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A Música

deldebbio | 24 de abril de 2009

Sabe-se que antes de o fazer pelo ar, o som se propaga pelo éter; este quinto elemento ou quintessência Hermética é a origem dos quatro restantes. Por sua extrema rarificação imaterial, superior à do fogo, com o qual às vezes se identifica, o éter é o veículo por excelência da luz inteligível e do som inaudível, cuja natureza vibratória faz serem todos os elementos uma só e mesma coisa, antes de se diversificar através dos sentidos até o mundo exterior. Por sua extrema plasticidade, pureza, e receptividade absolutas, a Tradição também assimilou simbolicamente este elemento à água, à substância universal. Por isso a concha marinha, cuja forma nos lembra ao yoni feminino e à orelha humana, é o representante unânime (como as conchas de água benta dos templos cristãos) do poder purificador, produtivo e “generativo” deste supra-elemento divino.

É de sobra conhecida a lenda que faz das conchas as conservadoras do som do mar. Esta propagação se realiza em forma ondulatória, da qual a espiral é símbolo por excelência. Diremos, ademais, que este símbolo está estreitamente vinculado ao logaritmo pentagramático do crescimento dos seres vivos, o que explica a estrutura espiral própria das conchas e caracóis, bem como a do ácido desoxirribonucléico que preside a corrente genética, e também outros muitos exemplos que omitiremos por enquanto.

A medicina pitagórica atribuía à música um poder terapêutico por excelência. Disso também nos dá referência a Alquimia, quando faz coincidir os centros musicais com os centros sutis, e estes com as oitavas do microcosmo humano. Assim vemos como a música, encarada desde uma perspectiva sagrada, é muito mais do que parece. E também que as naturezas do tempo e do espaço, da água e o fogo, unidas indissoluvelmente no éter, origem de sua vida, sendo fundamentalmente distintas, tocam-se num ponto onde, sem se confundirem, fundem-se numa Harmonia Única e Universal.

Sócrates, nas palavras de Platão, confirma as Musas como as primeiras protetoras da arte da música, de quem ela recebeu seu nome. Como já afirmamos, o tempo e o espaço se relacionam mutuamente através do movimento, e este não é senão a expressão dinâmica ou rítmica de uma harmonia cujos modelos são os números. Ritmo e proporção, semelhantes respectivamente ao tempo e ao espaço, são a métrica pela qual ambos ficam reciprocamente ordenados, conformando a presença viva daquela mesma harmonia que se dá por igual no céu e na terra. A própria geometria (geo = terra, metria = medida), que ordena idealmente o espaço, está virtualmente implícita na música como relação métrica de seus intervalos. Harmonia, número e movimento são, pois, termos equivalentes e mutáveis entre si, quanto se referem a uma mesma realidade, seja à arquitetura sutil e musical do Cosmo, ao ritmo respiratório, às pulsações do coração ou ao compasso alternado das fases diurna e noturna do dia.

O homem especialmente recebe com mais intensidade do que qualquer outro ser terrestre o ritmo pulsatório da existência, o que, num sentido, converte-o no mais capaz de reproduzi-lo. De natureza musical está feita a alma humana e sua inteligência, já que são elas as que captam as sutis relações entre as coisas; a maravilhosa articulação que a todas mantém unidas, com seus matizes, num todo indivisível que se vai revelando à medida que a unidade e a harmonia se impõem a nosso caos particular.

No homem, como num pequeno instrumento em mãos de um músico invisível, segundo se nos diz no hermetismo antigo e do Renascimento, encontram-se todas as potências, virtudes e ritmos do universo, homologadas ou em diapasão com a natureza de seu estado. No entanto, nem sempre se é consciente disso, já que seu diapasão particular não está, em geral, afinado com o tom universal.

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hermetismo
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hermetismo, Música
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11 Responses to “A Música”

  1. raph says:
    24 de abril de 2009 às 12:40

    “A medicina pitagórica atribuía à música um poder terapêutico por excelência. Disso também nos dá referência a Alquimia, quando faz coincidir os centros musicais com os centros sutis, e estes com as oitavas do microcosmo humano. Assim vemos como a música, encarada desde uma perspectiva sagrada, é muito mais do que parece.”

    Um famoso neurologista estuda hoje exatamente isso… mais detalhes em “Alucinações Musicais” e outros livros de Oliver Sacks, pois em quase todos eles ele associa melhoras de quadros neurológicos a terapias musicais (ou até mesmo idas a shows de música em geral).

    Reply
  2. Vitor Bolis says:
    24 de abril de 2009 às 18:33

    O poder dos sons e a Mística dos sons, vou ler em reunião do Capítulo. A galera aqui precisa entender um pouco melhor sobre a harmonização da sala e importância da música nisso. Era para eu ler o primeiro texto esse sabado mas passei a noite com um Irmão a qual a mãe foi para o Oriente eterno e num deu pra imprimir (tenho que passar pro meu pai to sem impressora em casa).

    auhahuauha….
    Abração”

    Reply
  3. Marcos Correia says:
    24 de abril de 2009 às 20:19

    mdd! adorei o post! sempre tive uma inclinação(sem maldade por favor) para a música desde pequeno… encontrei na música a elevação da mente e espirito(como diria uma grande músico “Music is the most high”). também sei que os mantras em suas entoações vogáricas(neologismo meu) geram ritmos e frequências que por sua vez criam estados psicológicos e somáticos. mas ficou uma pequena dúvida quanto ao começo do texto: você diz que o éter é por excelência um veículo da luz INTELIGÍVEL e do som inaudível. tá aí… inteligível é o que é se compreende bem, referente à inteligência(nas palavras do aurélio). já para o som inaudível… você quiz dizer isso mesmo ou quiz dizer “veículo da luz ininteligível…” bem como o som inaudível? outra coisa é: existem mantras ou músicas para curar mazelas como gripes e febres, ou outras doenças? poderia me indicá-las para praticar em caso destas, por ventura, me atacarem?
    abração!!! e parabens mais uma vez!

    Reply
  4. Aaraon says:
    24 de abril de 2009 às 23:38

    Sem comentários. Post excelente. Parabéns frater Marcelo.

    Reply
  5. DK says:
    26 de abril de 2009 às 19:22

    @Marcos Correia

    Acho que o MDD quis dizer que como o som audível se propaga na matéria, quando ele é propagado no éter ele se torna inaudível fisicamente, só podendo ser escutado de forma sutil, talvez somente no plano astral.

    Reply
  6. luramos says:
    26 de abril de 2009 às 21:36

    eu ouvi outro dia uma música pela primeira vez, e me foi tão familiar, que parecia que eu já a conhecia. Mas eu sei que nunca tinha ouvido.
    Hoje depois de ler este post “coincidentemente” ouvi a música de novo, e descobri que não era eu que conhecia essa música, era ela que já me conhecia…

    http://www.youtube.com/watch?v=NK0qT-wXbQM&feature=channel_page

    pra quem não me conhece não vai fazer muito sentido…rs, mas vale pela vibração de uma linda música, e pelo lembrança que nossa complexidade pode sim ser traduzida por sete notas musicais…

    Reply
  7. Lucas says:
    28 de abril de 2009 às 0:43

    A música é algo com que eu sou especialmente sensitivo (talvez a única coisa com que eu realmente seja). Não importa quão mal eu esteja, não há analgésico melhor do que ouvir ou fazer música.

    Reply
  8. AD&D says:
    6 de maio de 2009 às 2:23

    DD

    O Éter seria o mesmo que o “fluido universal” relatado por kardec certo?

    Aqui fala o som como elemento poderoso, “arca da aliança/ao som de trombetas”
    ..acha que a “fonte de energia” era o som?

    Abraços

    Reply
  9. raph says:
    15 de maio de 2009 às 17:22

    Reflexão:

    Dirigindo-se a Sócrates, o Alcibíades de O Banquete compara-o ao sátiro Mársias:

    Mas, tu dirás, não és tocador de aulos (instrumento musical parecido com oboé). Sim, e bem mais extraordinário do que Mársias. Ele de fato servia-se de um instrumento para encantar os seres humanos com a ajuda do poder de seu sopro, e é o que se faz hoje em dia quando se tocam suas músicas no aulos. E as músicas de Mársias, se interpretadas por um bom tocador de aulos, são as únicas capazes de nos pôr em um estado de possessão, e porque são músicas divinas, capazes de fazer ver quais são os que têm necessidade dos deuses e de iniciações. Mas tu te distingues de Mársias em um só ponto: Não tens necessidade de instrumentos, e é proferindo simples palavras que produzes o mesmo efeito (…) Cada vez que a ti se ouve, ou se escuta uma pessoa que está transmitindo tuas falas (…) ficamos perturbados e possessos. (…) Quando lhe escuto meu coração bate muito mais forte do que o de Coribantes e suas palavras me tiram lágrimas. [O Banquete, 215 b-e]

    http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/05/socrates-nas-nuvens.html

    Reply
  10. IRR says:
    4 de junho de 2009 às 6:45

    Achei interessante colocar esse artigo matemático sobre o pentagrama aqui
    http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=200685

    Quem quiser dar continuidade as outras colunas deles, fiquem a vontade, é interessantísimo!

    Reply
  11. thibas says:
    5 de junho de 2009 às 0:42

    muito bom essas colunas sobre o número Phi que o IRR comentou

    Reply

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