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Magia Sexual

deldebbio | 23 de novembro de 2008

A Magia Sexual, conhecida no Oriente como Tantra, é a prática ritualística desenvolvida através das energias canalizadas do corpo físico, da mente e do espírito humano. O ato de criar outras vidas através de relações sexuais e instituir uma força, ou um vínculo energético entre as pessoas envolvidas, é visto como místico e sagrado.

Como outras modalidades de Magia, a Magia Sexual também é um recurso usado como fonte do poder que fortalece as cerimônias ritualísticas e para obter o auto-conhecimento através da exploração do próprio corpo, psique e alma. A Magia Sexual é uma das faces mais importantes da Magia moderna.

Utilizada tanto nas escolas ocidentais como nas orientais, sua origem nos remete às práticas das crenças pré-cristãs, sendo que os primeiros registros datam de 3000 a.C.. A Antiga Religião da Europa baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. O conceito pagão da atividade sexual era saudável e natural. Era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através dos próprios sentidos, com a manifestação afetiva de um indivíduo ou simplesmente a ação de compartilhar prazer e desejo carnal com outra pessoa. Assim, mulheres consagradas serviam aos deuses em templos, o homossexualismo e o heterossexualismo eram apenas definições das preferências sexuais, etc.

Existem dois canais de energia no corpo humano que estão associados ao sistema nervoso central e à medula espinhal, conhecidos no Ocidente como Lunar e Solar ou Feminina e Masculina (receptiva/negativa e ativa/positiva). Geralmente, entre os não-praticantes da Magia Sexual, apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. Entre as mulheres, apenas a corrente lunar flui desimpedida. Entre os homens, apenas o canal solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. Em todas as situações, este fato causa um desequilíbrio e influencia negativamente várias esferas da vida humana.

Portanto, segundo este raciocínio, o estado sexual natural é a bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina. Desse modo, o sexo é meramente uma circunstância física. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu.

Um dos maiores divulgadores da Magia Sexual contemporânea ocidental é Aleister Crowley, através da doutrina do Thelema. Posteriormente, diversas escolas iniciáticas a adotaram e adaptaram de acordo com a própria filosofia. Porém, os princípios básicos permanecem inalterados. Na Índia, ainda é uma das práticas mais utilizadas no hinduísmo.

Apesar de (teoricamente) compor vários sistemas mágicos, atualmente, a maioria das tradições não incorpora a Magia Sexual em suas atividades. Isto se deve a opção pessoal dos praticantes (inibição e preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis) e a pressão social de uma cultura judaico-cristã, onde o sexo é visto como algo pecaminoso e polêmico. Deste modo, nos ritos sexuais modernos, são usadas representações simbólicas dos antigos elementos da fertilidade, sejam objetos que representem os genitais ou apenas uma dança ou encenação erótica.

Sagrado Feminino
Nas antigas crenças pagãs, os pólos femininos da criação eram reverenciados como sagrados e a mulher era vista como o principal canal gerador de vida. A Deusa era a divindade principal, responsável pela criação de todas as formas viventes. Dessa forma, os ritos que envolviam Magia Sexual, utilizavam-se de mulheres e do sangue menstrual como elementos principais do Altar Cerimonial.

O altar sagrado é formado por uma mulher que se deita de costas, nua, com as pernas dobradas e afastadas (de forma que os calcanhares toquem as nádegas). Um cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando-o ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo. Derrama-se o vinho sobre o cálice. O Sumo Sacerdote pinga três gotas de vinho, uma no clitóris e uma em cada mamilo, traçando uma linha imaginária que forma um triângulo no corpo feminino, tendo o útero como centro. Segue-se um beijo em cada ponto, enquanto a invocação é recitada.

Fluidos Mágicos
Os fluidos produzidos no corpo humano de forma natural ou através da estimulação sexual, também são utilizados nas cerimônias herdadas dos povos antigos que envolvem a Magia Sexual, e são empregados para um determinado objetivo.

O vinho ritual continha três gotas do sangue menstrual da Suma Sacerdotisa do clã, que unia magicamente os celebrantes nesta vida e nas próximas encarnações. Os caçadores e guerreiros eram ungidos com pinturas ritualísticas que continham sangue menstrual. Acreditava-se que ao unir o sangue de duas pessoas, criava-se um vínculo entre ambas. Ungir os mortos com o sangue era uma forma de assegurar o retorno à vida. O sêmen era considerado energia canalizada que vitaliza o praticante que o recebe. Ainda, o estímulo dos mamilos faz com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso ativa o fluxo de certos fluidos através do canal vaginal.

Criança Mágica
A criança mágica é um termo utilizado na Magia Sexual ocidental para designar uma imagem no momento do orgasmo. Neste caso, a energia sexual não é liberada como no ato sexual tradicional, mas inibida por períodos prolongados e canalizada através da mente para que se manifeste numa forma de pensamento mágico, formando uma imagem astral durante o orgasmo.

Para esta atividade, é necessário que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentra-ção/visualização e um controle firme sobre a própria força de vontade pessoal, de forma que no momento do orgasmo, não haja nada mais na mente que a imagem que deseja ver criada. Se estiver incompleta ou difusa, é possível que interferências negativas se manifestem e passem a consumir a energia sexual do praticante. Este conceito é uma das bases na crença dos Sucubus.

Pancha Makara
A corrente oriental da Magia Sexual, chamada Tantra, é dividida em cinco categorias de aplicações distintas conhecidas como Cinco M ou Pancha Makara, que em sua maioria, são canalizados no campo físico (Caminho da Mão Esquerda) e outro simbólico (Caminho da Mão Direita). O Pancha Makara recebe interpretações diferenciadas nas cerimônias praticadas nas correntes do Ocidente, ou em algumas situações, são adaptadas ou omitidas.

Madya Sadhana
A palavra Madya significa Licor e este princípio está relacionado à aplicação do Caminho da Mão Direita com uso adequado de estimulantes que ativam o sétimo chakra, Sahastrara, considerado o último nível de evolução da consciência humana e responsável pela integração dos outros chakras.

Mamsa Sadhana
O termo Mamsa pode ser traduzido como carne e significar que este princípio está associado ao uso ritualístico de carne. Também pode ser compreendido como fala (do verbo falar) e ser interpretado como uma invocação ou um mantra. Em quaisquer dos casos, está associado ao Caminho da Mão Esquerda (Físico).

Matsya Sadhana
Matsya significa peixe. Este princípio é usado tanto no aspecto físico como no simbólico. É visto como um fluxo psíquico que corre através dos canais da espinha dorsal, ou minoritariamente, como o consumo ritual de peixe num banquete ou Eucaristia.

Mudra Sadhana
Este é o mais conhecido fora dos círculos tântricos e é utilizado de maneira similar nos Caminhos Esquerdo/Direito. Representa o uso de posições específicas do corpo (especialmente da mão) para simbolizar ou encarnar certas forças, além de efetuar mudanças na consciência.

Maithuna Sadhana
A palavra Maithuna refere-se a união sexual. Este princípio, que atua tanto no aspecto físico como simbólico, está relacionado primitivamente com a atividade sexual. Porém, pode ser interpretado também como a atividade simbólica.

Por Spectrum

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Religiões
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Magia Prática, Tantra
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14 Responses to “Magia Sexual”

  1. Schimidt says:
    23 de novembro de 2008 às 20:13

    Muito interessante Marcelo.
    Quando vamos falar de mais exercícios práticos dos chakras?

    Reply
  2. luramos says:
    24 de novembro de 2008 às 5:15

    e o que acontece com as fantasias sexuais? pensamentos sem intencao, mas diretamente relacionados ao ato sexual se transformam em que?

    @MDD – depende da maneira como você os utiliza. Qualquer fantasia pode ser realizada (materializada) ou não, se não for, pode ou não se tornar algo obsessivo. Tudo vai depender da intensidade, quantidade e vontade colocada nessas fantasias.

    e porque no Tantra a mulher nao precisa ter controle e pode ter qts orgasmos quiser, se eh que esta afirmacao estah correta.

    @MDD – no tantra, a mulher precisa ter um controle diferente do que o do homem. Na verdade, ela terá orgasmos multiplos e cada vez mais intensos, que estarão conectados ao do parceiro. O homem segura apenas a ejaculação e ereção, seus orgasmos vêm por intermedio da parceira, ou seja, ele sente o que ela sente (cada vez que ela tem um orgasmo, ele sente também, e cada sequência de orgasmos está conectada a um chakra cada vez superior, até a fusão com o cósmico no Sahasrara). Claro que estou falando de Maythuna, que é o ato sexual ritualístico tântrico, não vai ser em toda transa que isto vai ocorrer. Existe toda uma preparação de exercícios de respiração, movimentação de energia, alimentação, etc.

    Reply
  3. Diego C. Castro says:
    24 de novembro de 2008 às 9:24

    So fazendo uma correção de um possível mal entendido:

    O natural não é a bissexualidade (eu entendi o uso do termo, mas para a maioria pode ficar confuso) e sim a androginia. Mas a androginia espiritual, a união da alma espiritual (buddhi) que é o polo feminino com a alma humana (Manas superior) que é masculino, formando assim o Ser completo, acima da dualidade sexual.

    Reply
  4. Fabio says:
    24 de novembro de 2008 às 11:30

    Interessante…Mas algumas coisas me parecem vagas.
    Quais livros recomenda sobre o assunto?

    Reply
  5. andromeda says:
    24 de novembro de 2008 às 15:10

    Interessante, tio. Eu também gostaria de me aprofundar no tema.
    Se voce puder recomendar algum livro, por favor, seria ótimo.
    Abraço fraternal!

    Reply
  6. Pablo Sardinas says:
    24 de novembro de 2008 às 16:23

    A escolha da trilha (esquerda/ direita) dos rituais utilizados nas diferentes escolas levam a “caminhos” opostos ou são simplesmente outras maneiras de se chegar ao mesmo lugar?

    Reply
  7. RW says:
    24 de novembro de 2008 às 16:35

    Olá MDD! Boa explanação “deles”. “Apertem os sintos que o piloto sumiu” rsrsrs…..

    Reply
  8. Diego C. Castro says:
    24 de novembro de 2008 às 17:00

    Pablo Sardinas, levam a “objetivos” diferentes.

    Reply
  9. Fabio says:
    25 de novembro de 2008 às 11:17

    Engraçado…Estive comparando esse ritual descrito com outros rituais, onde a mulher menstruada não pode participar.
    Um outro ritual “cristão” e ao mesmo tempo “pagão” pelo ponto de vista dos catolicos é o preparo do chá do santo daime, onde as muheres menstruadas não podem participar.
    Outro fato interessante é a colheita de uvas e o preparo dos vinhos e até mesmo de salames, em pequenas propriedades no sul do pais, as muheres não devem nem estar na propriedade no periodo da menstruação.
    Outra coisa interessante é a abstinencia sexual 3 dias antes e 3 dias depois do ritual de preparo do santo daime.
    Vc pode nos dizer mais sobre isso?

    Reply
  10. Psicodelias, Relâmpagos e Catedrais | Sedentário & Hiperativo says:
    4 de dezembro de 2008 às 5:05

    [...] os Rituais e o Tempo – Chakras, Kundalini e Tantra – parte III – Arcano 3 – Imperatriz – Daleth – Magia Sexual – Exercícios Práticos – 01 – A Constante de Boltzman, Chakras e a Física Quântica – Vaticano [...]

    Reply
  11. Que fim levaram os Apóstolos? | Sedentário & Hiperativo says:
    10 de dezembro de 2008 às 3:02

    [...] os Rituais e o Tempo – Chakras, Kundalini e Tantra – parte III – Arcano 3 – Imperatriz – Daleth – Magia Sexual – Exercícios Práticos – 01 – A Constante de Boltzman, Chakras e a Física Quântica – Vaticano [...]

    Reply
  12. Rafael says:
    13 de janeiro de 2009 às 14:18

    MDD,

    Vc ja falou varias vezes que a masturbação não eh uma coisa muito saudavel, pode criar succubus e etc..

    ai rodando pela net eu achei esse artigo

    http://www.gnosisonline.org/Tantrismo/Polucoes_e_Quedas.shtml

    eh uma boa seguir o que esse site indica? eh bom controlar o exercicio da vela e chakras primeiro? ou precisa de algum nivel e etc..?

    o que vc acha?

    obs: o site ficou legal.. só deixo a dica de deixar um meio de navegar pelas categorias sem usar o axis mundi, que eh legal. mas um metodo tradicional e mais rapido seria interessante tb.. nem que abra uma pagina separada com todas as tags.. assim não quebraria o layout do site..

    @MDD – O Weor é “meio que totalmente” contra o sexo… Não é a minha linha tantrica, mas é um caminho…

    Reply
  13. raph says:
    4 de março de 2009 às 17:02

    Interessante o texto.

    Eu não sou ocultista, mas reconheço que o sexo pode ser praticado de forma espiritual, por exemplo, “pensar na Natureza e se excitar, canalizando essa ‘energia’ para algum pensamento específico”, sem estar mentalizando necessariamente um ser humano ou qualquer animal, nem qualquer ato sexual, é um forma de se realizar isso…

    Abs
    raph

    Reply
  14. Filipe Wels says:
    27 de abril de 2009 às 15:33

    Gostei do texto, mas um porém: O Weor nao é contra o sexo. Faz tempo que nao leio ele, mas ele criticava bastante o puritanismo, e pregava o sexo sem ejaculacao para despertar Kundalini.
    Nao sou seguidor do Weor, mas nem de longe era contra o sexo. Apenas contra essa libertinagem sexual de hoje em dia, que é o polo oposto do puritanismo do passado.

    Reply

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