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A Sociedade de Controle e a Liberdade

Igor Teo | 5 de agosto de 2011

Michel Foucault foi um pensador que influenciou diversas áreas de estudo. Um dos temas que se dedicou a estudar foram as formas de poder e como elas se exercem sobre os indivíduos. Diria ele: “Onde há poder, há resistência”. E o campo da liberdade se faz de atitudes e comportamentos pelo quais os indivíduos recusam as práticas a eles impostas.

O governo e as empresas contam com laboratórios de pesquisas e bancos de informações cada vez mais detalhados sobre a vida particular das pessoas. A população presta conta de seus atos das mais variáveis formas, desde o imposto de renda à documentação necessária para se locomover nas cidades. Ao mesmo tempo o sujeito é submetido às normas e padrões de comportamento condicionados pela sociedade. O indivíduo condicionado é o bom-moço, o mocinho das novelas, regido pela moral capitalista e o modo de vida burguês.

Nas formas modernas do Estado nas sociedades industrializadas são utilizados procedimentos e mecanismo de controle para a constituição de identidades coletivas, sendo oferecidas identidades prontas nos meios de comunicação, como na televisão, para a população “consumir”.
Muito se fala em liberdade no consumismo, mas a cobiçada liberdade do consumidor se resume no direito de escolher por vontade própria um estilo de vida já determinado pelo mercado.

Enfim, parece que o liberalismo se mostrou como a melhor forma de controle da população, pois ao contrário dos regimes totalitários e ditatoriais, concede uma falsa ilusão de liberdade.
Todos obedecem às regras do jogo, cumprem as leis, mudam o horário quando o governo determina sem nem saber ao certo como esse dia é escolhido.

Estratégias de dominação
Um elemento primordial do controle social é desviar a atenção do público dos problemas importantes mediante a liberação excessiva de informações insignificantes. A população passa mais tempo discutindo sobre futebol e vencedores de Reality Show do que economia ou política. O excesso de informação reduz a população à passividade e ao egoísmo, ocultando os fatos um mar de irrelevância.

Ou então se mantém o público ocupado, sem tempo para refletir quanto às questões importantes da sociedade. A população não compreende as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle. A qualidade da educação dada às classes sociais mais baixas é medíocre, tornando a ignorância algo comum.

O indivíduo acredita ainda, dentro do pensamento capitalista, ser o culpado pela sua desgraça, por causa de sua pouca capacidade ou falta de esforços. Ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo vira-se contra si mesmo.
E a população, por pior que a situação pareça, acredita que tudo ainda irá melhorar no futuro.

O poder emergente a partir do século XVII tem como objetivo principal controlar a vida social. Para isso existe o projeto de ampliação e integração das aptidões individuais com os sistemas econômicos. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, hoje a ciência tem maior conhecimento do ser humano, tanto fisicamente como psicologicamente. Conseqüentemente, o governo conhece melhor o indivíduo do que ele mesmo conhece a si mesmo.

Um exemplo simples é o teste vocacional, que age a serviço de uma engenharia social, dizendo o que é melhor para cada indivíduo, quando isso deveria ser decidido por ele mesmo.

Os movimentos de contracultura, que por vezes aparecem como uma oposição a cultura dominante, não são em realidade contrários a dominação. A contracultura faz parte da própria cultura, sendo um mecanismo que faz com que ela se atualize, mantendo a ordem estabelecida com pouca alteração real.

Exercício de Liberdade

O homem deve lutar contra as técnicas e procedimentos desenvolvidos para conhecer e controlar a vida subjetiva de cada membro da sociedade. Nesse contexto é que vamos inventar nossa subjetividade.

Apesar das condições desfavoráveis, o indivíduo não está necessariamente desamparado. A atitude questionadora é a principal arma. Através da reflexão, da atitude crítica, podemos analisar o conteúdo de uma determinada proposição, para construirmos o nosso próprio saber, sem aceitar de primeira as formas de saber já prontas, seja científica, religiosa ou ocultista.
Pois nosso campo de batalha não é feito de violência ou terrorismo, mas nas idéias, através da conscientização.

“Um homem pode morrer, lutar, falhar, até mesmo ser esquecido, mas sua idéia pode modificar o mundo mesmo tendo passado 400 anos.” In: V for Vendetta

Igor Teo é estudante de psicologia e colunista no Teoria da Conspiração.

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Artigo 19, Conspirações
Tags
Conspirações, Dominação, Estado, Foucault, liberdade
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51 Responses to “A Sociedade de Controle e a Liberdade”

  1. Croco disse:
    5 de agosto de 2011 às 13:22

    Putz, um estudante de psicologia falando mal de um teste vocacional.
    E eu achando que esses testes tinham credibilidade…
    Agora fiquei mais perdido ainda hahahahaha
    @Teo – rs A questão é que não existe uma psicologia, mas várias psicologias. São tantas linhas teóricas que algumas são extremamente contrárias as outras.

    Responder
  2. Rafael disse:
    5 de agosto de 2011 às 13:25

    A questão das novas formas de controle social parece ser bem óbvia. O que é difícil de entender é o POR QUÊ. Dinheiro? Poder? Acho explicações muito vagas. Mas, sigamos pensando no tema. Um dia vamos descobrir.

    Responder
    • Fernando disse:
      5 de agosto de 2011 às 18:33

      Eu acho que a resposta do porque disso você mesmo deu: o objetivo é continuar mantendo a roda girando, do jeito que ela está!

      @Igor: Jóinha pro post! Abç.

      Responder
    • CG disse:
      6 de agosto de 2011 às 4:31

      Poder, poder, poder, eis a busca incansável de algumas pessoas neste nosso plano. São capazes de destruir o mundo para satisfazer sua ganância.

      Responder
  3. Gustavo Costa disse:
    5 de agosto de 2011 às 13:48

    Igor,

    Bom texto, mas o que vc fala sobre o teste vocacional pode tambem ser aplicado, no meu ponto de vista, ao mapa astral. Vc sabe a partir dele onde tem facilidade e a partir disto onde se encaixa melhor para se desenvolver, a diferença seria que no teste é analisado as respostas do individuo, que também são padronizadas e no mapa é analisada a posição do ceu na data de nascimento, que também foi padronizada um dia por alguem para que isto pudesse ser feito.
    @Teo – Gustavo, eu realmente me questionei muito quanto a isso. Mas acabei percebendo que há um detalhe importante: o teste vocacional se faz de forma elitista e exclusiva. Você já viu alguém ter como resultado “lixeiro”? Já no mapa astral você tem uma “aptidão” que se manifestaria de variadas formas, independente de nível social. Ou seja, ao invés de restringir o campo de escolhas, ele aumenta o leque. Um assassino e uma enfermeira podem ter a mesma configuração de mapa. Um mapa astral não te diz que profissão você deve escolher, mas que ferramentas você tem para ajudar na profissão que você decidir. Compreende o detalhe?
    Claro que isso varia de pessoa para pessoa. Eu vou usar um mapa como uma ferramenta de autodescobrimento e expansão de consciência ou vou utilizar da mesma forma que um teste vocacional faria?

    Responder
  4. Guilherme Viieira disse:
    5 de agosto de 2011 às 14:36

    Hoje as pessoas vivem na ignorância, aceitam ser controlada sem ter o mínimo de questionamento daquilo que é imposto a ele. Devemos ter um olhar critico em geral. Parabens pelo post…

    Responder
  5. Demétrio disse:
    5 de agosto de 2011 às 14:48

    Falta ação, informação e organização ….precisamos de caos (TYLER YEAH..!!!) , o governo ñ é mais um órgão e sim um câncer que deve ser banido junto com seus vírus vestido de colarinho branco. Sinto que essa mudança virá por um meio democrático como a internet em :blogs ,redes sociais , TOR (nada de louro com martelo e sim, A Internet sem rastreabilidade…)

    Responder
  6. D disse:
    5 de agosto de 2011 às 15:26

    Lutar contra a dominação, infelizmente, não funciona…

    Existe um mecanismo de pensamento que é o seguinte :

    “Tenho poder” -> “Querem meu poder” -> “Meu poder deve valer muito” -> “Não vou dar meu poder” -> “Vou oprimir quem quer meu poder” -> “Vou pegar mais poder” -> “Tenho poder”

    No fim, a única forma de conseguirmos que haja efetivamente uma liberação é liberar os dominadores de sí mesmos… mostrar que o poder, aplicado apenas à manutenção do poder, é vazio e sem gosto.

    Obviamente que, enquanto viver bem tiver a ver com ter poder, isso não vai funcionar.

    No dia em que conseguirmos viver tão bem ou melhor que aqueles que tomam as decisões por nós, no dia em que ter poder não significa ter domínio sobre o outro (e isso é muito importante…) as ameaças à liberdade individual serão muito menores.

    Afinal, o que seria um Deputado Federal se ganhasse salário mínimo e não tivesse privilégio algum exceto o mínimo necessário para realizar seu trabalho com rapidez ?

    O problema aí está em manter a sociedade assim…. nos planos astrais, governadores espirituais podem acabar perdendo seu poder sobre o povo, se aparecer alguém com carisma para convencer os espíritos a se revoltarem. Mas há um mecanismo natural de diferenciação, que acaba fazendo os sentimentos envolvidos levarem esses espíritos à queda e às trevas.

    Como reproduzir isso aqui ? Como fazer com que as pessoas possam de fato escolher onde viver, e sob o julgo de quem ? Como impedir que um novo líder resolva tomar o espaço que líderes de diferentes comunidades, para voltar ao ciclo de ganho e manutenção de poder ?

    O plano físico é extremamente limitado nesses aspectos….

    Responder
  7. raph disse:
    5 de agosto de 2011 às 16:12

    Acho que esse pequeno texto traz muitas (boas) reflexões sobre a sociedade moderna e a “anestesia geral do pensamento”:

    “George Orwell escreveu 1984. Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo.

    Orwell temia aqueles que banem os livros.
    Huxley temia que não houvesse razão para banir livros, por que ninguém mais se interessaria em ler algum.

    Orwell temia a censura das informações.
    Huxley temia que nos oferecessem tanta informação que seríamos reduzidos à passividade e ao egoísmo.

    Orwell temia que a verdade fosse ocultada de nós.
    Huxley temia que a verdade fosse soterrada em um mar de irrelevância.

    Orwell temia que nós nos tornassemos uma cultura oprimida (capturada).
    Huxley temia que nos tornassemos uma cultura irrelevante, trivial, preocupada com “some equivalent of the feelies, the orgy porgy, and the centrifugal bumblepuppy”.

    Em 1984, as pessoas eram controladas pela dor.
    Em Admirável Mundo Novo, elas eram controladas por prazer.

    No final, Orwell temia que o medo nos arruinasse.
    E Huxley temia que o desejo nos arruinasse.

    Qual cenário parece ser mais convincente nos dias de hoje?”

    Texto de “Amusing Ourselves to Death”, por Neil Postman. Tradução transcrita do TdC.

    Responder
  8. lks_vieira disse:
    5 de agosto de 2011 às 16:30

    Se nós sairmos da “dominação” atual, aonde cairiamos?

    Derrubando o sistema atual, acredito eu, que vamos cair em um outro sistema e se o derrubarmos caimos em outro, o sistema é nosso, e nós fazemos isso com ele, estamos sempre sujeitos a uma forma de controle, pq se não nos controlarmos o estado seria absolutamente utópico. Não que uma “utopia” seria ruim, não que o controle seja bom. :]
    Será que um dia isso que chamamos de liberdade existiu?
    Ultimamente penso muito na questão acima e não tenho uma resposta, apenas mais duvidas.

    E outra coisa a qual me perguntei recentemente. Será que há como se viver em extrema igualdade social, psicológica e etc? Acho que a igualde não, talvez o respeito sim, mas nunca vamos estar todos no mesmo nível para que um queira menos poder que o outro, sempre vai ter um que quer ser dominado apenas por preguiça de viver (é, eu acho que existem muitas pessoas assim), parece loucura, e talvez seja, mas é assim que ando enxergando as coisas ultimamente.
    @Teo – Concordo. É por isso que eu chamo o último tópico de “Exercício de Liberdade”. É apenas um exercício, não uma realidade. Eu acredito que a melhor opção é a Anarquia, mas infelizmente, a humanidade não estaria preparada.

    Responder
    • lks_vieira disse:
      5 de agosto de 2011 às 17:23

      Teo, nessa questão da Anarquia (que eu apóio) me pergunto: O quanto não está preparada?
      As vezes necessita de uma fagulha, as vezes de “400 anos” de idéia…
      O problema é que eu não sei por onde começar, sou péssimo em montar padrões pra saber se o passo é x ou y para começarmos uma mudança. Acho que isso que me da medo. Medo de não saber como começar. Interessante e idiota. kkkk
      Procure no Mayhem o tópico intitulado anarquismo, tivemos boas idéias boas e uma promessa minha não cumprida ainda, porém não esquecida.
      Mas em resumo, acho que pensar que a humanindade não está preparada pra algo acaba nos acomodando um pouco… A sociedade estava preparada para o capitalismo? E o socialismo? O quanto a nossa sinceridade seria valida ou invalida para conquistar algo que nós julgamos ser o melhor pra humanidade (e talvez não seja)?
      Sua coluna é ótima.
      @Teo – Compreendi. Quando eu digo que ela não está preparada, quero dizer que ela não está preparada porque ainda não há anarquia. Tudo só acontece quando as condições são propícias para ocorrer. Isso cai num pensamento muito vasto que vou resumir: Foi Dumont ou os irmãos americanos que inventaram o avião? Tanto faz, porque não é uma pessoa em si que desenvolve tudo sozinha. O avião só foi inventado naquele momento porque havia uma constituição histórica que permitia aquele feito. Dumont ou os irmãos americanos foram apenas instrumentos utilizados para a história acontecer. Se eles não tivessem existido, mais cedo ou mais tarde alguém teria feito a mesma coisa.
      Eu agradeço pelo elogio. Vou confessar que já esperava que esse texto em particular fosse bem questionado, devido aos easter eggs e o tema polêmico.

      Responder
      • Flávio disse:
        5 de agosto de 2011 às 19:28

        Olá.
        Isso é exatamente o que eu penso também Teo.
        Tudo na sociedade inclusive as modinhas passageiras ou o conservadorismo pétreo só surge da inércia que vem de eventos sociais-históricos que os determinam, vamos ver isso quando tivermos máquinas do tempo (putz que viajem…), se eu disser : “Voltarei ao passado e matarei Hitler”, alguém diferente terá sido o líder do partido nacional socialista quando eu retornar ao futuro.
        Nossos egos inflados não nos permitem ver além das nossas escolhas e idéias.
        Não são nossas e nunca foram apenas estávamos no momentum certo.
        Vivamos o presente que é uma dádiva, nele somos soberanos, nele somos como deidades, quando experimentamos a sensação consciente de sermos nós mesmos.
        Somos o Todo.
        Abraços.

        Responder
      • Petrus disse:
        18 de outubro de 2011 às 9:22

        O anarquismo só será possível quando acabarmos com as condições sociais que fazem do Estado uma necessidade e realidade.

        Responder
    • Fernando disse:
      5 de agosto de 2011 às 18:52

      A anarquia expõe e exige um contrato social muito mais forte do que temos nos sistemas de governo/controle atuais, pois a ausência de Estado (pelo menos como conhecemos) cria uma lacuna de atribuições que hoje são preenchidas (e exploradas, deturpadas, desviadas) pelos órgãos de governo, e porque não, EMPRESAS, públicas ou privadas.

      Alguns dizem que se o modelo de Estado moderno ruir, a sociedade provavelmente entraria em um fluxo de desordem até que o próximo grupo ou ideologia dominantes se estabelecesse criando um novo modelo de controle social e econômico. Aqui cabe a sacada “utópica”: se os indivíduos são evoluídos e esclarecidos suficientemente a ponto de definirem um contrato social que atenda as necessidades e anseios de todos, não existe o porque do CONTROLE, pois a ordem é de comum acordo. Os crimes, casos de corrupção, exploração, etc, que presenciamos hoje são frutos das aspirações de indivíduos por algo que eles querem e que por via natural o modelo estabelecido lhes omite. E em alguns casos por pura ganância mesmo….

      Mas, em termos humanos e realistas, ainda estamos longe sequer de cogitar algo deste tipo. Se não somos capaz de dominar nossas paixões e sequer identificar o que é nossa Vontade e quais nossos Direitos, como implementar algo do tipo?

      Um dia, quem sabe…

      Responder
  9. Henrique Monteiro disse:
    5 de agosto de 2011 às 17:07

    O engraçado é que todos esses pensadores de esquerda (e Foucault está incluído nessa categoria) criticam o sistema capitalista mas não admitem os tremendos desastres que foram os governos socialistas/comunistas.

    Ademais, hoje em dia ser “bom moço” é ser da contracultura. Quer coisa mais rebelde do que ser católico, pró-familia, contra o aborto e a sexualização progressiva da mídia e das crianças, contra a promoção da homossexualidade como conduta equiparável à heterossexualidade?
    Sim, pois atualmente todo mundo é feminista, pró-gayzismo, admirador de Marx, Foucault & cia.

    Obviamente, em qualquer sociedade, seja ela de direita ou de esquerda, haverá controle social. Acontece que os governos de direita costumam proteger a liberdade de expressao, enquanto o inverso acontece no comunismo socialismo (vide Russia comunista, Cuba, e o recente PLC 122 aqui do nosso Brasil varonil).
    O interessante é que os “moderninhos” dizem ser a favor das diferenças, mas é só alguém que tem opiniões tradicionais e de direita se manifestar que é logo chamado de fascista, racista, nazista.
    @Teo – Eu não defendo o socialismo, mas capitalismo não é muilto melhor. Eu acredito que não dá para ver os dois como oposição, já que tanto um quanto ao outro refletem o mesmo tipo de pensamento. Quanto a direita ser minoria, o que eu vejo na verdade é que a ultra-direita é minoria. Na verdade, a direita é tão numerosa que existe “feminista, pró-gayzismo, admirador de Marx, Foucault & cia”. É o que eu citei de Foucault no início: “Onde há poder, há resistência”.

    Responder
    • marcel disse:
      10 de agosto de 2011 às 13:57

      o que vc acha que é capitalismo, na verdade é social-democracia. o capitalismo de fato só existiria numa sociedade minárquica ou anárquica.

      Responder
      • Gary disse:
        12 de agosto de 2011 às 10:55

        Assim como nenhum escocês de verdade coloca açucar no seu mingau?
        Dizer que não existe um “capitalismo de fato” dá espaço para afirmarem que o comunismo russo e o socialismo cubano não era/é “socialismo verdadeiro”.

        Responder
        • marcel disse:
          13 de agosto de 2011 às 1:44

          o capitalismo é um sistema que tem como base o sistema de troca voluntárias, se existe estado interferindo nesse sistema, então não existe capitalismo de fato.

          Responder
          • Gary disse:
            13 de agosto de 2011 às 18:22

            Nem sempre, depende da escola. A keynesiana, por exemplo, se opõe a idéia de um capitalismo sem intervenção do estado.

          • Original Bat disse:
            13 de agosto de 2011 às 18:42

            Concordo em genero número e grau com Marcel. O Capitalismo verdadeiro foi dos anos vinte aos cinquenta, nos EUA. O que existe hoje é um estado social-democrático com roubo legalizado.
            Hoje todo mundo quer dar uma de Robin Hood. Quem quiser de vdd ajudar as pessoas excluídas, que nasceram sem oportunidades, existe a fórmula certa – Torne-se um empresário e de EMPREGO pra elas, construa centros educacionais com SEU dinheiro, e não vire um ativista, que é o que os rebeldes de faculdade fazem. Fazer caridade com chapéu dos outros é fácil. As pessoas devem ajudar, mas da forma que quiserem na quantidade que quiserem, por isso ações voluntárias e filantropia são mais eficientes e JUSTAS que ações sociais do Estado e cotas que na vdd são roubo legalizado. Nenhuma causa, por mais nobre e justa que seja, tem o direito de invadir o direito de outras pessoas, não importa se for em nome da maioria ou minoria, pq direitos não são acumulativos. Um cidadão tem os mesmos direitos a serem defendidos do que mil cidadãos conjuntos, não importa se ele é rico ou pobre. E ele tem direito de fazer o que quiser com dinheiro dele, por mais cruel que pareça. Através do exemplo vc consegue mto mais gente pra qualquer causa do que por força da lei.
            É como os impostos. os impostos foram inicialmente lançados sobre os ricos no começo do século retrasado. A ideia de impostos se tornou popular e foi aceita pela maioria, divulgando-se aos pobres e à classe média que os impostos estavam sendo criados para punir os ricos. Foi assim que as massas votaram a favor da lei e ela se tornou constitucionalmente legal. Embora fosse imaginada para punir os ricos, na realidade acabou punindo aquelas pessoas que votaram a seu favor, isto é, os pobres e a classe média. Pq os ricos, de forma honesta, passaram a prestar serviços ao governo em suas empresas. E daí pra pagá-los, o governo já não podia mais tomar deles. O tiro saiu pela culatra, como sempre sairá em todas as “ações sociais” que ferem os direitos de uns para remendar o de outros. Meritocracia é o melhor sistema, na minha opinião. Até alguém que herda seu dinheiro precisa demonstrar mérito ao administrá-lo corretamente.
            @Teo – O problema é que o capitalismo é um sistema que SEMPRE vai existir com base na exclusão. Você mesmo acaba de definir bem ele: faça parte do sistema, seja um empresário, pois caso contrário, vocês está fora. Se você não quer ser um empresário, quer ser na verdade um jardineiro, você se deu mal.
            Para um empresário ter direito a sua vida luxuosa, crianças tem direito a morrer de fome na África. Para a socialite ter direito de esbanjar suas roupas da moda, mendigos tem direito de morrerem no frio da madrugada. Eles tem direito a isso? Claro que tem, em nenhum momento está sendo defendido uma revolução comunista. O que está em discussão é: “capitalismo: um sistema injusto”. Existe um sistema melhor? Não tenho conhecimento. Agora se os ricos podem dormir tranquilamente sabendo que 1,2 mil milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia? Claro que podem. Eles tem o direito de serem ricos. Só tenho pena daqueles que não tem direito a serem ricos.
            É muito complicado falar de direito em uma sociedade desigual como a nossa. Eu lembro sempre de uma família hispânica que vivia nos EUA e queriam se alimentar de forma saudável, mas devido ao salário baixo do pai da família, eles eram obrigados a se alimentarem todos os dias em restaurantes fast-food. Onde está o direito dessas pessoas de terem acesso a uma coisa tão básica como alimentação saudável?

  10. Henrique Monteiro disse:
    5 de agosto de 2011 às 17:42

    Se a direita é tão numerosa porque não existem partidos de direita no Brasil?

    Pode checar: atualmente NENHUM partido se declara como sendo direita. Todos sao de esquerda ou centro-esquerda.
    @Teo – Há uma diferença entre se declarar e ser. O PT, por exemplo, se declara como “esquerda”, mas suas posições são bem conservadoras. E o PP não é de direita? O Partido Progressista é o antigo Arena, o partido da Ditadura Militar. O que acontece é que todos os nossos partidos são populistas, se declaram “amiguinhos” da população. Falar que é de direita pega muito mal depois do que passamos com a ditadura. Em política, infelizmente, o que se fala não é o que acontece.

    Responder
  11. Dialuana Larissa disse:
    5 de agosto de 2011 às 18:11

    Amei!!!!! Muito bom! Compartilhei com vários amigos!

    Responder
  12. Henrique Monteiro disse:
    5 de agosto de 2011 às 20:03

    Opa, nao posso concordar com essa do PT ter politica conservadora.
    Bolsa famila, bolsa preso, apoio a Chávez, amizade com Fidel Castro, duplicar a dívida interna e externa em 4 anos, apoiar o MST, isso sao posiçoes conservadoras?
    @Teo – Não confunda populismo com socialismo, são coisas bem diferentes. O nosso apoio aos países socialistas são mínimos se levarmos em consideração a relação comercial liberal que possuímos com países desenvolvidos europeus, onde só aumenta a nossa dívida devido a deterioração dos termos de troca. Temos que ter em mente que conservadorismo e liberalismo, direita e esquerda, são configurações historicamente datadas. Ser conservador é não estar comprometido com mudanças na ordem econômica ou social, mas sim na manutenção da ordem vingente. Essas posições que você enumerou são conservadores porque atuam para “tapar o Sol com a peneira”, não mudando na realidade a estrutura da sociedade.

    É fato que ocorre a imbecilização da população através da escola “burra” e da mídia, mas essas são taticas de esquerda! Veja só o que aconteceu com a educaçao na Russia comunista. Estude as perseguições aos intelectuais dos países invadidos.
    É obvio que um governo desses quer uma população burra e alienada para manipular.
    @Teo – Eu conheço sobre as perseguições a intelectuais. Toda ditadura que se estabelece logo busca assassinar ou expulsar os intelectuais. Só que isso não é privilégio comunista. Aqui no Brasil tivemos um regime anti-comunista, extremamente conservador em vários sentidos, e não deixou de haver inúmeros assassinatos e perseguições. Eu acho que culpar comunistas ou fascistas não dá em nada. Como eu falei no outro comentário, não dá para enxergar os dois como oposições reais. São faces de uma mesma moeda.

    Agora, saindo da discussão política e voltando ao assunto do texto, a minha opinião é que, embora pareça que o ato de pensar livremente seja rebeldia (tendo em vista que a massa em geral é imbecil), nao creio que tenha muito a ver com contracultura, mas algo como retomar a atitude questionadora original da nossa própria cultura ocidental (que veio toda da filosofia grega).

    Isso é tão verdade que a astrologia foi sistematizada na antiga Grécia, assim como toda a magia ocidental (tanto que a “Chave de Salomão” tem origem na Hygromanteia, que é um livro GREGO de magia!).

    Então, ao nos questionarmos sobre a existência do universo e aplicarmos tecnicas do ocultismo ocidental nessa empreitada, estamos, na verdade praticando a cultura ocidental, e não lutando contra ela. É por isso que Agrippa, Trithemius e Basilius Valentinus, todos ocultistas, eram considerados “natural philosophers” (algo como filósofos naturais, que eram uma especie de cientistas não materialistas).

    A massa sempre foi e provavelmente sempre será ignara. Isso não quer dizer que ela representa a cultura (diria até que hoje em dia ela é uma deturpaçao da cultura).
    @Teo – A massa não é necessariamente imbecil. Nossos conceitos são datados, e essa idéia da “ignorância das massas” teve origem com o início do sistema fabril onde o modo de funcionamento da sociedade é associável ao sistema capitalista e à divisão do trabalho, onde peças isoladas são unidas em um produto final, sem que o trabalhador tenha conhecimento de todo o processo. No entanto, isto é um discurso muito elitista que ganha força quando o inchaço urbano se torna problema, incentivando as práticas eugenistas que configuraram o início do século passado. Ignorar a razão nas massas é por vezes desqualificar um discurso como legítimo. Será que eles seriam menos merecedores do que nós de alguma coisa? Eu acredito na educação, para a elite e para as massas, como forma de melhorar a qualidade de vida do país. Se tem dado certo em países do norte da Europa, como Finlândia, Suécia e Islândia, por que não daria aqui?

    Responder
    • wanderson disse:
      19 de setembro de 2011 às 12:13

      Nihil sub sole novi. Não da certo aqui por causa da corrupção, nesse capitalismo selvagem vendem até a mãe por uns trocados.

      Responder
  13. Gary disse:
    5 de agosto de 2011 às 21:33

    Texto muito bom!
    Michel Foucault é um pensador muito interessante, que apesar de ter morrido cedo, escreveu sobre diversos assuntos, como sexualidade e loucura.

    Responder
  14. André Ricardo C. Pereira disse:
    6 de agosto de 2011 às 10:48

    “Um elemento primordial do controle social é desviar a atenção do público dos problemas importantes mediante a liberação excessiva de informações insignificantes. A população passa mais tempo discutindo sobre futebol e vencedores de Reality Show do que economia ou política. O excesso de informação reduz a população à passividade e ao egoísmo, ocultando os fatos um mar de irrelevância.” Igor Teo até compartilhei no Facebook, espero que não se importe… usando o Sistema contra ele mesmo…

    Abraços!!!

    Responder
  15. Original Bat disse:
    6 de agosto de 2011 às 16:25

    A Anarquia é romantizada demais. Os defensores da Anarquia se esquecem de um fato – essa da ‘humanidade ainda não estar preparada” é a mesma desculpa dada pelos comunistas pelo comunismo sempre ter fracassado. Enfim. A humanidade NUNCA estará preparada porque reencarnamos ou existimos em diferentes níveis evolutivos, sempre terá uma desigualdade de talentos, de compreensão e de vivencias e reações. E nem a melhor educação do mundo mudaria isso, pq cada um aprende em seu próprio ritmo.
    Dá certo em países europeus com uma história bem diferente da nossa. Mesmo que mudemos essa história, conviver com diferenças não é simples. Na Europa pobres e ricos são uma população sem grandes diferenças de costumes e hábitos étnicos, culturais, etc.
    Nesse modelo de existencia, o Capitalismo É bem melhor. Porque ele depende dos esforços e da criatividade de cada um. O problema é que o que vem acontecendo desde os anos 70 não é o Capitalismo que formou fortunas nos anos 40-50, que era futurista e dava oportunidades a todos – de dependerem somente de si mesmos. O atual é uma forma de Coletivismo disfarçado com roubo legalizado na forma de impostos e markenting. O Capitalismo real defende os direitos do indivíduo. Sim, existem indivíduos egoístas – mas eles TEM o direito de ser, gostemos ou não, desde que seja com fruto de seus trabalhos – e ter uma idéia e pagar a outros para executá-la TBM é um trabalho legítimo, de propriedade intelectual sem a qual os outros não fariam nada. Os direitos de ninguém podem ser revogados em nome de qualquer maioria ou minoria, pois direitos não são acumulativos – somente os utilitarianistas pensariam o oposto, e eles são contra a Anarquia.
    Esses testes vocacionais são feitos para criar escravos sociais, sim, mas a culpa é muito mais da PSICOLOGIA moderna do que do Capitalismo. Fosse o sistema que fosse a psicologia ainda os aplicaria pelo mesmo motivo, senão sob ordem das empresas, sob ordem do ESTADO, o que é muito pior.
    Não se pode culpar o Capitalismo. E não há problema algum em ser burguês.
    Os grandes feitos da humanidade foram realizados por homens com um ideal visionário e que empenharam esforços para tornar suas visões realidade, gerando empregos e mesmo que fazendo uma grande torta para si mesmos, são obrigados pela própria necessidade a dividir a torta – mas dentro dos esforços de cada um, e não por coitadismo. Os grandes aventureiros, descobridores, construtores, visionários, eram todos capitalistas. Os representantes dos outros sistemas só fizeram bombas, genocídios e gulags. Mas concordo com voce no que diz respeito a subjetividade e questionamento. Só acredito que não seja apenas o capitalismo a ser questionado. Ninguém foge dos EUA para Cuba ou pra China. Um sistema de livre pensamento não é incompatível com o sistema Capitalista, é a raiz do mesmo.
    @Teo – Alguns detalhes eu discordo. O primeiro é quanto ao capitalismo “depende dos esforços e da criatividade de cada um”. O problema é que esforços e criatividade são potencialidades inerentes a todos os seres humanos, mas aqueles que nascem em berços burgueses já começam com uma grande vantagem pois terão educação de qualidade e família com bons contatos facilitando o suposto desenvolvimento de “esforço e criatividade”. É o mesmo que numa corrida de fórmula 1 eu dar o melhor carro para Michael Schumacher e culpar o segundo lugar por falta de capacidade e habilidade. Se a sociedade realmente precisa ser encarada como uma competição, ao menos deveria ser justa.
    Quanto a psicologia, ela só está atendendo a uma demanda. Os psicólogos da engenharia social ganham melhor do que os de outra área. Se o Capitalismo não pode ser culpado pelas injustiças sociais, tampouco os psicólogos podem ser culpados por quererem ser “burgueses”. Também foi feita uma distinção entre os interesses do Estado x empresas que é irreal, uma vez que o Estado moderno está a serviço das grandes empresas.
    Quanto a “demonização” dos representantes de outros sistemas: Capitalistas também construíram bombas e fizeram genocídios. A bomba de Hiroshima foi lançada pelos EUA, um país capitalista. Não dá para considerar um assassinato desnecessário também as guerras movidas por interesse capitalistas como a do Vietnã e a do Iraque? É o que venho repetindo nos comentários: Capitalismo e Socialismo não são oposições reais, mas sim duas faces de um mesmo movimento que é a Era Moderna, ou seja, a manifestação do Espírito da Época.
    Sobre livre-pensamento e capitalismo: em tempos modernos até pensamento virou produto comercial. É o que eu falo no texto quanto às identidades e os estilos de vida já produzidos e vendidos pelos meios de comunicação. A liberdade do consumidor é escolher algo que o sistema já decidiu me oferecer. Como toda curva normal tem sua variação, existem alguns indivíduos que não se enquadram e conseguem criar algo novo. Mas como em falar em liberdade de pensamento quando tem uma globalização que está fazendo um mundo inteiro falar uma só língua?
    Quanto a eu ter questionado o capitalismo, é porque ele é o material que tenho para trabalhar. Se vivessemos em país socialista e eu estivesse vendo desigualdades, eu também criticaria. O socialismo não é melhor ou pior. Tem uma frase muito interessante do saudoso Stanislaw Ponte Preta: “O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O socialismo é o contrário.”

    Responder
    • Original Bat disse:
      6 de agosto de 2011 às 18:12

      É nesse ponto então que nossas discordancias são irreconciliáveis – de que a criatividade e esforços sejam potencialidades inerentes a todos, e que nascer em berço burgues seja uma vantagem injusta. Eu discordo completamente disto.
      Sem querer gabar nada, mas simplesmente atestando um exemplo pessoal -
      Meus pais sempre trabalharam para os outros, nunca tiveram sequer casa própria. Estudei em escola pública no Rio de Janeiro, em uma comunidade pobre, no Lins. No entanto eu era o único que tinha interesse em passar meu horário de intervalo estudando na biblioteca, enquanto os outros queriam jogar futebol simplesmente pq temas variados me interessavam desde sempre. Por vontade própria, eu queria saber como o mundo funciona, os animais, a vida etc e meus pais nem tinham como me responder a isso, então eu ia atrás da resposta. Enquanto eu me interessava por assuntos variados, os outros achavam isso estranho. Eu tinha maior facilidade de ler e escrever e enteder as coisas desde os 4 anos, enquanto os outros nem gostavam de ler. E não tinha nenhum privilégio social sobre eles.
      Quando melhoramos de situação e fui para uma escola particular, o ensino lá não era melhor do que na pública; e alunos de vida social muito mais alta eram tão obtusos quanto os da pública que não tinham interesse em aprender nada.
      É sempre mais fácil jogar a culpa na situação social – mas quando se dá ‘oportunidades iguais’ se deve dar então é EMPREGO, e não situação social igual de bandeja. Pq quando acontece isso, o que se ve é um monte de gente que fica na praia enquanto outros transformam seu mil em milhão e outros perdem tudo que tinham no dia seguinte por incompetencia. Não se trata somente de desigualdade social, nunca se tratou. A coisa É mais profunda que isso. Trata-se de competencia pessoal e autoconhecimento. Quem quer as respostas encontra, independente de onde estudou ou quanto tinha.
      @Teo – É, eu tinha percebido que a gente tava discordando quanto a isso. Só não estou jogando a culpa no sistema como se ele fosse a única causa do sofrimento humano. Entretanto, não podemos também jogar a culpa totalmente sobre os ombros do indivíduo. Até que ponto seus colegas eram realmente relaxados ou, as vezes, simplesmente faltou pais atenciosos que lhes desse uma boa educação? Não posso afirmar sobre sua vida, pois não o conheço, mas as vezes o bom exemplo dos pais favorece o desenvolvimento de alguém em determinada mentalidade. A experiência tem mostrado que é complicado dizer até que ponto existe uma determinação: eu posso dar um mesmo tapa numa pessoa, e ela chora, quando dou em outra, ela revida. Eu e um colega estamos estudando sobre isso com o Projeto Livre-arbítrio. O parece até o momento é que há uma responsabilidade dupla: tanto do sistema quanto do homem. Até porque as linhas mais recentes da psicologia já não trabalham mais com aquela velha dualidade indivíduo x sociedade, mas sim consideram os dois como uma coisa só.

      Responder
      • Original Bat disse:
        6 de agosto de 2011 às 18:19

        Como no caso do exemplo do carro de fórmula um q vc usou – o realmente criativo não espera que lhe deem um carro bom, ele aprimora o carro que tem capitalizando seus recursos da forma que puder. Ele não espera que lhe deem nada, somente a oportunidade de entrar na corrida. Ele não vai se lamentar se Schumacher tem um carro melhor – ele vai pensar como vencer isso.
        É a diferença do pensamento individualista – no bom sentido, do homem que faz a si mesmo apesar das adversidades – e do coletivista que acha que o mundo lhe deve alguma coisa.
        @Teo – Mas te pergunto: isso não depende de educação? A própria mentalidade com que um indivíduo é criado pode interferir em suas escolhas futuras. Os índios eram julgados como preguiçosos porque não tinham a mentalidade de lucro que os europeus naquele período tinham, entretanto, era apenas uma outra cultura, uma outra forma de encarar o mundo. Um coletivista não é necessariamente alguém que acha que o mundo lhe deve algo, tendo o direito de ficar na preguiça, mas alguém que sabe que para receber algo ele deve se doar também. Aí que está o detalhe do coletivismo, em todos contribuírem. Tão utópico quanto o Capitão América.

        Responder
        • Original Bat disse:
          6 de agosto de 2011 às 19:18

          AÍ que entra a coisa : Se os pais não servem de modelo, se procura modelos que sirvam; e a mentalidade não é algo com que vc seja ‘criado’, mas algo que nasce de voce. Minha mentalidade espiritualista é totalmente diferente de meus pais católicos, e não depende de educação somente pois existem pessoas ‘ignorantes’ extremamente criativas e gente culta completamente obtusa. Isso nasce das experiencias pessoais do indivíduo e sua relação CONSIGO mesmo, não com o mundo somente. ESSE é o ponto que tento levantar – não importa o que o mundo joga na pessoa, depende da capacidade pessoal dela, do espírito, de intuir ou não se aquilo lhe serve. Mas como esse é o fator predominante, experiencia empírica, espiritualista e cartáter e espírito pessoal, é inútil discutir a respeito.
          @Teo – Acho que não ficou claro no outro comentário: mas os pais servem de modelo sim! O que eu disse é que isso não é determinante, tem outras variáveis, mas a formação paternal é extremamente importante. O que quero dizer é que não existe um determinismo do tipo causa x consequência, porque há inúmeras variáveis. O próprio fato de pais terem uma crença, dependendo da relação que possuem com os filhos, pode fazer os filhos procurarem outras religiões, ou não. É o que eu digo sobre não existir um determinismo de causa x consequência, mas sim uma complexa rede de fatores. Nenhum homem é uma ilha isolada em si mesmo, ele depende do ambiente até para criar sua própria subjetividade. Mas a subjetividade permite que eu tenha essa opinião e você outra. Muito melhor que a homogeneidade que vem a ser a crítica deste texto.

          Responder
          • Daniel Capelo disse:
            9 de agosto de 2011 às 20:12

            Li a discussão de vcs e me senti tentado a comentar: tendo a concordar com o Original Bat. Já tive discussões bem semmelhantes à apresentada e fico curioso / confuso com o fato de, dificilmente, a análise de casos como o discutido terem uma abordagem mais holística.

            Creio sinceramente que aspectos dos Seres como a evolução através das reencarnações e as leis referentes às afinidades e habilidades que cada espírito desenvolve poderiam ser levados em conta em tal tipo de discussão.

            Penso que, independentemente das circunstâncias nas quais o indivíduo venha a encarnar, há, antes disso, um número considerável de variáveis que farão uma enorme diferença no seu desenvolvimento como ser encarnado – e consequentemente como um cidadão dentro de um determinado tipo de sociedade.

            Um exemplo disso seria o próprio caso apresentado acima de uma criança que nasce em um ambiente “x” sem a infra-estrutra supostamente necessária para o seu crescimento – nesse caso, focando exclusivamente o que se refere à parte intelectual – e, ainda assim, busca meios para eliminar tais entraves ao seu avanço. Enquanto, em outro caso, um outro indivíduo nascido em um ambiente “y” com todos os recursos possíveis para o seu desenvolvimento intelectual, tende a buscar a evolução dos aspectos materiais do seu Ser através do sexo ou do esporte.

            Tomando como base os princípios espiritualistas, e se considerarmos a possibilidade de um indivíduo, como o do primeiro exemplo citado, na verdade, tivesse “atraido” para sua atual existência um ambiente sem as condições favoráveis por conta de uma mentalidade que via a “riqueza” como algo indigno e, pelo fato de ter uma certa simpátia / afinidade com os estudos teóricos, tivesse, então, aos poucos, superado aquele aspecto e desenvolvendo este com o uso de sua Vontade?

            Será que há realmente um juízo de valores universal no qual o sujeito que “não evolui” de acordo com os mesmos parâmetros da maioria da sociedade estaria “em erro”? Lembro de ter lido aqui mesmo neste site um relato de uma comunicação feita com uma entidade que disse ter “alcançado a iluminação” numa última encarnação em que este havia atuado como bandeirante aqui no Brasil (!)

            Não sei se fui inteiramente claro em minhas conjecturas. O que tenho interesse em questionar é a abordagem exclusivamente baseada sob o ponto de vista do plano material (sietmas políticos, ramos da Ciência) sem considerar outros fatores que, segundo este próprio site, exercem direta influência na vida de todos os seres encarnados do planeta.

  16. V disse:
    6 de agosto de 2011 às 18:08

    V for Vendetta? Um filme sensacional que nos rende muita inspiração e reflexão.
    Abraço!

    Responder
    • Deluan disse:
      6 de agosto de 2011 às 23:05

      Isso que você não leu o quadrinho (imagino), porque esse sim é sensacional, inspirador e faz refletir (como é típico da magia “alan mooreana”, como em promethea, ou monstro do pântano, ou lost girls), o filme eu achei meio “social-democrata” demais.
      @Teo – É verdade, o filme sofreu algumas alterações para se tornar mais comercial. Mas Alan Moore em si é sensacional.

      Responder
  17. Bernardo disse:
    6 de agosto de 2011 às 23:50

    Geoge Orwell simplesmente previu o futuro observando sua própria sociedade. Só errou em um pequeno detalhe, a forma de controle não é mais a força (na maioria dos casos não), mas o brilhante teletubo. Sensacionalmente útil e inútil, ele consegue informar e desinformar ao mesmo tempo. Metade dos brasileiros nem deve fazer idéia que a guerra na Líbia ainda acontece, que Kaddafi ainda mata rebeldes e destrói vidas para ficar na presidência.
    Acho que o mais impressionante em 1984 é a precisão com que ele descreve o futuro, com identidades prontas, big brothers e amor ao líder que nos salvou de um terrível futuro apocalíptico.
    O pior de tudo é que eu mesmo não vejo outra saída senão sair da própria sociedade… Eu quero muito ajudar todos a verem o quanto são controlados, não pela Globo ou Illuminati, mas por simplesmente TUDO que veem e ouvem, mas a baixa intelectualidade da maioria iria simplesmente afogar qualquer tentativa de tirá-los de lá. Acho que nesse ponto O Mundo De Sofia deu uma boa descrição do que é estar na base, perto da pele do coelho, e estar na ponta de seus pêlos.
    E sei que se tentasse, seria chamado de maluco, e que eles todos são tão livres quanto querem, e isso não poderei negar a ninguém.
    É o que mais me entristece…

    Responder
  18. Ana disse:
    10 de agosto de 2011 às 13:30

    Seu texto está ótimo, mas tenho uma observação. “Um exemplo simples é o teste vocacional, que age a serviço de uma engenharia social, dizendo o que é melhor para cada indivíduo, quando isso deveria ser decidido por ele mesmo.” – Sei de como os “testes” em psicologia (e psiquiatria) são questionados – e com razão.
    Só que você peca ao dizer “quando isso deveria ser decidido por ele mesmo”. Um teste vocacional deve ser encarado como uma ajuda para o individuo enxergar melhor suas aptidões, não como a palavra suprema sobre o destino deste indivíduo.
    O problema é que muitas pessoas querem um milagre, que um simples teste apareça e diga à elas o que fazer e assim nunca terem que pensar sobre suas escolhas.

    Responder
    • Mag disse:
      11 de agosto de 2011 às 9:14

      Eu acho que o autor nesse caso está fazendo uma crítica ao meio como o teste vocacional é imposto.
      Tenho algumas questões referentes a isso:
      - o método utilizado no teste vocacional é válido?
      - um sistema pode realmente medir suas capacidades?
      Tudo isso se resumiria em “o nosso mundo subjetivo poderia ser calculado assim como uma régua mede uma distância?”

      Responder
  19. Original Bat disse:
    10 de agosto de 2011 às 18:42

    Só um adendo, meio fora do assunto do texto, mas ligado a outro post – O Pato Donald Nazista.
    O desenho não é uma forma de uma elite lançar sua ideologia sobre as frágeis e inocentes mentes infantis.
    O desenho é uma crítica ao nazismo, e não foi feito para crianças. Na época do lançamento dos desenhos animados da segunda guerra, eles eram passados nos cinemas, para os SOLDADOS AMERICANOS ou para público adulto em geral. Desenhos animados só passaram a ser infantis durante os anos 50.
    No desenho, Donald tem que lidar com horários absurdos de trabalho, pouca alimentação, e ter que saudar o fuhrer toda vez que ve sua foto. A animação faz ridículo dos soldados nazistas. No final, ele descobre que é tudo um sonho e saúda a Estátua da Liberdade.
    O Pato Donald foi símbolo da Força Aérea Americana e era estampado em todas as aeronaves, da L-4 Grasshopper até a B-29 Superfortress. Apesar do desenho ser mostrado somente para adultos, se fosse mostrado para crianças não seria um “controle mental da elite”. É correto mostrar para as crianças PQ seu país está em guerra contra outro, e criar uma consciencia de orgulho nacional nelas e consciencia de ajuda – como comprar selos e poupar papel e metal.
    Os desenhos disney foram proibidos de serem importados em toda Europa Ocupada pelo Eixo.

    Responder
    • Gary disse:
      11 de agosto de 2011 às 10:50

      Eu acho que o título “Pato Donald Nazista” foi irônico, pois o vídeo deixa claro que é uma crítica ao nazismo.

      Responder
      • Original Bat disse:
        11 de agosto de 2011 às 15:24

        O vídeo sim, mas a forma como foi comentado não, dá uma idéia negativa do uso do vídeo comparando com a forma q a mídia é usada hoje.

        Responder
        • Gary disse:
          12 de agosto de 2011 às 8:37

          Aí já é questão de interpretação de cada um…

          Responder
  20. Mag disse:
    12 de agosto de 2011 às 10:30

    Lendo os comentários, fiquei tentada a participar também.
    Se o sistema é injusto, não adianta tentar justificá-lo, mas mudá-lo.
    Jogar a culpa nas pessoas é um discusso neoliberal infame. Chega a parecer sádico cobrar de uma pessoa que vem sofrendo por mais esforço.
    Existem crianças que nascem na sarjeta, sem nenhuma perspectiva de melhorar sua condição. Aqueles que reclamam do ensino público, por pior que possa ser, ainda é um estudo, melhor que nada.
    Não podemos excluir as pessoas porque julgamos que elas são “menos capazes” do que nós, nem repetir um discurso que é de uma determinada época como se fosse uma verdade transcendental.

    Responder
  21. marcel disse:
    13 de agosto de 2011 às 20:16

    “Nem sempre, depende da escola. A keynesiana, por exemplo, se opõe a idéia de um capitalismo sem intervenção do estado.”

    keynesianismo está mais para socialismo que para capitalismo. se há intervenção na economia, há restrição sobre a propriedade privada, e o respeito à propriedade privada é um dos pilares do capitalismo.

    Responder
    • Gary disse:
      16 de agosto de 2011 às 9:48

      “se há intervenção na economia, há restrição sobre a propriedade privada” Não necessariamente…
      Eu vejo o keynesianismo como uma forma diferente de capitalismo, pois se fundamenta em muitos outros aspectos comuns.
      Atribuir uma característica imaginária a um capitalismo utópico, e chamar apenas as vertentes que tentam seguir ela de forma ortodoxa como verdadeiras, é na minha opinião uma falácia do escocês.
      É como dize que mulçumano (ou cristão) de verdade não mata ninguém.

      Responder
      • marcel disse:
        18 de agosto de 2011 às 14:49

        okey, mas saindo das questões de nomenclatura, a grande maioria dos problemas sociais que as pessoas falam que são “culpa do capitalismo”, são culpa do keynesianismo, e não do liberalismo. no entanto, essas mesmas pessoas acreditam que o problema é o liberalismo, e defendem como cura o keynesianismo. esse é o ponto.

        Responder
        • Tzaddi disse:
          7 de setembro de 2011 às 21:50

          Visões políticas de esquerda ou direita são de pouca importância. São meras maneiras pelas quais os poderosos racionalizam o que estão fazendo.
          A ninguém, independente de sua ideologia, deve ser confiado poder em excesso.

          Responder
  22. Luiz Otávio disse:
    17 de agosto de 2011 às 10:47

    Excelente texto!
    O autor demonstra uma opinião muito interessante sobre dominação, sem cair naquela palhaçada de defender um sistema político em detrimento de outro, por exemplo. Como se toda atitude prejudicial causada por um ser humano fosse culpa exclusiva do sistema em que ele participa. Parabéns!
    Gostaria de proveitar o espaço pra perguntar do que se trata a Engenharia Social no campo da Psicologia, pois, há anos pesquiso – quando sobra tempo – para entender e não acho nada satisfatório. Só encontro o termo atrelado a Segurança da Informação, onde seria um conjunto de métodos para ganhar a confiança do usuário de PC e roubar a senha do banco.
    Tenho uma impressão de que seriam métodos de indução que leve alguém a realizar ações de que deseje. Existe bibliografia, que trate mesmo que indiretamente do tema?!
    @Teo – Agradeço pelo comentário. Você compreendeu bem a intenção do texto. O significado do termo engenharia social no sentido que utilizo se refere a iniciativas de controle da população e seus comportamentos, tanto pelo governo ou por grupos privados. A psicologia tem atuado muito nesta área depois do funcionalismo norte-americano do início do século passado. De fato, todas as leis e políticas tem o efeito de mudar o comportamento e podem ser consideradas “engenharia social” até certo ponto. Para leitura, em inglês eu indico “Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media” do excelente pesquisador Noam Chomsky. Em português eu desconheço uma bibliografia específica sobre o assunto. Você pode encontrar também nas obras traduzidas de Foucault pelo nome de “biopoder”.

    Responder
    • Luiz Otávio disse:
      24 de agosto de 2011 às 11:14

      Obrigado pela luz! Estou procurando os títulos que você sugeriu.
      O uso de leis, como mencionado, para modelar comportamentos é um ponto de vista curioso, sempre entendi, que seriam junto com a mídia de massa e bibliotecas sem livros por exemplo, um modo de INIBIR as pessoas de pensarem por si mesmas e portanto deixarem de agir de forma a transformar suas realidades. Fato que não deixa de ser uma estratégia para determinar comportamentos e não somente coação.

      Responder
  23. Beth disse:
    25 de agosto de 2011 às 15:19

    A solução para o mundo não é acabar com a diferença, mas sim com a desigualdade.

    Responder
  24. John disse:
    18 de setembro de 2011 às 22:11

    1% da população sozinha é mais rica que todos os 99% restantes. E por que esses 99% não mudam isso? Porque acreditam que com esforço podem chegar lá nos 1%. Pura ilusão.

    Responder
  25. Copta disse:
    9 de outubro de 2011 às 3:54

    O principal objetivo da Ordo Illuminatorum (Infame Ordem dos Iluminados da Baviera) era controlar a população e na fase final da implantação da Nova Ordem, escravizar o mundo.
    Sugiro que procurem saber a respeito da proposta de controle e escravidão global defendida por Adam Weishaupt, o mentor da Nova Civilização ou como preferem alguns, a Novus Ordo Seclorum.
    Weishaupt exigiu a estrega do mundo aos banqueiros, financistas, especuladores e mega-empresários “iluminados” (isso é centralização) para que esses possam controlar e reduzir a população do mundo. Isso não é teoria de conspiração, é a proposta de Weishaupt be como de seus lacaios Rotschilds e Rockfellers (as famílias iluminadas).
    Fico surpreso que pessoas como vocês, que defendem a Nova Ordem da elite global, agora estão vindo com essa história de que racionamento da liberdade é algo ruim.

    Responder
  26. Celino disse:
    15 de novembro de 2011 às 4:44

    Quantas Replies! Não pude ler todas…

    Sobre essa forma de controle, acredito que ela está evoluindo e se adaptando ao ser humano, que hoje dificilmente aceita o autoritarismo.

    Não consigo imaginar uma anarquia no momento, por mais que seja para o bem do povo, ele não está preparado no momento.

    Há muito interesse em reduzir a intelectualidade do povo. Em contrapartida, tem muita gente que não quer ser intelectual e culpa o governo por seus problemas.

    Acredito que pode-se ser positivo e realista ao mesmo tempo, falando que o povo se libertará gradualmente, conforme a humanidade evolui.

    Resistência ao poder é inutil, devemos apenas torná-lo sem sentido.

    Responder

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