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A História de Ganesha

deldebbio | 28 de outubro de 2008

Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.

Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe:
— Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros?
— É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto lhe amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação.
Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora pela meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer de que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu. Muito tempo se passou quando, finalmente, Shiva levantou-se da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E não ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E, no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati se mantinha perto do portão, aguardando sua mãe. Nesse instante, um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. “Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?”
— Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês.
— Não — respondeu Ganapati — você não pode entrar!
Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras, e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente.
— Mas o que você fez? O que você fez? — Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça?
Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito… Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram a Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prosseguiu:
— Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura.
Acrescenta, Vishnu: — Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as novas empresas.
E foi assim que tudo aconteceu…

A Simbologia do deus Ganesha

Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”. É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmo”. Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. Seus braços representam os quatro atributos do ser: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima), carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio.

GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA

Por Wagner Veneziani Costa
http://www.madras.com.br

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« As Quatro Nobres Verdades Energia Telúrica, Linha de Ley, Pirâmides e Círculos »

15 Responses to “A História de Ganesha”

  1. D'Artagnan says:
    28 de outubro de 2008 às 1:41

    Lindo! Quase me fez chorar relembrar a história de Ganesha.

    Muito obrigado.

    mas mudando de assunto:
    E as colunas do S&H????????

    Reply
  2. duendedechapeu says:
    28 de outubro de 2008 às 1:45

    o rato tbm ilustra q ganesha conseguiu dominar seus sentimentos “malkutianos”

    nota: um elefante tem medo de rato pelo medo do rato entrar na tromba e com isso começar a morde-lo por dentro…

    ganesha domina isso =]

    otimo post

    Reply
  3. Dinah Chershire says:
    28 de outubro de 2008 às 23:36

    Adorei a forma de contar a história!

    Reply
  4. O Céu, o Inferno e Teodora | Sedentário & Hiperativo says:
    29 de outubro de 2008 às 12:37

    [...] Energia Telúrica, Linha de Ley, Pirâmides e Círculos – A História de Ganesha – As Quatro Nobres Verdades – Os Pobres Cavaleiros de Cristo – Zeitgeist Addendum – Zeitgeist – [...]

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  5. Remember, Remember, the 11th of Setember… | Sedentário & Hiperativo says:
    3 de novembro de 2008 às 18:34

    [...] doa cheque sem fundo vai para o SERASA – Energia Telúrica, Linha de Ley, Pirâmides e Círculos – A História de Ganesha – As Quatro Nobres Verdades – Os Pobres Cavaleiros de Cristo – Zeitgeist Addendum – Zeitgeist – [...]

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  6. O Alcorão e a Papisa Joana | Sedentário & Hiperativo says:
    13 de novembro de 2008 às 3:00

    [...] doa cheque sem fundo vai para o SERASA – Energia Telúrica, Linha de Ley, Pirâmides e Círculos – A História de Ganesha – As Quatro Nobres Verdades – Os Pobres Cavaleiros de [...]

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  7. A História de Ganesha « Teoria da Conspiração says:
    9 de janeiro de 2009 às 1:45

    [...] Continue lendo a História de Ganesha. [...]

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  8. Energia Telúrica, Linha de Ley, Pirâmides e Círculos | Sedentário & Hiperativo says:
    12 de janeiro de 2009 às 20:39

    [...] Novidades no blog Teoria da Conspiração e no site de RPG: – A História de Ganesha – As Quatro Nobres Verdades – Os Pobres Cavaleiros de Cristo – Zeitgeist Addendum – Zeitgeist – [...]

    Reply
  9. gabriela fagundes says:
    18 de fevereiro de 2009 às 17:52

    É uma linda história e mesmo que lida muitas vezes emociona e faz os olhos lágrimejarem. É lindo o amor de Parvati por Shiva e pelo seu filho Ganapati.

    Reply
  10. Vitor says:
    25 de fevereiro de 2009 às 21:21

    Gente essa historia…………………………………………..eh muito linda e legal para lerenm pelomenos 1 vez por dia

    Reply
  11. vick says:
    28 de maio de 2009 às 10:38

    adorei a historia

    Reply
  12. lorena says:
    16 de junho de 2009 às 21:46

    Eu pratico Yoga des dos meus 3 anos de idade, quando eu comecei a praticar yoga a minha professora me contou esta histora e eu achei essa historia MUITO legal e emocionante!!

    beijos Lorena
    OBS: eu tenho 10 anos

    @MDD – Oi !!! Que bom que gostou. Acho que você deve ser a minha leitora mais jovem. E com um vocabulário muito bom. Continue visitando, vou elaborar mais posts sobre deuses.

    Reply
  13. elton says:
    30 de julho de 2009 às 23:37

    lindo amei eu tenho ate un

    Reply
  14. cristiano hamester says:
    26 de setembro de 2009 às 21:58

    aprendi muito mais com essa história,e hj tenho tattooado em meu braço esquerdo o Deus ganesha com muto orgulho e amor…
    Será o meu DEUS PIONEIRO…

    Reply
  15. octarina says:
    29 de janeiro de 2010 às 19:29

    De uma entrevista com o Adriano Camargo no morte súbita:

    “Satã também é a força impetuosa que impulsiona o indivíduo a progredir, é a força agressiva para enfrentar as dificuldades da vida material, para enfrentar os problemas do mundo, para transpor as barreiras que nos impedem de crescer, de aprender.”

    Então, não existe algo de satã em ganesha?Ok, minha dúvida pode ser idiota, mas é que eu fico procurando correspondencia com ganesha em outros deuses e culturas e acabo pensando em vários, como mercúrio e agora satã.

    Reply

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