é seguir em frente… se o fulano quer acreditar que nao existe nada, azar o dele… depois de alguns anos/decadas apodrecendo no próprio corpo enterrado talvez ele mesmo se convença e na proxima vida ele venha mais espiritualizado. Por isso que nem perco mais meu tempo discutindo com ateus.
DD, eu sigo coisas do espiritismo, mas não sou espírita
vc já assistiu o filme “Nosso Lar”?
Você, uma pessoa que já realizou viagens astrais e que tem um conhecimento d espiristismo, é verdade tudo daquele filme?
O nosso lar é tipo uma colônia hight tech?
@MDD – Tem muito de real naquele filme, sim. Hoje em dia ela está mais high tech do que aquilo; aquela deveria ser a visão da cidade por volta de 1930-1940.
Marcelo, eu assisti o vídeo que tu postou no twitter, “Budismo para Dummies” hehe, e fiquei curiso, já que a noção de tempo no astral é diferente da nossa no plano material. Pelo que tu sabe, é possível mesmo reencarnar em épocas diferentes no planeta Terra?
Abraço!
Marcelo, certa vez voçê disse que os livros dos espíritos foi dertupado com traduções de ex-católicos, que precisa ser revisada etc.. então recomende uma tradução certa!Outra voçê falou que aqueles espíritos tem limites de conhecimentos, faz parte de uma egrégora que não tem conhecimnetos de elementais, devas , magia etc. qual é o correto? agradeço!
Olá Marcelo qual a sua visão referente as perguntas 551 a 557 do Livro dos Espíritos
(Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros/ Bênção e maldição)
@MDD – a experiencia prática mostra que as respostas estão erradas, ou a interpretação delas errônea. Objetos mágicos funcionam, mas são ativados pela vontade (Thelema) de quem os utiliza. Nossa mente não é capaz de manipular mentalmente energias muito poderosas, então o auxílio material é necessário… senão as entidades não precisariam de mandalas ou velas para agir.
Marcelo, o que vc acha das visões de nossa senhora de aparecida, maria , santos.. etc. tem uma homem que afirma que vê nossa senhora.
Essas visões seriam egrégoras ou guias espirituais, que agem de acordo com o arquétipo das pessoas, vão aparecer de acordo com seu grau de evolução.
ola mdd.
eu estou indo a 3 semanas em um terreiro e ontem na gira de exu, ele falou para mim que la nao é o meu lugar e que nao é para mim ir mais la. Eu nao devo mais ir? por que isso aconteceu?
@MDD – e voce pergunta pra mim?… por que nao perguntou pra ele?
Marcelo, tenho muita dúvida ainda a respeito do espiritismo com ocultismo, gostaria de saber se os espiritos protetores são os devas ou anjos da cabala , espíritos familiares que o Allan Kardec fala, pois não concordo muito em ter vários espíritos ao meu redor. Todos os ocultistas foram contra envocação de espíritos , falam mais dos casções , elementais, etc. Todos eles são contra: Helena Blavatsky , Elipas levi, Rosa Cruzes e outros … Pode me explicar isso melhor, agradeço a resposta!
Segundo o próprio Kardec espírito é luz. Dependendo do comportamento nas encarnações que passou poderá ser intensa, média ou fraca esta luz. Intensa , dos espíritos mais evoluídos, média dos em avançado estado de evolução e fraca, dos que não evoluíram ou evoluíram muito pouco Estes ficam , como vampiros, tentando sugar a luz dos outros e, não raro, conseguem. Os espíritos não têm nomes, ou forma humana. Para que teriam ? Seria difícil diante de tantas reencarnações neste ou numa das” outras moradas do Pai “, outros mundos, segundo Kardec.Já fomos homens e mulheres. E seremos. São fantasiosas as obras que misturam a fé judaico- cristã com a cristã original. Nós, espíritas não cremos em inferno ou céu. Reencarnaremos em busca da evolução quantas vezes for necessário. Não existe Nosso Lar nem Umbral. Kardec alertou-nos sobre espíritos que viriam para dividir o movimento espírita. Há que escolher:xavierismo ou kardecismo.Eu fico com este último.
@MDD – Putz… fundamentalistas espíritas… é o que faltava kkkkk
Tenso. Aposto que esse aí é um das União-Federação-Espírita queimadoras de livros não canônicos, tipo os do Chico e do Robison Pinheiro, e de qualquer um que não tenha nascido na época do Kardec…
Enfim. Antigamente católicos inquisidores queimadores de livros lutando contra a Cisão, hoje em dia espíritas paranóicos queimadores de livros. Pelo menos hoje em dia eles não podem usar esse neo Index Librorum Prohibitorum para impedir publicações.
Mas ó, parabéns, DD. Graças ao tio acima o Teoria acabou de completar o álbum “comments de minorias fundamentalistas bizarras”. Achievement unlocked!
Marcelo, quando vc fala do tranca -rua exu, seria um nome cabalistico , pois essa entidade é um iniciado mago?
@MDD – Nao. É o nome que a entidade escolhe para representar as energias nas quais trabalha. Um “tranca-rua” trabalha nas energias de Geburah (Ogum) dentro de Hod (Exú).
DÊEM UMA LIDA NISSOA AQUI ABAIXO:
“… Possam nossos irmãos futuros se lembrarem deste dia memorável em que os Espíritas lioneses, dando o exemplo de união e de concórdia, colocaram, nesses novos banquetes o primeiro passos da aliança que existir entre os Espíritas de todos os países do mundo; porque o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais ó o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eterno. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje…”. (Revista Espírita 1861, pág. 297-298). (grifo nosso).
Queria saber se os espíritos da umbanda são devas ou espíritos que desencarnaram como nós, tenho os livros básicos mais não entendi o processo.agradeço Marcelo!!!!
Marcelo, é possível se iniciar na umbanda sozinho? com os livros do matta e silva.
@MDD – Não. A menos que você seja médium e suas entidades o iniciem. Já vi acontecer, mas é tenso. O médium nunca sabe se tudo o que está acontecendo é de verdade ou se ele ficou doido de pedra…
Marcelo , tenho muitas dúvidas ainda sobre ser médium. Já comentei que tive decepção com a” umbanda” onde moro no seu blog , claro que não era umbanda mesmo como aprendi no seu blog, pois ocorria matança e muita bagunça. Na época que frequentei fui desenvolver, rodava muito e senti a entidade perto de mim , mas ouvia as pessoas e som do tambor, as vezes uma força apagava meus sentidos na corrente e agitava meu corpo, colegas me segurava. Isso seria mediunidade? eu acho que não, pois eu que fui atrás de desenvolver, ou seria capaz de as entidades me desenvolver quando eu chegar aos 30 anos , estou com 28 anos.agradeço essa resposta.
Frequento uma casa espirita a muito tempo, tarefeito, participo dos trabalhos e eventos, faço parte da diretoria, e a pouco tmpo fiquei sabendo através de uma amiga de trabalho (fluidoterapia) que meu mentor é um preto velho, e comentou ela que pediu para dizer que esta sempre a meu lado, isso me deixou muito feliz. Quem sabe na proxima encarnação poderemos trocar de lugar, ofereçendo o mesmo carinho e amor com que me trata desde o nascimento. A vc meu mentor “PRETO VELHO”, agardeço muito por este momento unico, e em pensamento agora te abraço comovido. MUITO OBRIGADO.
Realmente a doutrina espirita nos recomenda a não manter preconceito algum, mas também nos fala que não devemos seguir preconceitos de ninguem. Vi no relato acima, a espiritualidade amparando um espirito, pois espirito não tem cor, nem raça, não é velho nem novo, nem branco nem, preto asim como não é amarelo vermelho etc. O que aconteçe hoje em dia é o equivoco de se querer introduzir umbanda, e outras doutrinas, na doutrina dos espiritos, dizendo que tudo é a mesma coisa, e não é. Quando alguem mostra atravez dos ensinamentos de Kardec, de Emmanuel etc que doutrina dos espiritos é uma coisa e umbanda, catolicismo etc, são outra coisa, esta pessoa normalmente e taxada de preconceituosa.
Prezados irmãos, muita paz! Informamos que o último parágrafo deste texto não pertence à versão original do artigo. Deve ter sido enxertado pelo site ou blog que o reproduziu anteriormente. A versão original, caso desejem consultar, está no site do “Serviço Espírita de Informações. Eis o link: http://www.boletimsei.org.br/?wpfb_dl=393.
Fraternalmente, a equipe do boletim Serviço Espírita de Informações
@MDD – Já corrigido. Muito obrigado!