Não se esqueça de ouvir
Jeff Alves | 24 de novembro de 2011Era um ocultista moderno, de ferramentas hi-tech e visões futurísticas. Imaginava um mundo completamente novo onde o homem seria livre e os corações, valentes. Não tinha mestre, na verdade, isso lhe incomodava um pouco. Andava cabisbaixo e frustrado com os resultados cada vez menos visíveis que vinha obtendo.
Realmente andava deprimido. Sentia que aquela voz interior que lhe guiava ia ficando cada vez mais inaudível para sua mente. A confusão em sua cabeça era enorme e decidiu então jogar com a sorte. Acreditava muito na sincronicidade das coisas simples e pensou em como poderia pedir ajuda.
Pegou seu celular com uma das mãos de forma que pudesse apertar os botões aleatoriamente. Concentrou-se e olhou lá dentro de si, pedindo ajuda a quem lhe pudesse ouvir, a fim de obter ao menos um resultado sensível. Apertou com força o celular forçando-o a ativar a discagem rápida. Colocou-o na orelha sem mesmo olhar o visor.
Enquanto o telefone chamava, deu partida no carro e saiu em disparada trombando com um daqueles engarrafamentos enormes da Avenida Paralela (Salvador estava realmente se tornando uma São Paulo…). Desistiu da ligação. Ninguém atendera e não tinha coragem de olhar para quem havia ligado. Se retornassem, daria uma desculpa qualquer.
Ligou o som, buscou entre os seus cds aquele que sempre lhe acalmava. Encontrou lá no fundo do porta-luvas o cd já arranhado de tanto uso. Percebera como não havia cuidado bem das ferramentas mais simples e poderosas que possuía. Havia muitas vezes esquecido os amigos, não ligava para a mãe que dormia no quarto ao lado.
Olhando da perspectiva que tinha anteriormente, observava que era ciente da importância das pessoas em sua vida, mas se isolava como se o orgulho lhe impedisse de conversar com os “profanos”. O cd não tocava. Limpou-o na camisa e tentou novamente. Teve calma e decidiu escolher um cd que ouvisse menos. Talvez algo um pouco mais alheio ao comum lhe ajudasse a sair daquela situação já trivial em sua vida.
Olhou os nomes dos cds e escolheu um que a muito não ouvia. Não eram mantras ou músicas de elevação. Era um álbum do Milton Nascimento que esta perdido por entre a montanha de cds que não digitalizara por falta de tempo. Tempo… Era algo que nem sabia mais o que era. Não comia direito, não dormia direito, estudava feito um condenado e depois trabalhava como um cavalo.
Reservava para si mesmo apenas uns poucos minutos nos quais fazia, religiosamente, as suas práticas diárias. Começava a cantarolar levemente a letra da música que escutava. Não, não só escutava. Ouvia profundamente, como se aquilo fosse a voz de um ancião chamado tempo. Senhor que a muito não via.
Percebera então que tempo era uma questão de observação. Esquecera de aproveitar a beleza das coisas simples e de absorver delas o tempo que ele sabia ser infinito. Estava contente em ter visto em tão pequena coisa o ensinamento que a custo entendera. Agora, aproveitava somente o tempo que ganhara de forma tão inesperada.
Inesperado foi o susto que tomou, quando um carro muito bonito parou ao seu lado com o som no último volume tocando um pagode insuportável. Parou, olhou para o lado e viu apenas o vidro (de fumê muito escuro) fechado. Resignou-se e esperou que o carro fosse embora. Felizmente a lei de Murphy agiu a seu favor e a fila ao lado andou mais rápido.
Quando voltou a si, a música que havia escolhido ainda tocava. Percebeu então que havia esquecido uma lição muito importante. Buscava efeitos visíveis em suas práticas e esquecera de olhar os detalhes ao seu redor. A Providência lhe falava, mas não a podia ouvir por estar por demais ocupado em sua gula…
Começou a ouvir aquela voz interior outra vez e percebeu que mesmo quando o mundo cala o seu coração ele esta lá, como a música estava, apenas esperando que você volte seus ouvidos para dentro e escute seus sublimes ensinamentos.
Texto de Alexandre Teles, um dos autores do blog O Alvorecer.








































Obrigada :)
acabei de pedir ajuda para tomar uma decisão importante. Não sabia mais o que pensar…dei uma olhada no face para distrair a mente em turbilhão.
Sem me concentrar muito abri a lista de links do Teoria
Encontrei a resposta que tanto precisava nessa leitura.
Paz e Luz :)
Impressionante as sincronicidades. Este texto veio a calhar pelo menos para mim, pois devido aos estudos tenho me afastados dos meus amigos.
Tudo tem se resumido ao trabalho e nas horas vagas estudando Ocultismo.
Muito legal.
Estava precisando ler este texto… Me senti abraçado agora. =)
Sincronicidades… ai ai… de vez em quando vem a calhar…
Belíssimo texto. Parabéns \o
Nesse exato momento passo por momentos conturbados. As coisas externas estão me destraindo de tal forma que minha atenção já não consegue ficar em equilibrio. Entretanto, esse texto foi uma dádiva nessa manhã tão bela que esta fazendo e me mostrou que as respostas estão mais perto do que eu pensava.
Paz e luz !
Poxa, excelente texto, muitas vezes nos esquecemos que as coisas mais prazerosas são aquelas simples e sutis.
Certa vez em companhia de um estimado Irmão, ouvi o mesmo se referi as tribulações do mundo, e o quanto ele achava necessário, para o místico Probacionista que desejasse a iluminação, ter que se isolar dessa maré turbulenta.
Não concordei com sua opinião. Ele argumentou que minha oposição a tal opção era devido ao apego com as coisas do plano terreno; bem que de certa forma ele estava certo, Já que assumi meu compromisso com a humanidade, e como consequência dessa responsabilidade, ter que também lidar com suas manifestações variáveis, resultantes da instintividade primitiva gerada por meio de nossa queda e separação.
Volvendo ao sentido da mensagem, em comparação com o texto do Irmão Alexandre, ele exemplifica as Vias (caminhos) do trabalho , da obtenção da Grande Obra.
A VIA SECA E A VIA ÚMIDA.
A Via úmida é um caminho mais lento e tido por alguns como o mais seguro para a realização da Obra, é o isolar-se. O caminho do eremita, que renega ao fatídico e logico para adentrar e viver em seu Santuário interno.
Alguns escritores tradicionais do Ocultismo se referem a essa via como especifica do Místico.
A via seca, também referendada por alguns como a via diretíssima; é praticada no cadinho, sendo mais rápida e mais perigosa. Onde o BusCador se expõem ao perigo da turba configurada por sua própria natureza* caída, e adentra as correntes astrais, vai ao encalço da compreensão do que ocorre no submundo, da lama de nosso fantasioso Infernum, para em estado de loucura ousar subir aos Elísios. É onde travamos a batalha da grande obra, em que atravessamos o abismo de Daath, em que corremos o risco de ser devorado pelo um leão; mas é também o cenário propicio para dominar a serpente que devora a própria cauda. É a via seguida pelo Dr. Fausto; por Jó do antigo testamento; Prometheus; e por Zanoni na obra Bulwer-Lytton.
Alguns escritores se referem a essa via como especifica do Ocultista Pratico.
Via seca e via úmida sao termos usados na alquimia de laboratorio, nao?
Sim,
Ai pergunto…onde realmente se encontra o laboratório do Alquimista?
O externo é um reflexo analogo ao interno.
Bem, ainda que a referência alquímica seja algo abonador, o externo e o interno são profundamente interligados, mas um não prescinde do outro.
Ou seja, ainda que haja um interno… Bem, necessariamente há o externo!
Se não, tornaria se “masturbação mental”
Ué, o laboratorio é um ambiente fisico mesmo.
A transformaçao das operaçoes alquimicas em fenomenos psicologicos é um tendencia moderna que começou com Jung, se nao me engano.
Pode-se ver que no texto acima não há um defesa em prol de que o interno prescinde o externo, ou vice versa, e sim há referencias a uma observação dentro do contexto da analogia, cousa muito utilizada por místicos de outrora, entre eles LOUIS LUCAS (1816-1864), Químico inventor do Biômetro, iniciado na tradição de Hermes, vizinho e amigo de Eliphas Levi; e que era muito citado devido a pratica constante da analogia esotérica; tão bem referendado por por Papus, Paul Sedir, Stanislas de Guaita, e o proprio Levi.
E quando uso o termo análogo, dentro do contexto das ciências ocultas, vemos que tal expressão refere-se a coisa semelhantes ou que tem algo em comum e não exatas em igualdade, se fosse o caso eu usaria a expressão “o externo é um reflexo IGUAL ao interno”.
E sobre a questão do laboratório alquímico, tendo a alquimia como base, a ARTE REAL, que UTILIZEI COMO EXEMPLO SIMBÓLICO no contexto da mensagem desse post; se formos nos reportar aos tratados, sejam os escritos de Flamel; as chaves da Filosofia de Basílio Valentin; a obra de Irineu Filaleto, e vários outros; teríamos que fazer analise sob a égide da analogia para entender os processos alquímicos que ocorrem no santuário do alquimista, onde o mesmo, internamente, através da oração (Ora), absorve as influências da cadeia astral, que são lidas (lege, relege) em frequências simbólicas, e compreendidas, e com isso, consequentemente elabora (et Labora), para encontrar (et invenies) a Grande Obra.
Esse processo interno ao qual me referi por achar mais adequado de expressar, já que é um pouco difícil exprimir por palavras experiências que não são simplesmente mensuradas pela razão, fazem uso de exemplos espelhados nas denominações e metodologia usada pela psicologia analítica de Jung; tais processos , sua ações na cadeia da psique foram trazidas as luz do popular e acadêmico por Jung e outros, mas isso não quer disser que foram somente utilizadas modernamente por eles.
Exemplo: O inconsciente abordado pelo Jungianos, já eram citado por teosofistas, e místicos em épocas muito anteriores as descobertas de Jung; o próprio inconsciente coletivo seria uma forma de se referir aos Arquivos dos Planos (Mundos), ou como se refere outras escolas, aos arquivos Akáshicos.
Por fim, talvez, essas coisas já existiam, só que com denominações diferentes. Somente fiz uso dos mesmos, por me familiarizar com tais, e achar significante o compartilhar de tais exemplos em prol de um enriquecimento coletivo dos que estão na senda.
Os argumentos utilizados em minhas colocações são de cunho esotérico/ocultista, no caso, até mesmo a forma de interpreta-los (cousa mui fácil), peço que por favor levar em consideração essas condições.
Excelente. Me faz lembrar de Rosabis Camaysar.
Ola, ASNA (isso é uma sigla para que?).
O texto foi entao uma analogia entre a evoluçao do neofito dentro de uma ordem iniciatica moderna e os caminhos da alquimia de laboratorio?
Acho que compreendi errado entao, pois pensei que vc estivesse equiparando o aprendizado de alguem que segue cada um desses metodos, algo que nao concordo, pois de um lado temos um ocultismo de faz de conta (ordens iniciaticas) e do outro algo real (alquimia de laboratorio).
Outra coisa, a expressao ‘ora et labora” quer dizer “ore e trabalhe” e nao “ore e elabore”, ou seja, o alquimista pede inspiraçao divina para realizar o seu trabalho no laboratorio. Por isso de modo algum trata-se de um processo apenas psicologico, pois a transmutaçao da materia no laboratorio fisico é sim essencial na alquimia, ja que é a confirmaçao concreta do grau espiritual alcançado pelo alquimista.
Espiritualizar a matéria, é sim, algo que os alquimistas prezam e muito. Mas para que o que se processe seja completo é preciso que se materialize o espírito. E isso não se faz em outro lugar que não seja o sanctum sanctorum, o túmulo do Pai Irmão C.R., o coração.
Nequaquam Vacuum.
Talvez minha colocações não estejam sendo coerentes com o que você espera, ou com o que configurastes particularmente em relação a tais conceitos.
E sobre o termo ‘elaborar’, fazendo uso de sua eximia explicação, não deixa de ser uma palavra que designa a obtenção de algo através de trabalho, ou melhor, empenho.
De certo, penso minha mensagem postada esta coerente até mesmo com sua corretiva colocação sobre Et Labora.
Já, os processos alusivos da psicologia Junguiana, penso que são dentre muitos que podem ser utilizados para tentar ao menos chegar à compreensão de conceitos que transcende a mera racionalidade.
Se o estimado irmão puder( e se assim desejar, é claro) , releia minhas colocações…
Creio que as mesmas fazem sim uma analogia entre a evolução do neófito dentro de uma ordem iniciática.
A ordem das mais sublimes, que jaz em nosso amago, e nos leva a comungar com nosso mestre interior, o EU SOU.
Intencionei somente relacionar o texto do Alexandre com uma das MUITAS formas de descrever a jornada de um Buscador.
Suas opiniões a respeito de minhas miseras colocações, são suas, então faça bom proveito das conclusões que obtêm delas. Desejo-lhe sinceramente que as mesmas sejam bem proveitosas.
E se de certa forma despertei ações ‘misoneístas’ referentes a analogias entre as ciências da tradição, peço sinceras desculpas. Não foi a intenção ferir o ‘mundo concebido’ de ninguém.
Seus limites, dogmas, bases, e visão das ciências são seus; Argumente-os, use-os, e fique a vontade com eles.
De qualquer maneira, obrigado pelo compartilhar de ideias, aprendi muito com isso.
E sobre o titulo que leva a minha identificação. É tudo aquilo que você, ou qualquer outro estimado irmão desejar mensurar, pois o que carrego nessas letras talvez não signifiquem nada, da mesma forma que para alguns a tradição somente é mastigada com a ‘descarteana’ razão.
Grato pelas ótimas colocações
PAX ET LVX
SUB UMBRA ALARUM TUARUM YESHUA