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A Pedra Esmeraldina de Lúcifer

Adriano Camargo | 12 de agosto de 2011


Por Adriano Camargo.

Para que o novo possa nascer, cresce e evoluir, para que algo possa ser gerado e criado, processos destrutivos, porém necessários, devem ocorrer.

Foi o que aconteceu com a esmeralda de Lúcifer. A pedra da testa de Lúcifer não caiu, exatamente, mas foi dividida e partilhada para que o conhecimento, o entendimento e a sabedoria se manifestassem na Terra, juntamente coma “fatal” materialização da espécie humana. A parte que ficou na testa de Lúcifer representa o aspecto mais elevado do indivíduo iniciado; a parte da pedra na qual foi esculpida a taça luciferiana representa o aspecto anímico, astral/emocional; a última parte serviu para talhar a Tábua de Esmeralda, segundo o mito hermético, mas representa o aspecto astrofísico do indivíduo, assim como a manifestação do conhecimento na Terra, no plano material.
A taça, que é a “pedra verde manchada de sangue”, a Pedra Filosofal, refere-se ao receptáculo do sangue da serpente (Sophia) e do dragão (Lúcifer, Daemon), ou Pimandro (Pymander, Poimandres), o Dragão de Sabedoria e de Luz que se manifesta sobre as trevas essenciais e necessárias do macro/micro universo. O sangue representa a linhagem da iniciação luciferiana, ou seja, a encarnação de indivíduos que foram “gestados” em seus receptáculos (taças) genéticos no plano astral (a taça, o útero universal, o Feminino). Essas gerações, por seu caráter lux-venusiano, têm o ímpeto, o impulso e a inquietude interior que as levam a buscar a sabedoria avidamente quando encarnadas na Terra. O sangue da serpente também representa a lava qliphótica, ou seja, o sangue menstrual da mulher que “encarna” Sophia-Vênus no rito sexual, ou Hieros Gamos (Casamento Sagrado). Esse
sangue representa ainda as regiões qliphóticas (sombrias e “daemoníacas”) do universo e os planos interiores subconscientes do indivíduo. Alquimicamente, o sangue do dragão representa o ácido nítrico que corrói a matéria, quer dizer, destrói a ilusão desses mundos das qliphoth (ativando o olho de Lúcifer, o brilho da esmeralda de sua testa). O sangue é também a fase rubedo, o último estágio do processo alquímico (interior).
Pimandro-Lúcifer também se manifesta de maneira logoica (pela Palavra e pela Lucidez de sua sabedoria sobre o fundo negro das Trevas) na Tábua de Esmeralda.
Essa tábua também representa a Terra sob os auspícios de Vênus (Sophia, Shekinah, Shakti, Sekht), ou seja, a
Sabedoria manifestada e disponível para aqueles que a buscam ardentemente. Sob o aspecto iniciático, Lúcifer e
Vênus representam o ideal unificado do macho e fêmea no indivíduo como um ser espiritual autoconsciente, sábio
e completo, realizando os princípios herméticos da polaridade e do gênero. Tal indivíduo torna-se então o
“ungido” pelo sangue derramado da taça esmeraldina. Isso significa que aquele que desperta o Dragão-Serpente
se torna um verdadeiro iniciado de consciência expandida; torna-se Ophis-Christos, Nachash-Messiah, ou, em outras palavras, o próprio “dragão-serpente ungido” (do grego/hebraico “ophis/nachash” = “serpente”, e “christos/messiah” = “ungido”), não tendo isso nada a ver com o famoso Jesus pop show muito em voga atualmente. Cabalisticamente, as palavras “nachash” e “messiah” têm o mesmo valor numérico de 358, assim identificando-se mutuamente como pares essenciais e necessários à autocriação, evolução e expansão da consciência. O número 358, curiosamente, também constitui em parte a sequência de Fibonacci, presente na natureza, no corpo humano, na arte, na literatura, na música, na geometria sagrada, em figuras geométricas, em símbolos como o pentagrama (“cinco linhas”, em grego), etc.
Os termos gnósticos equivalentes a Nachash-Messiah são Ophis-Christos, como mencionado, e Sophia-Christos, sendo a palavra “sophia” (“sabedoria”) um anagrama da palavra “ophis” (“serpente”). Em ambas as palavras a letra grega phi (Φ) é central, sendo seu valor também extraído da sequência de Fibonacci, identificando assim a Sabedoria com a Serpente. Phi é também um símbolo da Filosofia e da união do phallus com a kteis (pênis e vagina). Além disso, a letra phi expressa crescimento e evolução onde quer que esteja presente, e na palavra “filosofia” sua presença indica a união amorosa entre Sophia e Pimandro (a mulher e o homem no ritual, no cerimonial mágico, no casamento alquímico, na união sagrada, etc.) que conduz à iniciação, ao crescimento e à
evolução interior que torna possível a conquista da Sabedoria, a consecução da autoconsciência e a autorrealização.

Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, membro de diversas Ordens e autor da Tetralogia Draconiana: http://www.viadraconiana.tk

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LHP
Tags
Luciferianismo
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17 Responses to “A Pedra Esmeraldina de Lúcifer”

  1. D. S. Chaos disse:
    12 de agosto de 2011 às 12:22

    I’m so happy that Google translate exists. I would have missed an awesome article without it. Thanks for the insight =D

    @MDD – You´re welcome.

    Responder
  2. Eduardo Hernacki disse:
    12 de agosto de 2011 às 13:03

    Na minha opinião os textos do Adriano são sem contexto, ele apenas joga a informação ali e acabou. Eu li tudo e não entendi onde ele quis chegar com o texto.

    Para mim a leitura foi em vão.

    Responder
    • Varlei disse:
      12 de agosto de 2011 às 16:55

      Não fique triste… leia de novo, de novo, de novo… até que compreenda!
      Acompanho o Adriano a algum tempo e já comprei dois livros seu: Cabala Draconiana e Sistemagia. (Recomendo!). Logo terei os outros
      Quanto mais você ler mais você compreenderá…
      O Adriano é um dos caras que mais sabem de assuntos Ocultistas e tiro o chapéu para o cara!

      Paz Profunda!

      Responder
      • Eduardo Hernacki disse:
        12 de agosto de 2011 às 19:06

        De forma alguma fiquei confuso com o que ele escreveu, aliás tenho o Sistemagia também.

        Apenas não ficou claro para mim o objetivo do texto ;)

        Att

        Responder
  3. Osvaldo Vicente disse:
    12 de agosto de 2011 às 13:24

    Parabéns pelo texto… Muito bom ter alguém por aqui que explane de tal forma a simbólica e a raiz da Tradição… Se todos procurassem conhecer o que “temem” veriam o real sentido por trás de muita coisa hoje vista com preconceito… Toda superstição é na realidade uma verdade distorcida (e séculos e séculos de “telefone sem fio” deixou seus estragos, claro)…

    Responder
  4. Vinícius Pedro disse:
    12 de agosto de 2011 às 13:47

    o pouco que entedi eu curti rs

    me lembro que o mesmo autor escreveu sobre o chacra negro Sunya no post sobre a banda therion, nunca havia ouvido falar antes sobre chacras negros. na nossa lingua então práticamente não existem matérias na internet a respeito.

    sempre fico curioso com os posts do adriano camargo.

    Responder
    • Rodrigo disse:
      12 de agosto de 2011 às 17:00

      Compartilho da mesma opinião. Sempre fico pensando qual será o proximo post e o que se tem a dizer sobre tal vertente da Magia. Muito bom =) Só preciso conseguir um dinheirinho pra comprar os livros rsrsrs…

      Responder
      • Eduardo Hernacki disse:
        13 de agosto de 2011 às 11:45

        Segue link de uma editora que trabalha exclusivamente com LHP:

        http://www.cophnia.com.br/

        Responder
  5. Vitor Cesar disse:
    12 de agosto de 2011 às 16:32

    Muito bem. Sexo, serpente… Esperando um post para o Arcano AZF.
    Abraço.

    Responder
  6. Shlomo disse:
    12 de agosto de 2011 às 16:37

    Ah, tantos símbolos familiares e ao mesmo tempo tão estranhos…

    Nachash, símbolo do mês de Cheshvan, ligado ao mazal de akrav/escorpião. Akrav, da raiz “ekev”, “calcanhar”. O escorpião que matou Orion mordendo-o no calcanhar. Escorpião também que, quando se desenham as constelações, está sendo esmagado pelo pé de Ofiúco/Serpentário. Em Gênese, “Dan será como a serpente (ha nachash) no caminho, que morde os calcanhares dos cavalos e faz o cavaleiro cair para trás”.

    O mês de Cheshvan é, segundo a tradição judaica, o único mês em que não há festas. Durante o Êxodo, Moisés, apesar proibir idolatria, carregava a “coisa de bronze” (!) um cajado com cabeça de cobra.

    Responder
  7. Ricardo disse:
    12 de agosto de 2011 às 18:20

    Adriano, Lúcifer corresponde a Binah, correto?

    Responder
  8. Flávio disse:
    12 de agosto de 2011 às 19:46

    Iluminante (qualquer definição que tenha essa palavra),
    Quando li o texto pela primeira vez fiquei em:” Now Loading”(talvez graças ao meu preconceito de ex-crente) e fiz um leve “pff.. Bullshit”, mas com força de vontade resolvi ler novamente, e, o que assimilei (mesmo que em maior parte inconscientemente), é algo que me fez sorrir atoa.
    Obrigado pelo texto.

    Responder
  9. batta reis disse:
    12 de agosto de 2011 às 20:05

    Olá Adriano, parabéns pelo texto.

    O que vc tem a dizer sobre o sítio infra.

    wwwxxxxxxxxxxx

    @MDD – fuja para as montanhas e fique bem longe…

    Responder
  10. Luis Henrique disse:
    14 de agosto de 2011 às 14:03

    Muito Obrigado pelo Texto.
    Muito explicativo.

    Responder
  11. Lu ;-) disse:
    14 de agosto de 2011 às 17:45

    Adriano (c/ “cópia oculta” para o MDD…rs);

    parabéns pelo artigo! Tudo que você escreve é muito instigante, e funciona como um ponto de partida para reflexão, pesquisa e mudança de paradigmas. A leitura de seus artigos, não somente aqui, mas também nos outros sites no qual vc escreve, fez com que eu me convencesse definitivamente que não dá para “conhecer ” (e entender….) a Luz sem passar pelas Sombras. E que o negócio é estudar, estudar, estudar….

    Gostaria, se fosse possível, que vc tecesse algumas breves considerações sobre a imagem que figura na capa de seu livro “Cabala Draconiana”. Acho uma imagem bastante forte, enigmática e cheia de siginificados. Gostaria de ouvir o que vc diz, sobre ela… Sei que o simbolismo contido na gravura deve ter muitos elementos e interpretações, mas me contento com uma explicação “mais simplificada”, mesmo….rs

    Paz e Luz;

    Lu ;-)

    Responder
  12. Herculano disse:
    14 de agosto de 2011 às 18:49

    Otimo texto! é dificil encontrar bons materiais sobre LHP ou assuntos relacionados, e o Adriano Camargo é sempre uma fonte confiavel.

    Responder
  13. Bruno Mais disse:
    15 de agosto de 2011 às 15:35

    Sofisticação filosófica máxima!

    Responder

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