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A justiça sob a ótica maçônica

Kennyo Ismail | 29 de setembro de 2011

Justiça é um termo muito presente na Maçonaria, principalmente porque está diretamente ligada a um personagem presente nas lendas maçônicas, Rei Salomão, tido como o rei mais sábio e justo de todos.
Mas a justiça não é algo natural, não é um elemento da natureza, encontrado em todos os lugares. A justiça é algo alcançado, conquistado. E assim como para se fazer a Luz havia antes a Escuridão, ou não haveria necessidade da Luz ser feita, para se fazer Justiça deve haver antes a Injustiça, ou não haverá a necessidade de Justiça.
Entendendo a ligação entre Injustiça e Justiça como início e fim, ação e reação, causa e efeito, percebe-se a necessidade de um “fio condutor”, de um “combustível” que promova tal mudança. E, nesse caso, é a Compaixão.
É muito fácil compreender o papel fundamental da Compaixão. Afinal de contas, mesmo num mundo inundado de Injustiças, se não houvesse Compaixão, por que alguém desejaria e buscaria promover a Justiça para outros? Faltaria o tal fio condutor, o combustível. Compaixão é exatamente aquele sentimento benévolo que domina o homem ao presenciar uma infelicidade ou mal alheio. Nós sentimos compaixão quando vemos alguém sofrendo uma injustiça. Ou quando assistimos pessoas passando fome e outras necessidades, não por opção, mas pela falta de opção, pela injustiça socioeconômica.
O maçom deve ter os olhos abertos para os males da sociedade. Ele não pode fechar os olhos para o sofrimento do próximo, pois o compromisso do maçom é buscar a felicidade da humanidade. O maçom é um homem de atitude, que procura construir templos às virtudes e cavar masmorras aos vícios. Ele busca trabalhar de forma Justa e Perfeita. E a compaixão nada mais é do que um sentimento de quem se incomoda com a infelicidade alheia, pois deseja a felicidade da humanidade. Nada mais é do que um sentimento de quem se irrita com as injustiças, pois tem um compromisso com o que é justo. Enfim, a Compaixão é um sentimento próprio do Maçom, que faz parte do seu ser enquanto houver injustiças no mundo. É o seu combustível, o mobiliza para seu objetivo como Maçom.
E quais são os caminhos que essa Compaixão nos leva, em direção à Justiça? Podemos crer que, dentre tantos caminhos, o principal talvez seja a Caridade. Como um dos três pilares da Escada de Jacó, a Caridade pode ser interpretada como a ação de um homem livre e de bons costumes quando sente compaixão perante o sofrimento do próximo. Ele tenta reduzir as injustiças com as quais se depara através de um ato de amor. Não há caminho melhor.
A compaixão é sentimento típico daqueles puros de coração, daqueles que amam ao próximo e não fecham seus olhos. E a caridade nada mais é do que a prática desse amor. A caridade é a reação, o efeito da Compaixão.
A busca pela Justiça é um trabalho diário de auto-desenvolvimento. E esse aperfeiçoamento pessoal não tem valor se não é voltado ao bem do próximo e da humanidade. Albert Pike bem registrou que “O que fazemos por nós mesmos morre conosco. O que fazemos fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal“.

Vê-se que a Compaixão é parte fundamental em todo o processo de evolução maçônica, porque um maçom nunca se faz de cego perante uma injustiça, ele a sente como se fosse a si mesmo. E se a evolução se alcança pelo amor ou pela dor, a compaixão está diretamente ligada a ambos. E o maçom, como construtor social, não se restringe a sentir a compaixão, ele age a partir dela.

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8 Responses to “A justiça sob a ótica maçônica”

  1. Phillipe disse:
    29 de setembro de 2011 às 14:39

    Muito bom texto

    Responder
  2. raph disse:
    29 de setembro de 2011 às 15:06

    Que legal, estou exatamente criando uma apresentação que deveria falar de amor e justiça, mas onde optei por falar somente de amor, por não ter muito tempo para falar sobre justiça.. Pegando carona nesse texto acima, vai ser simples relacionar amor com justiça em todo o caso :)

    Responder
  3. Rafhael Guimaraes disse:
    29 de setembro de 2011 às 18:31

    Show!

    Responder
  4. Zé disse:
    30 de setembro de 2011 às 19:51

    Esse post me deixou mais calmo.

    Responder
  5. Eu Ainda não Sou disse:
    1 de outubro de 2011 às 7:04

    Homenagem do Monty Python aos Maçons

    Responder
  6. Israel disse:
    1 de outubro de 2011 às 14:36

    Oque adianta os vicios ficarem presos nas masmorras do subconsciente, eles devem morrer e deixar de existir.

    Responder
  7. Inaldson disse:
    2 de outubro de 2011 às 20:12

    Acho que precisamos de políticos Maçons (todos eles), acho que a robalheira acabaria e nossos impostos seriam utulizados para o bem da sociedade (creio que deveria ser para isso que os pagamos!!!)

    Responder
  8. eduardo oliveira rocha disse:
    3 de outubro de 2011 às 10:02

    claro, seria ideal se a compaixão guiasse a justiça…mas o que ocorre msm é que o dinheiro guia a justiça.

    As empresas pagam impostos e o dinheiro é utilizado para financiar desde a estrutura do judiciario ao salario do juiz.

    Sem falar que não se deve confiar em algo tão relativo, incerto e subjetivo como a compaixão, mesmo pq irá ter situações em que o que é “bom ” é algo relativo. Deve-se condenar uma pessoa que matou o estrupador da filha? A compaixão ficara do lado do que morreu o do que matou? Logo, deve se criar um critério objetivo de julgamento, baseado na lei.

    Dinheiro e lei. É isso que move a justiça dos homens. Não vejo possibilidade de um sistema guiado pela compaixao

    Kennyo Ismail – Eduardo, obrigado pelo comentário. Talvez não fui muito claro no texto. Importante destacar que o título registra “JUSTIÇA SOB A ÓTICA MAÇÔNICA”. Daí, não se trata de Sistema Judiciário do mundo profano, e sim do sentimento de Justiça sob a ótica maçônica. Ninguém falou em um sistema guiado pela compaixão, mas sim em como o desejo por justiça, e não por vingança, nasceu, e que a humanidade tende a se distanciar dessa origem.
    A questão não é como será feito o julgamento, se é legal ou moral, por costumes ou leis, tipo de punição, etc. Este não é um texto da ciência do Direito. A questão é porque o desejo por justiça nasce, existe, o que o alimenta. Para você desejar a justiça para outra pessoa, é porque você a vê como injustiçada, e você só enxerga isso pela compaixão, ou seria cego e indiferente como muitos são. O texto é sobre isso, nada mais.

    Responder

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