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As Correntes do Budismo

Aoi Kuwan | 18 de setembro de 2011

 

Enquanto viveu Siddhartha Gautama (o Buda Sakyamuni), sua doutrina era oralmente transmitida. Com a sua morte, foi preciso reunir na cidade de Rajagriha o primeiro concílio budista. Este teve o fim de fixar em língua Pali os fundamentos da sabedoria do Senhor Buda. Assim, foram compostos os Tripitaka (Coleção de Três Livros). No primeiro ficaram reunidos os sermões de Sakyamuni. No segundo, as regras disciplinares da comunidade de monges. E no último, uma coletânea de comentários adicionais.

 Cem anos mais tarde, idéias reformistas reuniram em Vesali o segundo concílio budista. A partir daí ficou o Budismo dividido em duas grandes correntes:

 A corrente ortodoxa Theravada (Escola dos Antigos) caracteriza-se por seguir literalmente aos Tripitaka e por acreditar que a Iluminação Budista é somente alcançada mediante a observância dos preceitos monásticos. Daí vir ser conhecida como a corrente Hinayana (Pequeno Veículo) do Budismo.

 A segunda corrente, a reformadora, diz que todos os seres originalmente possuem a Semente da Iluminação Budista, estando esta ao alcance de todos, mesmo os sem compromisso monástico. Portanto, é a corrente Mahayana (Grande Veículo) do Budismo.

 O ideal Theravada é o Arhat, Homem Pleno de Sabedoria, cuja existência não pode ser contaminada pelas atividades mundanas sob o risco de ficarem atados ao ciclo dos nascimentos e mortes (Samsara).

No Mahayana, o esforço individualista na conquista no Nirvana (Iluminação Búdica) cede lugar à compaixão do Bodhisattva (aquele que renuncia à sua iluminação para que possa orientar os seres à compreensão do Caminho de Buda).

A corrente Theravada difundiu-se para o Ceilão, Birmânia, Camboja, Vietnã, Indonésia e Tailândia. O Mahayana multiplicou-se em inúmeras escolas surgidas da miscigenação com diversas seitas da Índia. Ramificou-se para o Tibet, China, Coréia e Japão.

 Adaptado de Shingon Shu – Budismo Esotérico

—————–

Aoi Kuwan é autora do blog Magia Oriental, dedicado à divulgação das tradições e sistemas de magias orientais, especialmente aqueles ligados ao Japão.

Outros posts interessantes no blog Magia Oriental: 

Conto Zen: O Nascimento de Buda
Breve História do Budismo
A Escola Shingon
Nyorai, Bosatsu e Myo-o

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5 Responses to “As Correntes do Budismo”

  1. eduardo oliveira rocha disse:
    19 de setembro de 2011 às 9:42

    eu ainda destacaria a visão particular do budismo de OSHO, que possui forte influencia do zen budismo… nao querendo entrar na discussao a respeito da sua conduta, mas ele acreditava que o princípio de tudo era a meditação. Ao obter um estado de conciencia superior, o amor e a compaixão por todos os seres viriam naturalmente… é diferente da visão do budismo tibetano do dalai lama, para uqem , para atingir a ilumição era necessário seguir uma certa disciplina, e ter compaixão por todos os seres primeiro (que ele chama de bodisavata, or something)

    sua pratica se baseava no fato de reservar um tempo ( que ele aconselha seja de 1 hora) para meditar, a pessoa deve realziar suas tarefas do dia dia com total conciencia. O legal dele era que ele fala de uma maneira bastante informal para a pessoa, sem linguagem doutrinaria. Sem falar que a pratica dele se resume apenas a meditação, retirando dela o esforço de se comprender racionalmente a doutrina budista, por exemplo, “das sete tentações alguma coisa” ou “nove caminhos de nao sei oq”, etc. Era utilizar o minimo do que ele chamava de mente, e usar ao maximo oq ele chama de conciencia.

    Ele ainda fazia uma interpretaçao do bagavad gita, do sufismo e do cristianismo de acordo com a doutrina zen budista, como se no fundo todas as religioes q buscassem atingir a iluminação.

    espero que nos proximos posts a coluna se aprofunde mais nessas correntes budistas ( se for o objetivo dela)…. sayonara (or someting)

    Responder
  2. flasHQ disse:
    19 de setembro de 2011 às 13:56

    Gosto muito de determinadas passagens budistas porque elas são bem simples e claras, acredito que a visão budista nos impulsiona para uma evolução espiritual que só acrescenta seja lá qual for a sua crença, embora a maioria dos meus “companheiros” espiritas descordem, acho extremamente alinhada a visão budista com o cristianismo interpretado no Kardecismo e a visão reencarnacionista abordada por nós, o problema é quando as pessoas se dizem espiritas mas estão mais para católicas, não querendo criticar os católicos, mas sim as pessoas que não compreendem aquilo que estudam, se bem que posso eu estar fazendo o mesmo ao querer ver semelhanças que para mim parecem obvias, podem ser obvias só em minha mente.

    De qualquer forma, se a verdade nos liberta, quero conhecer de tudo (até onde eu consiga dentro de minhas limitações) e tirar minhas próprias conclusões, e até hoje do polco que sei, o Budismo e o Espiritismo só se complementaram e jamais se repeliram em essência.

    Responder
  3. luiz martins disse:
    20 de setembro de 2011 às 11:20

    É razoável comparar a visão Mahayana com o martinismo e a ideia do homem regenerado?

    Responder
  4. Mauricio disse:
    21 de setembro de 2011 às 15:18

    Estou lendo um livro chamado : Sócrates, Jesus e Buda … Três mestres de vida.
    Fala sobre as semelhanças entre eles, doutrinas, lugares aonde viveram etc… e também entra nessa parte das correntes do Budismo, bem explicado como esta aqui !

    Responder
  5. Tiuria da Piração disse:
    22 de setembro de 2011 às 0:21

    Achei bonito o título “as correntes do budismo”, correntes/diversas vertentes… correntes/grilhões. Elos que unidos fazem algo forte mas que podem servir para aprisionar.

    Gostaria de destacar também minha vertente pessoal do budismo mas não posso pois a humanidade ainda não está preparada.

    Responder

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