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As Montanhas Sagradas do Japão

Aoi Kuwan | 18 de agosto de 2011



Em várias culturas as montanhas são objetos de adoração e de reverência. No Oriente em geral, e especialmente no Japão, elas são consideradas entradas para o Outro Mundo.

Misteriosas e imponentes, cujos cumes perfuram as nuvens e tocam os céus, as montanhas marcam a fronteira deste muito com o outro. Antes de chegarmos no Japão, nossa viagem começa na China, onde há nove montanhas sagradas, cinco montanhas taoístas e quatro montanhas budistas, as quais são locais de perigrinação.


Segundo a crença Taoísta, as montanhas são um canal, um meio intermediário de comunicação com os Imortais e com os poderes primitivos da Terra. Aqui, vale lembrar que o primeiro relato do Kuji In, uma das Técnicas do Kuji, é de um texto taoísta, o Neipian. Neste texto, os antigos sacerdotes taoístas, antes de subir uma montanha, executavam o Kuji In para afastar os maus espíritos.

Além disso, as montanhas da China são consideradas poderosos lugares de energia telúrica, onde corre o fluxo energético chamado de “Corrente do Dragão”, que atravessa a própria Terra e que são medidos pelo Feng Shui. No ocidente, esses fluxos são mais conhecidos como “Linhas de Ley”.

As crenças chinesas viajaram para o Japão com os monges e sacerdotes, vindo a se estabelecer através do Onmyoudou, de forte tradição Taoísta; do Shugendou, praticado pelos monges ascetas yamabushis; e das escolas do Budismo Esotérico Japonês (Shingon e Tendai), particularmente o Shingon, infiltrando-se posteriormente no xintoísmo.

A Escola Tendai foi fundada e estabelecida aos pés do Monte Hiei, e a Escola Shingon, aos pés do Monte Koya. Dentre elas, a Escola Shingon enfatizou mais o fato de que as montanhas eram o lugar ideal para as práticas religiosas e para a ascenção ao estado búdico. Durante o período Heian, disseminaram-se os templos budistas no Japão nas encostas das montanhas, e as perigrinações a estes locais tornaram-se mais frequentes.

Simultaneamente, no Japão, também co-existiam as práticas xamânicas do povo Ainu, um povo indígena japonês que veio do continente e que se estabeleceu em Hokkaido, povo este pouco conhecido por estas bandas ocidentais. Esse povo também reverenciava as montanhas, bem como toda a natureza.

Assim, a maioria das montanhas do Japão adquiriu um caráter sagrado, e são consideradas moradas dos kamis e de outras deidades, locais de fortes poderes espirituais, portais que fazem a ponte entre este mundo e o Outro, locais propócios para váras práticas meditativas, incluindo aquelas necessárias para transcender a consciência e realizar projeções astrais.

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8 Responses to “As Montanhas Sagradas do Japão”

  1. raph disse:
    18 de agosto de 2011 às 13:22

    A minha imagem de Deus é a vista sobre a serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais. Até mais do que uma imagem do universo… É claro que Deus está em toda parte (minha concepção de Deus se aproxima muito da de Espinosa), mas quando estou ali parado, no topo de uma montanha mineira, percebendo o vento a passar e a escorar pelo ombro, me parece que ele se faz mais presente…

    Responder
    • Tiago Mazzon disse:
      19 de agosto de 2011 às 11:29

      Também sempre gostei demais de sentir o vento em vistas panorâmicas (do topo de altos montes ou de altas árvores). O chacoalhar das folhas traz uma paz e uma presença… assim como você, eu também sinto essa Energia mais forte e mais próxima. Não sei explicar ao certo.

      Responder
  2. TiagoMazzon disse:
    18 de agosto de 2011 às 14:27

    Moisés, o Monte Sinai, a “Voz retumbante no Topo da Montanha”, o arbusto flamejante, as Tábuas da Lei… tudo isso me veio à mente agora.

    Muitas semelhanças pra simplesmente encarar como coincidencia. Há algo “mais” aí esperando para ser desvendado.

    Responder
    • Pedro disse:
      18 de agosto de 2011 às 23:22

      Tiago tu foste mais rapido que eu ao citar a comparação com o Monte Sinai.

      Vai mais passagens biblicas então, tratando da mesma questão (e há ínumeras mais):

      “E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles;” Marcos 9:2

      “E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo;” 2 Pedro 1:18

      “Então Josué edificou um altar ao SENHOR Deus de Israel, no monte Ebal.” Josué 8:30

      Ótimo texto, é impressionante ver as diversar “semelhanças” entre as culturas ao redor de todo o GLOBO.

      … e claro que há mais que coincidencias, uma viagem a 11.500 anos atras aos nossos amigos atlantes esclarece muita coisa :)

      Responder
  3. Emerson disse:
    18 de agosto de 2011 às 18:10

    São obras-primas da natureza que parecem (ou foram) construídos para a elevação do Espírito :D

    Como diria uma música que gosto muito: “Can you hear the Holy Mountains?”

    Responder
  4. Gustavo N Rocha Dias disse:
    18 de agosto de 2011 às 19:17

    Seria como se as montanha fossem um canal entre os homens e Gaia(a mãe terra)? Algo como os gregos acreditavam que as montanhas fossem filhos da terra e fonte de poder(tanto que uma delas, a mais conhecida, ficou como morada dos deuses)?

    Enfim, muito legal, continua com esses textos marailhosos.

    @Aoi Kuwan – Sim. Elas são canais entre os homens, a Terra e o Céu. Obrigada pelas palavras.

    Responder
  5. Leonardo disse:
    19 de agosto de 2011 às 12:39

    Consta também que Mikao Usui redescobriu a energia Reiki no monte Kurama, no Japão, após jejuar e meditar por 21 dias.

    Responder
  6. Vinícius Pedro disse:
    19 de agosto de 2011 às 13:47

    nunca parei para pensar a respeito. aparenta ser um símbolo óbvio da terra alcançando os céus.

    Responder

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