Teoria da Conspiração

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O que nos cabe?

Djaysel Pessôa | 15 de outubro de 2011

 

Segue-se portanto duas ou três escolhas.

Mas tudo se resume a uma única direção.

O que cabe a nós? Estamos de fato à frente de nosso destino?

Escuto nesse momento uma moto percorrendo a avenida ao lado. Alguns pássaros começando a acordar. Outra moto. Lembro do comercial falando aos motoqueiros para terem bom senso, e lembro-me dos detalhes graves que apresentam. Por perto uma igreja enorme sendo finalizada, coisa megalomaníaca de tão grande. Imagino tantas e tantas pessoas dormindo ainda, enquanto outras, provavelmente poucas, estão terminando seus turnos noturnos para voltarem para casa. Na rodoviária provavelmente pouco movimento. Lembro da estrada escura clareada a poucos metros à frente pelos faróis do ônibus. Por algum motivo o motorista me deixou ficar com ele, enquanto os outros passageiros provavelmente dormiam, ou sonhavam acordados. Troquei algumas ideias tolas, mas permaneci calado maior parte do trajeto. Escutando música, me sentindo distante de tudo…

Os símbolos envolvem o buscador em vários períodos de sua vida. Muitos chegam a pensar que eles possuem força, mas sabemos bem de onde provém ela. E quando em sonho somos atormentados por seus significados. Impedidos ou levados adiante. Cabe a quem a escolha?

O abrir e fechar de uma porta, quanto de significado há nisso? Para tantos talvez a solidão de seus lares. Para muitos o prazer espera entre quatro paredes. Outros veem limitações, alguns perdem as soluções, mas as portas continuam as mesmas.

Numa iniciação, desta que perseguimos como se nelas estivessem a razão da busca, encontramos o símbolo representado. Uns começam a rotina com aberturas pomposas para levá-lo a sentir o peso da decisão. Por enquanto estão quase todos calados ou parados esperando o segundo exato para entrar em cena, e de fato o palco cria e fomenta desde dor ao prazer, mas seja o que for o intento é um só. E se observar, no momento em que terminar, seu corpo ainda é o mesmo.

O ato decidido e feito é irrevogável, pois o tempo não volta atrás, e nisso está todo o peso real da aceitação. O que me faz  lembrar certa vez em um ônibus onde um rapaz olhou para um anel meu e perguntou se eu estudava magia. Achei curiosa a pergunta e sinceramente me senti surpreso pela espontaneidade dele. Conversa vai e vem ele falou-me de problemas dele com sua família, por tudo o que ele acreditava, ou pelo menos achava que acreditava. Foi quando falei que o problema não estava em sua crença, mas em querer que os outros o acompanhassem. Falei inspirado em textos que vinha lendo e em situações que eu mesmo tive de enfrentar em casa. Dias depois, numa última conversa nossa por celular ele me agradeceu por ter dito para ele não investir tanto em querer possuir esse respeito ou compreensão dos familiares. Falou-me que já não tinha mais tantos problemas como antes. E o curioso disso foi que no caminho tiveram tantas portas. Tanto o curso da faculdade quanto a cidade que escolhi, como os livros e textos que li, como as dores de cabeça que tive por fazer o mesmo, permitiram que ele pudesse escutar a coisa certa num momento passageiro de seu dia pela boca de um desconhecido que lhe chamou atenção por intermédio de um item simples como um anel que eu comprara uns anos antes.

E os símbolos se perdem, mais cedo ou mais tarde, mas a força que lhes atribuímos só muda de lugar. Por hoje vejo na porta mais que um simples meio de transporte e de segurança. Vejo um mundo inteiro adiante, seguindo em frente, logo após deixar a mesma porta para trás. E assim as horas passam. Como esses dias em que me atrasei com as datas. O texto não saia por mim e não encontrava as razões certas para escrever, ainda assim me forcei tanto quando tive cabeça para tal, mas não me conformava em simplesmente jogar palavras ao léu. E nesse ponto a autocrítica é mortal. Nada presta, mesmo sendo exímio.

Lembro bem do primeiro texto que parei para escrever para o TDC, me consumindo dia e noite. Fiquei tão concentrado em explorar algo genuíno que nem ao menos agradeci a Del Debbio minha estada aqui. Acabei mandando uma mensagem para ele diretamente dias depois. Meio envergonhado, admito, mas ciente de  que não era por menos minha consternação. Mas isso não aliviou o fato de que precisava escrever novamente, e cada um dos textos que fiz me exigiam do mesmo modo. No entanto esses momentos de dedicação à escrita me levaram a sincronicidades mil, dessas que rimos, mesmo que os textos fujam completamente do plano inicial. Mas é o que venho dizer hoje. Abrindo uma porta, ato tão simples, se apresenta uma nova jogada de dados estrada afora. Como numa sessão de RPG, sentindo-se desafiado segundo após segundo, mesmo por que… se não for-mos desafiados, há alguma graça?

Sinta-se portanto diante de uma porta. Seja ela como for. O seu ato de abri-la ou esquecê-la é o que definirá todo o resto. E não adianta arrepender-se do que já se foi, pois se voltardes ao canto de outrora, a porta já não levará pro mesmo ponto. Mas como falei, não é a porta o importante… mesmo que agora toda a força pareça vir dela, não é a porta o importante.

Djaysel Pessôa

visitem: Zzurto

Leia também: Vejo um caminho

Inspirado: Os Agentes do Destino

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escolhas, iniciação, RPG, símbolos
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« O Segredo das Mensagens Subliminares Diálogo entre Mestre e Discípulo »

17 Responses to “O que nos cabe?”

  1. cleber borges disse:
    15 de outubro de 2011 às 12:31

    Cara, lhe agradeço por postar este texto neste momento. Sincronicidade, dizem.

    “E não adianta arrepender-se do que já se foi, pois se voltardes ao canto de outrora, a porta já não levará pro mesmo ponto. Mas como falei, não é a porta o importante… mesmo que agora toda a força pareça vir dela, não é a porta o importante.”

    Muito obrigado.

    PP!

    @Djpes: =]

    Responder
  2. Victor disse:
    15 de outubro de 2011 às 16:48

    Uau.
    Muito do que eu precisava ler.
    Obrigado.
    Abraço.

    Responder
  3. filipi disse:
    15 de outubro de 2011 às 18:00

    Cara, lhe agradeço por postar este texto neste momento. Sincronicidade, dizem.

    “E não adianta arrepender-se do que já se foi, pois se voltardes ao canto de outrora, a porta já não levará pro mesmo ponto. Mas como falei, não é a porta o importante… mesmo que agora toda a força pareça vir dela, não é a porta o importante.”

    Muito obrigado²

    De uma consciencia gramde que escrevestes isso!

    hehhehe
    “que tipo de bruxaria é essa??”

    @djpes: =D

    Responder
  4. Jannah Oliver disse:
    15 de outubro de 2011 às 18:13

    Quando as coisas têm que acontecer, elas simplesmente acontecem.
    Obrigada por suas palavras sábias!

    Responder
  5. Junior disse:
    15 de outubro de 2011 às 18:40

    Belo texto, espero que o pessoal incompreendido por familiares tenha percebido que isso é uma ordalia, e dale paciencia…

    “E não adianta arrepender-se do que já se foi, pois se voltardes ao canto de outrora, a porta já não levará pro mesmo ponto.”

    Perfeito!

    Responder
  6. HiroNakamura disse:
    15 de outubro de 2011 às 19:53

    Eu estava agora mesmo me maravilhando com a “leitura” espiritual da musica “stairway to heaven”, e ia sugerir ao Marcelo que fizesse uma interpretação dele para postar no site. Mas agora deixo a sugestão à você. Quando tiver um tempo, dá uma analisada e vê o que acha.

    @djpes: grato pela dica. Vou pensar no caso com carinho! abraços

    Responder
  7. D disse:
    16 de outubro de 2011 às 13:50

    Já tem um post com a “starway to heaven” xD

    Acho que é esse aqui : http://www.deldebbio.com.br/index.php/2010/10/07/stairway-to-heaven/

    @Djpes: fiquei pensando que teria sim… ia até procurar. Agradecido pela ajuda! =D

    Responder
  8. HiroNakamura disse:
    16 de outubro de 2011 às 20:58

    Que coisa, valeu!
    Eu ia até procurar antes de postar aqui, mas me “perdi” no post e esqueci.

    @Djpes: =D

    Responder
  9. Alexandre disse:
    16 de outubro de 2011 às 23:50

    Cara Obrigado!

    @Djpes: =D

    Responder
  10. Paulo G.L disse:
    17 de outubro de 2011 às 8:09

    Djaysel Pessôa…

    “…Sinta-se portanto diante de uma porta. Seja ela como for. O seu ato de abri-la ou esquecê-la é o que definirá todo o resto. E não adianta arrepender-se do que já se foi, pois se voltardes ao canto de outrora, a porta já não levará pro mesmo ponto. Mas como falei, não é a porta o importante… mesmo que agora toda a força pareça vir dela, não é a porta o importante….”

    Djaysel…Vc tem certeza quanto ao conteúdo desse seu texto? Eu digo que não tem…Vc me parece confuso e meio que perdido…Seu texto me passa a impressão de alguém com sérias dúvidas a respeito de muitas coisas…A porta não é importante?
    @Djpes: ressaltando: O seu ato de abri-la ou esquecê-la é o que definirá todo o resto
    Djaysel…Será que o caminho que Vc escolheu e está trilhando está realmente certo?
    @Djpes: isso não está em questão no texto
    A porta não levará realmente pro mesmo ponto? Afinal quantos pontos há? Serão realmente muitos? Vc me passa a sensação de uma pessoa flutuando em DÚVIDAS E INCERTEZAS…Me passa também a imagem de uma pessoa imersa em SOLIDÃO E AMARGURA…Será o caminho que Vc está trilhando o correto? Quais são seus objetivos? Qual a intenção real e concreta por trás de seus atos e iniciativas? Respondendo de forma sincera a essas questões talvez Vc consiga vislumbrar a saída do labirinto em que te vejo imerso…Desejo sinceramente que Vc consiga achar a saída…ABRAÇO!!!
    @Djpes: posso lhe afirmar seguramente que você se refere a si mesmo nessas perguntas. Aprenda antes de mais nada desassociar-se das críticas, e perceba que para abarcar o outro é necessário antes de mais nada abrir-se pra si mesmo. Se você observar bem o que escreveu aqui, as únicas dúvidas são suas.

    Amigo_Virtual_p.g.l@hotmail.com

    Responder
    • Ana Ramos disse:
      17 de outubro de 2011 às 20:51

      Sabe aquela história de “um rio não passa duas vezes no mesmo lugar”? Pois é. Oportunidades não passam duas vezes e se você desistir e resolver voltar atrás, não é a mesma pessoa tomando o mesmo caminho no mesmo contexto. Cada momento é único. Cada porta só existe uma vez. A decisão de seguir é (ou deveria ser) inteiramente sua.
      E admitir isso para si mesmo é o primeiro passo para enxergar.

      Responder
  11. Osvaldo Vicente disse:
    18 de outubro de 2011 às 9:42

    Muito bom o texto, meu caro… Creio que atingiu o objetivo com esmero… Nada como uma auto análise que sirva como espelho aos outros… E assim sendo, todos nós ganhamos…

    Pax!

    @Djpes: Agradecido deveras meu caro amigo. Que bom que gostou. Abraços

    Responder
  12. Marília disse:
    18 de outubro de 2011 às 13:13

    Irmão, muito obrigada!!!!!! Tenho certeza de que todos que chegaram a esse texto incrível precisavam dele.

    Responder
  13. Samara disse:
    18 de outubro de 2011 às 20:41

    Chorei absurdamente quando terminei de ler….

    Responder
  14. Vinícius Pedro disse:
    24 de outubro de 2011 às 14:13

    eu precisava realmente ler esse texto.

    uma porta se abriu, mas só agora é que fui reparar. ^^

    Responder
  15. Ranieri disse:
    31 de outubro de 2011 às 1:50

    Gostei mto do seu texo, o modo como vc ajudou o rapaz dizendoq nossos caminhos também são trilhados na solidão e o fato do rpg e os desafios de cada rodada(mesmo eu não tendo jogado mto rpg em minha vida hehehe).
    Abçs.

    @Djpes: =]

    Responder
  16. Links Mayhem – Especial Outubro « Autoconhecimento & Liberdade disse:
    28 de novembro de 2011 às 7:16

    [...] – Zzurto – O que nos Cabe [...]

    Responder

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