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A Música na Umbanda

Fabio Almeida | 22 de fevereiro de 2012

Um dos mais importantes fundamentos na umbanda é o ponto cantado e as cantigas em louvor aos Orixás. Estes pontos funcionam de maneira análoga aos mantras que evocam determinadas energias, entre diversas finalidades, servem tanto para trazer as entidades como para se despedir delas. As pessoas responsáveis por isso recebem o título de Curimba, eles “defendem” a gira com uma série de pontos corretamente selecionados, purificam o ambiente e auxiliam o médium na incorporação.

De origem africana, o atabaque é um instrumento Sagrado, Consagrado e Firmado por Orixás e Guias. Constituído por couro animal, madeira e ferragens, essas três partes correspondem as seguintes regências: O couro pertence ao Caboclo que dá força ao atabaqueiro para tocá-lo, a madeira a Pai Xangô que dá ao atabaque a condição de justiça para não ser utilizado para o mal, a ferragem aos Exús que não permitem que eles sofram demandas. “É na verdade o caminho e a ligação entre o homem e seus orixás, os toques são o código de acesso e a chave para o mundo espiritual“ 

Existem três tipos de atabaques:

Rum (grave) – É o primeiro atabaque, onde fica o chefe da Curimba. Ele lidera todos os outros curimbeiros que se seguem. Geralmente é quem dá início aos cânticos e o toque. Estes deverão ter conhecimentos mais aprofundados sobre a doutrina umbandista e música.

Rumpi (médio) – Neste fica o segundo curimbeiro que auxilia “puxando” e cantando os pontos, podendo também iniciar o toque.

Lê (agudo) – O terceiro curimbeiro realça o toque e acompanha o canto. Nestes últimos atabaques, geralmente são colocadas pessoas amadoras com relação ao conhecimento musical e doutrina umbandista.

O uso do atabaque na Umbanda também ajuda no processo de sincronização do ritmo cardíaco de todas as pessoas no terreiro, tornando possível que tanto pessoas muito agitadas, como muito sonolentas tenham seu ritmo cardíaco normalizado.

Em suma, os atabaqueiros transmitem a vibração da espiritualidade superior através dos atabaques, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, são como mensageiros entre nós e o mundo espiritual.

Sabemos que, grosso modo, a comunicação entre os planos espiritual e material, efetua-se através da sintonização de frequências. Cantar e bater palmas juntos, faz com que a vibração das pessoas entre na mesma faixa de freqüência do trabalho que será realizado, afastando maus espíritos, diluindo miasmas, larvas astrais e criando toda uma atmosfera psíquica com condições ideais para a realização das práticas espirituais.

No plano espiritual, antes de dar início no processo de incorporação, os guias aguardam nossa vibração equilibrar-se com a vibração deles, desta forma, quando começamos a cantar os pontos dos guias que trabalharão na gira, estamos avisando os guias que estamos prontos. Uma só melodia, ritmo cardíaco igualado, foco em um mesmo objetivo, tudo isso fortalece os trabalhos dentro de uma egrégora e facilita a aproximação das entidades.

Os cantos, quando vibrados de coração (assim como nos mantras indianos é a vibração do osso esterno, localizado logo a frente do coração), atuam diretamente nos chakras superiores, notavelmente o cardíaco, laríngeo e frontal, ativando-os naturalmente e melhorando a sintonia com a espiritualidade superior, assim como, os toques dos atabaques atuam nos chakras inferiores, criando condições ideais para a prática da mediunidade de incorporação.

“Ah, como é lindo o batuque do Tambor
Ah, como é lindo o batuque do Tambor
Na Umbanda linda de Nosso Senhor
Na Umbanda linda de Nosso Senhor
É a mensagem que enaltece os Orixás
É a oração que elevo ao senhor
É a vibração que nos faz incorporar
Sem batuque na Umbanda não se pode trabalhar
Eu não sabia, mas agora aprendi
Que o canto faz a gira de Umbanda
Quem canta, encanta a vida dos Orixás
É uma benção divina que emana muita paz”
(Louvação aos Atabaqueiros)

Referências

MATTOS, Sandro da Costa O livro Básico dos Ogans.
ORPHANAKE, João Edson A umbanda às suas ordens.
http://www.espiritualismo.hostmach.com.br/umbanda2.htm
http://www.umbandacomamor.com.br/aumbanda/elementos/atabaques.html
http://www.daemon.com.br/wiki/index.php?title=Umbanda


Fabio Almeida é membro do Projeto Mayhem e autor do blog Sinfonia Cósmica.

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21 Responses to “A Música na Umbanda”

  1. Moscavich disse:
    22 de fevereiro de 2012 às 19:58

    Realmente quem canta reza duas vezes.

    Responder
    • Perdido disse:
      23 de fevereiro de 2012 às 22:25

      Prezados,

      Diante deste post sobre a relação entre a música e a espiritualidade, em conjunto com o comentário acima, surgiu-me uma dúvida.

      Quais seriam os efeitos sobre as pessoas das “músicas” (com aspas) que tocam continuamente no rádio e na televisão, aí incluídas aquelas empregadas em comerciais?

      Caso vos seja possível e conveniente (talvez não o seja) responder, desde já agradeço.

      @FDA – Os mais variados possíveis, no caso dos comerciais fica óbvio que é pra induzir o consumo, lembro-me de alguns comerciais que foram banidos judicialmente por utilizarem mantras em seu jingles… Há um bom post sobre isso AQUI

      Responder
  2. Paulo disse:
    22 de fevereiro de 2012 às 22:09

    Muito bonito trabalho… com tanta discriminação religiosa hoje em dia, fiquei feliz em ler tão rica matéria.

    Responder
  3. Francieli disse:
    22 de fevereiro de 2012 às 22:14

    Opa! Adorei o post Fabio, parabéns!

    Responder
  4. Saulo disse:
    22 de fevereiro de 2012 às 22:39

    Muito legal Fabio.

    Responder
  5. Luiza disse:
    22 de fevereiro de 2012 às 22:56

    Na prática é mais ou menos assim:
    http://www.youtube.com/watch?v=xTOI5kDjFiE

    Curimba do Terreiro
    Letra: Celso Cunha Neto
    Música: Suêzi Nogueira

    Quem bate a cabeça pro atabaque
    Respeita uma energia que não se mede
    E reconhece que a vida da nossa Umbanda
    Soa num couro que apanha
    Escorre no suor daquele que bate e daquele que canta
    E encanta o preto velho, o caboclo e a criança

    Quem bate nesse couro que tanto apanha
    Faz de seus braços e de suas mãos
    A extensão da sua alma
    Dá voz a Zambi e a todos os Orixás
    Bate com força
    Bate com fé
    Bate com emoção
    Quem bate num atabaque de terreiro
    Passa pro couro
    As batidas do coração

    Vamos saudar a curimba do terreiro
    Que com força anuncia que o trabalho começou
    A voz da Umbanda é o couro do atabaque
    Que em meus ouvidos batem
    E diz que Deus me abençoou 2x

    Pai Serafim convocando nossos guias
    Que aqui chegam com alegria
    Abençoar nossos irmãos

    Som do atabaque impulsiona a vibração
    O Ogã passa pro couro as batidas do coração
    Som do atabaque impulsiona a vibração
    O Ogã passa pro couro as batidas do coração

    Responder
  6. Libano disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 7:20

    Grande Fabio!
    Mais uma vez um ótimo post cara!
    E sobre aquelas ondas binaurais, que são sons meio “abstratos” que dizem que colocam vc numa certa frequência e também causam alguns “efeitos”….sabe alguma coisa? É real mesmo ou só placebo?

    Abraço

    @FDA – Salve Libano! Depois daquela experiência no terreiro, seria muita ingratidão não escrever sobre o quão musical é a Umbanda… Faz um tempo que eu estou querendo escrever sobre os sons binaurais, mas quero experimentar os sons por mais vezes, conversar com mais pessoas que experimentaram e comparar os efeitos. De trinta sons, tive apenas uma experiência bacana :( e me parece que os efeitos variam muito de um indivíduo para outro, vou estudar mais sobre o assunto e assim que puder escrevo um post. Se você ou mais alguém quiser compartilhar experiências e/ou materiais sobre o assunto me mande pelo e-mail fabiotartini@hotmail.com
    Abraço!

    Responder
    • Libano disse:
      23 de fevereiro de 2012 às 10:45

      Hahaha realmente prato cheio pra falar da música! Quanto as sons binaurais….vou dar uma testada aqui tb e te passo as experiências!

      Abraço!

      Responder
  7. Mariana disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 12:54

    Obrigada, Fábio. Estava buscando essa informação faz umas duas semanas.

    “Retira a jangada do mar,
    Mãe d’agua mandou avisar!
    Que hoje não pode pescar,
    Pois hoje tem festa no mar!

    Ê,ê,ê,ê, ê, ê Iemanjá !
    Ela é, ela é a Rainha do mar!

    Ê,ê,ê,ê, ê, ê Iemanjá !
    Ela é, ela é a Rainha do mar!

    Traz pentes, traz espelhos,
    ôôôô
    Pra ela se enfeitar!
    ôôôô
    Traz flores, traz perfumes,
    feito a cor do mar!”

    Responder
  8. Michele disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 14:06

    Lendo isso, lembrei de Clara Nunes, e a força incrível e ao mesmo tempo hipnotizante que emanava dela quando cantava em homenagem aos orixás. Belo post!

    Responder
  9. Luiza disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 20:14

    Também tem a linguagem particular do ponto cantado: o ponto lança símbolos no consciente e no inconsciente.
    Uma boa letra de ponto traz os símbolos que remetem àquela força na Natureza e à Força interior individual identificada naquela divindade ou arquétipo.
    A curimba tem o poder de trazer a vibração daquela Divindade para o terreiro e para cada um de nós. Invoca e evoca.
    É muito poder!

    Responder
    • Luiza disse:
      23 de fevereiro de 2012 às 20:19

      Quem é que vai se sentir fraco cantando isso a plenos pulmões?

      Eu tenho Sete Espadas pra me defender

      Eu tenho Sete Espadas pra me defender

      Eu tenho Ogum em minha companhia

      Eu tenho Ogum em minha companhia

      Ogum éééé meu Pai
      Ogum éééé meu Guia
      Ogum éééé tão forte
      Filho do Céu
      e da Estrela-Guia!

      Responder
  10. Luiza disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 20:36

    http://www.youtube.com/watch?v=ofiZtAJFt_A

    Quem fez este ponto (Leo Artese), sabia do poder destas palavras. Sabia que o mar é símbolo do Inconsciente, Sabia que é preciso a luz da Lua – referência ao modo como cada um é intimamente para acessar o emocional profundo (e verdadeiro).
    E que o Rei necessita do poder da Rainha (que mora dentro de cada um dos homens e mulheres) para criar, gerar e nutrir.

    Que Mamãe Yemanjá nos ajude nesta busca de acesso ao Inconsciente e ao nosso Verdadeiro Eu.

    Odoyá

    (luar, raio prateado, iluminando céu, espumas da mar

    clarão à beira-mar, Mamãe

    sereias, abençoar, Rainha

    dona das águas, Mãe

    iluminai , profundas águas

    decifrar mistérios de meu Mar

    mar de emoções, Rainha, me iluminar

    Yemanjá, princípio gerador

    amor fundamental, puro, maternal

    vem confortar)

    Responder
  11. ANDREA disse:
    23 de fevereiro de 2012 às 22:33

    Eu cozinho cantando pontos para Ogum. Acho que isso transforma a minha comida em Kosher… ;o)

    Responder
  12. Andre disse:
    24 de fevereiro de 2012 às 6:52

    Uma sugestão, podia conversar com o DelDebbio depois para reservar uma parte do blog com musicas como pontos cantados, mantras e outros tipos, com letras e/ou videos.

    @FDA – Achei bacana a sugestão, eu só não coloquei exemplos porque não há nada melhor do que sentir estas vibrações pessoalmente, nada contra assistir e ouvir as músicas via youtube, mas minha sugestão é que procurem um terreiro e vão ouvir estas músicas pessoalmente, aí vocês vão entender BEM o que eu quero dizer…

    Responder
    • Paulo disse:
      24 de fevereiro de 2012 às 14:21

      Irmãos, creio que já deve existir espaço parecido na wiki do projeto mayhem. Caso não exista, lá é o espaço, entendo eu.

      Salve nosso Pai Olorum, viva Umbanda.

      Responder
  13. sussu disse:
    24 de fevereiro de 2012 às 8:51

    muito legal o post.
    sugiro você curtir uma palestra que foi gravada ano passado no Pai Maneco de Curitiba, http://www.paimaneco.org.br/musicas/palestra-marcirio-nunes
    esse Marcirio Nunes faz parte da mesma tenda que a finada filha do Zélio de Moraes, o conhecimento dele é imenso, depois disso mudou bastante a forma de eu cantar durante os trabalhos de uma gira.

    @FDA – Obrigado pelo link, e fica a dica pra quem quiser se aprofundar.

    Responder
  14. Marcos disse:
    24 de fevereiro de 2012 às 16:36

    Opa,

    Lendo isso andei pensando em um post do MDD onde ele diz que certas bandas de black metal conseguem fazer uma vibração na música para alterar negativamente os chakras de quem as ouve.

    Isso realmente existe? Poderia explicar melhor?

    Se sim, quais bandas atualmente fazem esse tipo de coisa?

    []s!

    Responder
    • Alan Cosme disse:
      24 de fevereiro de 2012 às 21:06

      Duvido muito. Devido a sua temática envolvendo histórias sinistras e de terror tem um monte de crendices envolvendo o Black Metal, e porque não dizer o rock pesado de modo geral. Sou fã de Metal extremo e nunca fui compelido a fazer nada de nocivo por causa das músicas que ouço. Sou uma pessoa calma e muito tranquila. O que contraria o estereotipo do ouvinte de música pesada. Por causa disso as pessoas até se impressionam quando descobrem que o Metal extremo é um dos meus estilos musicais favoritos.

      @FDA – Em uma postagem anterior teve um amigo que postou este link AQUI onde há um bom texto sobre Black Metal como Exercício Espiritual.

      Responder
      • Marcos disse:
        25 de fevereiro de 2012 às 1:23

        Digo isso por causa disso aqui que o MDD disse certa vez:

        “Existem algumas bandas verdadeiramente “satânicas” (no sentido de venerarem egrégoras misantrópicas), que embutem mantras e sigilos nas capas dos álbuns (mas não vou falar o nome delas por motivos óbvios de não fazer propaganda pra esse povo) e que apenas escutar algumas músicas destas bandas já afetam alguns chakras negativamente. ”

        Segue o link: http://www.deldebbio.com.br/2010/06/02/pr-belzebu-satanas-e-lucifer/

        Responder
  15. Nicolas disse:
    28 de fevereiro de 2012 às 22:51

    Uma informação que poco é sabida: os nomes dos atabaques como foi passado são de origem Jeje. Os nomes dos atabaques na nação Ketu (a que mais se assemelha a Umbanda) são Ilú (o do meio), Otun Ilú e Ossi Ilú (direita e esquerda na língua yorubá).

    Quanto ao couro, madeira e metal vou perguntar e pesquisar. Nunca ouvi ninguém comentar sobre isso.

    Eu estou pra postar a um tempo isso:
    Cada cantiga/ponto cantado tem uma função. E pode ser dividida com alguns nomes. Ponto de defumção, de chamada, de firmeza, de demanda, de subida, dentre outros. É importantíssimo saber cada momento que cada um deles deve ser tocado na gira – do mesmo modo que não se deve entoar o mantra X para atingir um “objetivo” Y.

    Responder

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