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A Maturidade, a Religião e os Iniciados

Jeff Alves | 14 de fevereiro de 2012
Há ocultistas e iogues entoando mantras demais e vivendo de menos. Tentam o despertar da Kundalini, mas não se preocupam tanto com o despertar do coração.
Elaboram rituais variados e seguem “cartilhas iniciáticas”. Contudo, enrolam-se no mais simples: Viver!
Trajam indumentárias iniciáticas ou mantos de renúncia, mas não se vestem com a luz da modéstia.
Mortificam o corpo físico, através da repressão sexual, jejuns forçados ou perfurando-o com objetos exóticos. No entanto, o corpo mental (morada da consciência, o eu real) e o corpo espiritual (o verdadeiro corpo de luz), continuam obscurecidos pela falta de discernimento e compaixão.
Praticam um misticismo exacerbado e costumam apresentar credenciais e títulos iniciáticos, que, na verdade, não provam grau de espiritualidade alguma, mas sim grande grau de vaidade.

Gostam de usar senhas esotéricas (herméticas), mas não notam que a própria vida é amplamente exotérica (aberta, clara, explícita).

Almejam o samadhi, mas o seu corpo físico lhes reclama a justa atenção: são obrigados a ir ao banheiro todos os dias.

Falam muito em união espiritual e consciência cósmica. No entanto, muitos são nacionalistas ferrenhos. Alguns, inclusive, são racistas. Apesar desse absurdo, dizem que estão trilhando a senda da luz.

É por essas e outras que o meu amigo espiritual, Rama, disse certa vez: “A grande iniciação não é realizada dentro de nenhum obscuro templo esotérico, mas sim dentro do templo luminoso do coração, onde mora o maior mestre de todos: o amor!”

Geralmente o fanático religioso quer impor a sua doutrina a ferro e fogo aos outros. Perante o seu olhar turvo de radicalismo, ele só vê infiéis a serem convertidos. Não admite a liberdade de expressão do pensamento alheio e, se precisar, é capaz até de brigar para impor o seu ponto de vista.

O fanatismo leva geralmente à intolerância, e esta, fatalmente ao combate.

O fanatismo nada tem a ver com Jesus, Krishna e Buda, pois esses mestres ensinaram o “amai-vos uns aos outros” (Jesus), a alegria de viver (Krishna) e o respeito pelos outros (Buda).

O fanático demonstra pela sua própria postura agressiva que a compreensão não é o seu forte. Aliás, é curioso o estranho paradoxo em que vive o fanático religioso: se por um lado ele prega a compaixão, a união, o respeito e a religiosidade, por outro lado ele ameaça, ataca, excomunga e até briga com aqueles que não partilham seu ponto de vista.

É de se perguntar então:

- Há algo em comum entre amor e excomunhão? Entre respeito e intolerância? Entre liberdade de expressão e doutrinação repressiva?
“Ide e pregai“, como ensinava o apóstolo, não significa “ide e ameaçai”, como faz o fanático.
“Amai-vos uns aos outros” não significa amai uns e não a outros.

Na etimologia do termo “religião“, vemos que a sua origem vem de “religar-se“, que significa “religar” o homem ao seu Criador. Em outras palavras, “Unir“!

Infelizmente, parece que o fanático não entende assim. O seu radicalismo o torna ácido, antipático e chato ao extremo. Já não lhe importa tanto religar, ele quer mesmo é converter o infiel, não importa o quanto isso custe.

É por essas e outras que se diz por aí que o fanático não tem discernimento, pois se tivesse, não seria fanático, mas sim um livre pensador. Ou seja, uma pessoa interessante e criativa no mundo.

Ainda agora, dando uma olhadinha no material desse curso, fiquei pensando se esses escritos guardados há sete anos seriam interessantes para reflexões ponderadas de outros estudantes espiritualistas. De todo modo, serve como exercício de discernimento no estudo espiritual e também de alerta consciencial sadio.

Inclusive, há um texto excelente da pesquisadora italiana Angela Maria La Sala Batä que foi entregue aos alunos do curso citado como correspondência do tema “Maturidade consciencial”. Reproduzo-o logo abaixo como excelente complemento dos temas aqui escritos.

“Ouvi dizer que maturidade é o conhecimento, cada vez maior, de não sermos nem tão extraordinários nem tão incapazes como antes acreditávamos”.

“Maturidade significa saber conciliar aquilo que é com aquilo que poderá ser”.

“A maturidade não é uma meta, mas sim uma estrada”.

“O nível da maturidade de cada criatura é avaliado pelos limites das possibilidades que ela apresenta no momento”.

“O melhor método para se alcançar a maturidade ainda é a espiritualização do homem”.

“Um dos sinais fundamentais que distinguem o homem maduro é que ele não é fixo, não é estático, mas continua a crescer, a caminhar para frente, qualquer que seja a sua idade”.

“Não se pode definir a maturidade porque ela não é um ponto fixo, não é um ponto estático, mas é, antes de tudo, uma atitude interior”.

“Não se pode falar de homem maduro se ele é unilateral, fechado num único setor da vida e falho sob alguns aspectos”.

“Uma das maiores imaturidades do ser humano é a presunção (ou senso crítico de superioridade) que nasce do fato, quase inevitável, de que com o desenvolvimento do intelecto vem acentuar-se o senso do eu pessoal e da auto-afirmação. O senso de superioridade também gera o criticismo e a separatividade”.

“Dar não significa ‘privar-se’ de qualquer coisa, mas significa expandir-se, irradiar a própria energia, expressar a si mesmo, romper o muro da separação e da solidão que circunda os outros seres, vivificando-os com a força do próprio amor”.

“Que coisa alguém dá quando ama? Dá a si mesmo, aquilo que possui de mais precioso, dá uma parte de sua vida… Dá a própria alegria, o seu próprio bom humor, a própria tristeza, todas as expressões e manifestações daquilo que possui de mais vital”.

Texto de Wagner Borges
Veja também, no blog O Alvorecer:
- Diferenças entre Ricos e Pobres
- A História de uma Folha
- A Força da Vida
- Pesquisa revela energia liberada pelas mãos
- Acarajé não é de Jesus, é de Iansã
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11 Responses to “A Maturidade, a Religião e os Iniciados”

  1. Yukio disse:
    14 de fevereiro de 2012 às 17:22

    Belíssimo texto!!!
    Tem coisas que somente experimentando o Amor , pode nos fazer reconhecer que o que verdadeiramente importa é aprender a amar.

    Responder
  2. Igor Teo disse:
    14 de fevereiro de 2012 às 19:54

    Muito bom, Jeff. São interessantes reflexões para todos nós.

    Responder
  3. Filipe B. disse:
    14 de fevereiro de 2012 às 21:59

    Um texto realmente inspirador!!!

    Eu tenho desenvolvido uma hipotese semelhante sobre o mundo, as pessoas e suas interações entre si. Entretanto, não tão coesa e tão sintética como a sua.

    O seu texto me fez relembrar de um antigo provérbio chines:
    “Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho”

    Paz Profunda!

    Responder
  4. Fabio Almeida disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 7:00

    “Trajam indumentárias iniciáticas ou mantos de renúncia, mas não se vestem com a luz da modéstia.” Estes dias rolava no facebook a foto de um “grafitti” com os dizeres: “Não adianta fazer Yoga e não cumprimentar o porteiro” o que não é difícil de ver por aí…

    “O homem profano só se interessa pelo homem-corpo.
    O homem místico só crê no homem-espírito.
    Mas o corpo sem alma é cadáver – e a alma sem corpo é fantasma.”

    Abraços

    Responder
  5. Ricardo disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 7:38

    Também gosto de pensar assim. Na verdade, a compreensão da vida parece muito com várias pessoas observando uma serra: para alguns, uns morros parecem mais altos e para outros, esses mesmos morros parecem menores ou nem são visíveis, assim como variam o formato, o tom de coloração, etc. Como descritores da serra, mas vendo de locais diferentes, cada um pinta a imagem que vêem da serra e dizem que aquela é a serra, mas a visão deles é tão diferente entre si… Cabe brigar pra ver quem é que realmente retratou melhor a serra? Na verdade, a serra continua a serra, o que muda é o ângulo pelo qual as pessoas a observam. Ás vezes, um certo morro parece maior só porque é o que está mais perto e talvez, uma pessoa só veja ele, se estiver com o rosto colado em suas paredes. No fim, mais gostoso que observar a serra em vários ângulos e se deliciar com essa visão, é se aventurar pela serra: escalar paredes de pedra, caminhar por trilhas sob árvores, quem sabe até nadar no poço de uma cachoeira… Talvez, ao invés de se encantar com a visão ao observar a serra, a gente se encante com a visão que se tem de dentro dela: desta serra estranha chamada vida…

    Abraços

    Responder
  6. Peterson disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 12:53

    Excelente texto Fr.’., obrigado por compartilha-lo.

    Uma pergunta: Quando ele fala em Mestre Rama, é do Ramatis que ele se refere?

    @jeffalves20 – Rama é um dos avatares de Vishnu.

    Responder
  7. Evaldo Maia disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 13:24

    cara, seus textos sao muito bons, parabens mesmo!
    muita paz pra vc!

    Responder
  8. Rodrigo Wladyka disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 23:53

    Cara, só tenho a dizer uma coisa……
    meus parabéns…..

    li alguns artigos seus e seu blog foi pro favoritos…..

    parabéns novamente……

    um GRANDE ABRAÇO!!!!!!!!!!!!!

    Responder
  9. Rodrigo Wladyka disse:
    15 de fevereiro de 2012 às 23:54

    Ah!

    e muito obrigado por compartilhar o seu conhecimento e sabedoria conosco!!!!!!!!!

    Responder
  10. paulo rodrigues disse:
    16 de fevereiro de 2012 às 6:55

    Essa coluna está cada vez melhor…ótimo esse texto compartilhado aqui… conheço o Wagner Borges pelos cursos.

    Paz e amor pros irmãos do TDC!

    Responder
  11. Ana Ramos disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 19:26

    Esse é um dos maiores riscos de se aprofundar no conhecimento, seja no oculto ou qual for: achar-se num pedestal superior aos demais e esquecer o que realmente importa na jornada do conhecer. Belíssimo texto, uma lembrança daquilo que é o mais importante e deveria ser o foco principal de todos.

    Responder

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