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Se a verdade é relativa, onde fica o erro?

Igor Teo | 5 de fevereiro de 2012


Ao longo de muitas postagens aqui na coluna procurei demonstrar como a verdade é relativa, pois cada sujeito pode construir suas próprias verdades a partir de suas experiências pessoais. Quando se compreende que a vida é ausente de um sentido a priori, o homem se vê livre para ser um criador de valores. Serão os seus próprios valores, obtidos a partir de sua experiência pessoal de vida e não crenças dogmáticas impostas por outras pessoas que lhe permitirão guiar sua vida de maneira ética e racional.

Não podemos ter certeza absoluta e irrefutável sobre qualquer assunto por simplesmente não possuirmos as ferramentas necessárias para isso. Nessa busca pela precisão entram em questão duas palavras: objetividade e subjetividade. Por mais que tentemos ser objetivos e imparciais, nós tendemos a ver o mundo da maneira como acreditamos ser, fazendo com que nossas conclusões sejam sempre carregas de impressões subjetivas. A verdade é relativa porque ela é relativa ao nosso ponto de vista, simplesmente por não existir um ponto de vista neutro alcançável.

Mas mesmo sendo o conhecimento passível de erro vale muito obtê-lo e procurarmos sempre o aperfeiçoar.  Um médico precisa de um conhecimento com  o máximo de objetividade possível para salvar vidas.  A meteorologia precisa da maior objetividade possível para evitar catástrofes. Psicólogos precisam do melhor conhecimento possível do funcionamento da mente humana para ajudar pessoas a encontrarem soluções para suas vidas.

A Ciência Clássica se baseia na crença de que existe um mundo externo onde as propriedades dele não dependem do observador que as percebe. De fato o Universo existe, e não é apenas uma idéia minha ou sua. Somente a minha idéia de Universo é que é uma idéia minha, pois o mundo que conhecemos é construído pela mente humana a partir de dados obtidos de maneira sensorial e moldado pela estrutura  interpretativa de nosso cérebro. A realidade é filtrada por cada um de nós para se encaixar em nossos paradigmas.

Dentro dessa ótica, não faz sentido pensarmos se um modelo de entendimento de mundo é Verdadeiro, absoluto e definitivo, mas apenas se ele está de acordo funcionalmente com aquela observação. Se a verdade é relativa e cada um possui seu próprio sentido de existência, tentar padronizar as individualidades seria um equívoco. Como disse o poeta lusitano Fernando Pessoa: “Não há normas. Todos os homens são exceções a uma regra que não existe”.

Mas onde entraria o erro nessa situação?

O problema é pensar que o erro, assim como a Verdade, se trata de um conceito absoluto. Como diz Isaac Asimov no texto A Relatividade do Erro, quando as pessoas pensavam que a Terra era plana, elas estavam erradas. Quando pensaram que a Terra era esférica, elas estavam erradas. Mas se você acha que pensar que a Terra é esférica é tão errado quanto pensar que a Terra é plana, então sua visão é mais errada do que as duas juntas.

Durante muito tempo se acreditou que a Terra era plana. Depois se acreditou que a terra era esférica.  Sabe-se hoje que ela também não é uma esfera, pelo menos não no sentido matemático estrito. A Terra é achatada nos pólos, não permitindo que a chamemos de uma esfera perfeita. Mas embora acreditar que a Terra seja uma esfera esteja errado, não está tão errado quanto acreditar que ela é plana.

À medida que o conhecimento vai se refinando, o erro também diminui. Um dia ele deixará de existir? Pelo que sei até o momento, não. Mas podemos tentar ficar o mais perto possível do funcional, de maneira que o funcional seja aparentemente uma verdade. Uma verdade funcional.
________________________________________________________________

Igor Teo é escritor e estudante de psicologia.
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Tags
Isaac Asimov, Niilismo, Relativismo, Verdade
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12 Responses to “Se a verdade é relativa, onde fica o erro?”

  1. Ícaro disse:
    5 de fevereiro de 2012 às 18:10

    Muito elucidante este texto. Essa é uma questão complicada porque vejo muitas pessoas (religiosos, ateístas e místicos) que justificam qualquer coisa com base em relativismo. Como naquela imagem que recentemente o Tio DD postou, onde a uma árvore dizia para a outra que não precisava de mais conhecimento porque ela já tinha as suas próprias verdades.

    Este texto, no entanto, mostra como não é bem assim. Vi que relativizar não é o mesmo que aceitar qualquer coisa, mas perceber que mesmo assim o erro também existe. Relativizar só me parece que não é para aceitar essas verdades absolutas como se fossem última palavra.

    Responder
  2. W. disse:
    5 de fevereiro de 2012 às 18:29

    Veja, mas você diz que a Verdade – como conceito concreto – não existe, isso é, o conceito objetivo de verdade é construído pelo próprio homem. No entanto, o erro não é inexistente, isto é, há gradações do erro, portanto, quando admite-se uma verdade ou normatividade universal construída pelo indíviduo e não pela natureza ou pelos dogmas não necessariamente admite-se a inexistência do erro.

    Ora, se o erro é à partir de uma verdade construída, ele só pode ser indicado à partir dessa verdade. Logo o erro também é uma construção do homem.

    Pode me elucidar isso? Abraços
    @Teo – Sim. Em primeiro lugar, seu raciocínio está correto. O errado e o certo são construções histórias.
    Acho que o problema está em dicotomizar erro/verdade como um existindo a partir do outro, como um fosse preto e o outro branco, quando a verdade e o erro estão compondos juntos uma tonalidade cinza. Meio abstrato, mas dá para entender? rs

    Responder
  3. W. disse:
    5 de fevereiro de 2012 às 19:15

    Deu para entender. Minha dúvida era essa: se o erro também não seria relativizado.

    Abraço!

    Responder
  4. D disse:
    5 de fevereiro de 2012 às 20:31

    Temos que considerar que não há como efetivamente dizer que o erro é de fato um erro.

    A crença, ou fé, é uma característica básica da humanidade ao reconhecermos que é necessário optar por alguma “verdade” disponível, e que essa verdade pode ser compreensível ou não.

    Por exemplo : Hoje achamos que a terra é esférica, mas esse conhecimento por sí só foi obtido a partir de bases Dogmáticas em sua essência mais pura : As bases que são os verdadeiros tabus do nosso século, e que jamais podem ser questionadas (quem as questiona é tido como louco).

    São elas :

    - Uma foto, vídeo, ou um relato presencial (no caso de astronautas) é prova irrefutável de que a terra é esférica, juntamente com outros fatores, como a curvatura observável a olho nú na linha do horizonte – um erro que se baseia na premissa de que, desde que possamos captar com nossos sentidos e/ou instrumentos o formato de algo, estaremos vendo seu verdadeiro formato-

    - A matemática é uma linguágem concreta, e correta em muitos aspectos – podemos dizer que a matemática é a “linguágem sagrada” de nossa Era, e que aquilo que é provado matematicamente é considerado praticamente irrefutável-

    - A lógica traz a verdade – um pensamento que deriva desde a Antiguidade, e que parece tão claro e óbvio que relativisá-lo parece loucura das maiores : Como pode a lógica não trazer deduções verdadeiras a partir de premissas verdadeiras e seguidas todas as suas regras, evitando-se assim falácias ? Algo “lógico” até mesmo virou sinônimo de algo “verdadeiro” !

    - O óbvio deve ser verdadeiro, pois é perceptível, objetivo, factual. – Novamente, uma palavra usada, muitas vezes intercambiando-se com “lógico”, “é óbvio” também traz sentido de verdade, ainda que o óbvio possa não ser verdadeiro.

    Ao fim, até mesmo os fatos e dogmas mais claros da humanidade podem ser relativisados e questionados – até mesmo nossa existência, por mais que Descartes dissesse que “cogito ergo sun” – oras, ele dizia que era ÓBVIO que apenas seres existentes poderiam perguntar algo (“cogito” tem tradução mais próxima de “pergunto” ao invés de “penso”).

    Mas este em sí é um dogma. Claro, pensar demais nisso pode levar a um certo nível de loucura real…. no qual eu estou incluso…. mas digo que é interessantíssimo. Ou não.
    @Teo – Sim, nada pode ser considerado absoluto e Verdadeiro, nem mesmo um erro. E já que não temos como definir o que é Verdade, podemos nos basear no funcional como verdades provisórias, até que outra melhor apareça. Isso permite que possamos viver loucos quando a lucidez é insurpotável, sem no entanto estar totalmente incluído na loucura.

    Responder
  5. Roberto Vasconcelos disse:
    5 de fevereiro de 2012 às 22:22

    Acho que umas das razões por eu gostar tanto de Rurouni Kenshin é justamente por ali ilustrar esse paradigma. Cada personagem constrói sua própria verdade em busca de um ideal através das experiências pessoais de qualquer um que, como sabemos, não estão coincidentemente interligadas, a vida de uns na vida dos outros (no caso, por força do roteiro, mas, claro, sabemos que na vida real também acontece). xD

    Responder
  6. Manoel disse:
    6 de fevereiro de 2012 às 11:06

    esse texto se explica em uma frase comum do ceticismo Grego :

    “Se você erra(mente) e diz que isso é verdade, erra(mente) quando diz a verdade”

    E também na “Cartas aos Probacionistas” de Aleister Crowley :

    Os Erros dos Místicos

    I. Desde que a verdade é supra-racional, é incomunicável na linguagem da razão.

    II. Portanto, todos os místicos escreveram coisas sem sentido, e o sentido em que escreveram até agora é falso.

    III. No entanto, como um lago parado produz um reflexo do sol mais fiel do que uma torrente, aquele cuja mente é mais equilibrada irá, se ele vir a ser um místico, se tornar o melhor místico.

    Responder
  7. Alan K disse:
    6 de fevereiro de 2012 às 13:01

    “A verdade única tem muitas faces, e uns só
    vêem um lado, enquanto outros só vêem o outro
    lado, e algumas pessoas vêem mais do que
    outras, conforme lhes é dado ver.
    Vede este cristal: assim como uma só luz se
    revela por doze faces, sim, em quatro vezes
    doze, e cada face, por sua vez, reflete um raio
    da luz, uns percebem uma face, outros vêem
    outra, porém o cristal é um só e também uma
    só a luz que ele irradia em todas. […] Assim é
    com a verdade.”
    Jesus – Evangelho dos doze santos

    Responder
  8. Pseudo-Cético disse:
    6 de fevereiro de 2012 às 16:05

    A verdade (seja ela uma única verdade ou desdobrada em muitas verdades) com certeza existe.
    O conhecimento da verdade por parte do ser humano é que se trata de algo imperfeito.

    Por exemplo: postulou-se no decorrer dos tempos diversos ensaios sobre o comportamento ou até mesmo a existência da gravidade. Newton a concebeu como uma força autônoma, e essa é uma verdade aceita como verdadeiro por 99,9% das pessoas que já ouviram falar da gravidade. Mas alguns cientistas estão trabalhando com a hipótese de a gravidade ser um desdobramento da termodinâmica.

    Eu não conheço o tal do cientista, mas sei que algo me atrai em direção ao solo, ou no mínimo que cairei até onde haja terra. Percebe? Eu não posso afirmar que a gravidade, com as características que foram até hoje postuladas a respeito da mesma, de fato comporta-se a rigor da forma como definiu-se, mas sei que ela de alguma forma atua sobre meu corpo. A verdade a respeito da mesma existe no universo, mas nós, como seres humanos, a desconhecemos.
    @Teo – “A verdade está lá fora” – X-files.
    Bem, eu encaro esse problema de outra forma. Vamos a um exemplo:
    Estamos em uma sala fechada que possui uma única porta com algumas pessoas. Algumas pessoas afirmam que atrás dessa porta existe um macaco, outras afirmam não existe nada. Qual seria a solução natural? Abrir a porta. Mas ela está trancada, e não conseguimos abrí-la. Logo escutamos alguns latidos. Muitos passam a afirmar que é um cachorro, outros dirão que o macaco também sabe latir, outros continuam dizendo que não há nada e não passa de alucinação pelo tempo que estamos dentro da sala pensando no que está atrás da porta.
    Agora a questão: o que existe atrás dessa porta? Existem crenças atrás da porta. Crenças em um macaco, crenças em cachorro, crenças na não existência de nada.
    Qual crença é verdadeira? A que se prove verdadeira. Se não podemos abrir a porta, não há provas contundentes (e empíricas no sentido mais clássico) para elevar uma suposição à Verdade.
    Neste exemplo, as pessoas são as ideologias e a porta a subjetividada.
    Podemos adotar as crenças como pseudo-verdades, mas o conhecimento da Verdade se mantém inalcançável.
    A Verdade até pode existir em si mesma, mas ela não existirá para você existindo em si mesma. A partir do momento que ela aparece para você temos uma relação fenomenológica entre vocês em que nenhum dos dois permanece o mesmo.
    A Verdade sem você é ausente, autônoma e indiferente. Qual a diferença entre algo ausente, autônomo e indiferente de algo inexistente para uma consciência?
    Olhe que com Verdade não me refiro a regras físicas e funcionais que estabilizam a realidade, que de fato existem, mas de respostas absolutas dentro de questões.

    Responder
    • Pseudo-Cético disse:
      6 de fevereiro de 2012 às 17:34

      Baseado no que você escreveu, somente é possível a definição de algo como sendo intrinsicamente verdadeiro quando este passa a fazer parte da experiência individual, e, em um contexto mais abrangente, isso nada seria que fundamentar a verdade nas percepções do observador, que no nosso caso é o ser humano. Ok, não há nada de errado com isso. E partindo ainda deste ponto de vista, presumo que o universo tenha começado com o surgimento da primeira mente consciente, ou seja, o “momento primordial” do universo foi o contato da(s) mente(s) (observadores) com o universo inteligível.

      Essa é uma idéia recorrente mas bastante interessante, entretanto fica evidente que condicionamos o “antes” a um nada insondável, e neste caso ou assume-se que vivemos todos na pele de um Sísifo, onde o trabalho pela busca da verdade seja uma espiral infinita baseada em retroalimentação, ou a cada dia que passa nos aproximamos mais dela, ou ainda, que a verdade talvez nos tenha sido apresentada a todos de imediato, e nós que a confundimos em nós mesmos.

      Não poder enxergar a verdade ou definí-la em termos inteligíveis não exclui a possibilidade da mesma existir em essência. São coisas distintas.

      Por mais que suponhamos a seu respeito, ela o É POR SI SÓ, assim como eu e todos aqueles que foram e estão sendo. Sacou? rss

      Abç.
      @Teo – Sim, entendo rs
      Eu mesmo quis deixar claro essa possibilidade dela existir em si própria. Mas aí vem a questão: o que no Universo existe em si próprio?
      Como nosso colega “D” acima comentou, “os fatos e dogmas mais claros da humanidade podem ser relativisados e questionados – até mesmo nossa existência, por mais que Descartes dissesse que ‘cogito ergo sun’”.
      Eu não gosto de abordagens essencialistas, sempre segui por linhas existencialistas.

      Não enxergar a verdade não exclui a possibilidade de sua existência, pois ausência de evidência não é o mesmo que evidência de ausência. Mas nos força a fazer uma grande aposta.
      Eu sempre lembro das possibilidades quanto a existência de Deus quando debato sobre este assunto. Me considero ateísta pelo mesmo motivo que me levou a acreditar (sim, também é uma crença) que não há Verdade: não tenho alguma experiência pessoal que me prove definitivamente a existência. Afirmar que Ele existe sem evidência seria uma grande aposta…

      Responder
      • Pseudo-Cético disse:
        6 de fevereiro de 2012 às 18:34

        “… não tenho alguma experiência pessoal que me prove definitivamente a existência.”

        Existência do que? Existência da existência ou existência da verdade?
        Porque se formos questionar a existência DESTA (minha, sua, nossa, dos outros) existência, então tudo o mais não tem propósito. Podemos ficar tranquilos porque nossa jornada não vai dar em nada… nada de uma grande catarse ou até mesmo uma fogueira eterna, apenas a experiência por si própria, que pode ou não ser uma grande alucinação.
        @Teo – Niilismo e além-do-homem.
        Acontece o seguinte: quando falamos do universo, da verdade e de tudo o mais, nos utilizamos de uma ferramenta que é crucial para nós, porque é a que nos propicia definir a nós mesmos e ao mundo inteligível, ainda que de forma superficial e imprecisa: a linguagem. Alguém ousa dizer que ela não é material? Ou ainda, que ela não faz parte de um processo mental? Devem existir alguns pontos de vista para estas duas questões.

        A linguagem é um dos grandes obstáculos aos seres humanos, e ainda assim é seu maior trunfo. E porquê obstáculo? Porque nos obriga a definir algo ou o todo com recursos que o todo propicia. Assim sendo, da mesma forma que as leis do universo se auto-definem, assim é a verdade para o ser humano: nós, como indivíduos, podemos ter a nossa, ou participar da definição de verdade construída por outrem, mas este outrem, assim como você e eu, teve que participar da experiência para definição da “verdade”, ou então é um criador todo-poderoso e nossa busca e discussão acerca da mesma não é mais que um passatempo infantil, chegando a causar-lhe gargalhadas.

        Confuso, não?
        @Teo – Até que não rs Você soube deixar claro.

        Minha aposta: prefiro me concentrar na (minha) existência. Porque neste momento é o que eu consegui como sendo ferramenta para aquilo que chamamos de self, ainda que digam que este é uma grande ilusão.

        A chave para a verdade para a maioria das pessoas está na equação que determina para si o melhor custo-benefício sofrimento x sustentação de valores pessoais x realização. Como eu disse, para “a maioria das pessoas”…

        Mas a verdade talvez permaneça intocada, apenas com ela simplesmente é. Vai saber.

        Responder
  9. william disse:
    7 de fevereiro de 2012 às 21:36

    me lembra matrix, na cena em que o menino diz para o neo que não existe colher, e realmente colher é algo que descobrimos com a experiencia e a experiencia que temos é que a colher nao se dobra… mas o menino na cena mostra ao neo que a verdade pode ser dobrada… pois a colher não existe.

    Responder
  10. roberto disse:
    1 de abril de 2012 às 17:14

    Ola

    Gostaria de saber se vocês estão discutindo sobre verdade e mentira, ou sobre verdade e erro, no sentido de engano, aquilo que alguém faz ou define daquele modo por não ter conseguido fazê-lo de modo melhor e mais preciso.

    Só me posicionem nisso, pois, acho que vocês estão batendo em tecla falha.

    Grato

    Responder

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