Teoria da Conspiração

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W. W. da Mata e Silva

deldebbio | 5 de julho de 2009

Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 28.06.1917, talvez tenha sido o médium que maiores serviços prestou ao Movimento Umbandista, durante seus 50 anos de mediunismo. Não há dúvidas hoje, após 7 anos de sua passagem para outras dimensões da vida, que suas 9 obras escritas constituem as bases e os fundamentos mais avançados do puro e real Umbandismo.
Sua tarefa na literatura Umbandista, que fez milhares de simpatizantes e seguidores, iniciou-se no ano de 1956. Sua primeira obra foi Umbanda de Todos Nós – considerada por todos a Bíblia da Umbanda, pois transcendentais e avançados eram e são seus ensinamentos.

A 1ª Edição veio à luz através da Gráfica e Editora Esperanto, a qual situava-se, na época, à rua General Argôlo 230, Rio de Janeiro. O volume nº 1 dessa fabulosa e portentosa obra encontra-se em nosso poder… presenteados que fomos pelo insigne Mestre. Em sua dedicatória consta:

Rivas, esse exemplar é o n- 1. Te dou como prova do grande apreço que tenho por você, Verdadeiro Filho de Fé do meu Santuário – do Pai Matta – Itacurussá, 30.07.86

Dessa mesma obra temos em mãos as promissórias que foram pagas, por Ele, à Gráfica Esperanto, que facilitou o pagamento dos 3.500 exemplares em 180 dias ou 6 parcelas.

Vimos, pois, que a 1ª edição de Umbanda de Todos Nós, para ser editada, teve seu autor de pagá-la. A partir da 2ª edição a obra foi lançada pela Livraria Freitas Bastos. Atualmente a Editora Ícone é quem vem editando as obras de Matta e Silva.

Como não poderia deixar de ser, a Livraria Freitas Bastos teve a sensibilidade de perceber que estava de posse de um valioso tesouro e, como tal, valorizou-o e deu ao seu autor o respaldo necessário.

Umbanda de Todos nós agradou a milhares de Umbandistas, que encontraram nela os reais fundamentos em que poderiam se escudar, mormente nos aspectos mais puros e límpidos da Doutrina Umbandista. Mas, se para muitos foi um impulso renovador de fé e convicção, para outros, os interessados em iludir, em fantasiar e vender ilusões, foi um verdadeiro obstáculo às suas funestas pretensões, tanto que começaram a combatê-la por todos os meios possíveis e até à socapa. Quando perceberam que, ao combatê-la, estavam fazendo sua apologia e a maior das propagandas, enfureceram-se… Iniciaram o ataque contundente, através da baixa-magia… e, mais uma vez, sem sucesso!

Soubemos por ele que, realmente, foi uma briga astral, feroz… Além de ter contrariado interesses mesquinhos de determinados pseudos líderes umbandistas da época, também desagradou a um Astral inferior e todo um séquito de entidades atrasadas, as quais perceberam que com o lançamento e a aceitação da obra, seu império de ações negras e nefastas ficou seriamente ameaçado. Perceberam que, com a Luz do esclarecimento se manifestando, não haveria mais lugar para a ignorância, faltando, pois, substrato às Sombras, fonte primária e primeira de suas ações funestas.

Realmente, foi uma luta Astral, uma demanda, em que as Sombras e as Trevas utilizaram-se de todos os meios agressivos e contundentes que possuíam, arrebanhando para as suas fileiras do ódio e da discórdia tudo o que de mais nefando e trevoso encontrassem, quer fosse encarnado ou desencarnado.

Momentos difíceis assoberbaram a rígida postura do Mestre, que muitas vezes, segundo ele, sentiu-se balançar. Mas não caiu!… E os outros? Ah! os outros…

Na época, alguns arrivistas incapazes e despeitados, aproveitando-se de uma palestra pública, preferida austeramente pelo Mestre Matta, fotografaram-no centenas de vezes, com a vil, baixa e torpe intenção de poder atingi-lo através de rituais inferiores que, é claro, só têm aceite para os Magos Negros e seus Planos e Sub-Planos afins. Não tiveram os mínimos escrúpulos, atacaram-no de todas as formas, queriam matá-lo, eliminá-lo, somente por ele ter alertado a grande massa popular que campeava por esses ditos terreiros. Tais indivíduos queriam se beneficiar de todas as formas, para conseguir isto ou aquilo, precisando usar o povo como massa de manobra, a fim de levá-los a cargos, a situações para as quais não detinham merecimento ou capacidade.

Decepcionado com a recepção desses verdadeiros opositores, renhidos e fanáticos, à sua obra, Matta e Silva resolveu cruzar suas armas, que eram sua intuição, sua visão astral, calcada na lógica e na razão, e sua máquina de escrever… Embora confiasse no Astral, que o escolhera para a árdua e penosa tarefa, por intermédio desse mesmo Astral obteve Agô para um pequeno recesso, onde encontraria mais forças e alguns raros e fiéis aliados que o seguiriam no desempenho da missão que ainda o aguardava.

Na época, não fosse por seu Astral, Matta e Silva teria desencarnado…Várias vezes, disse-nos, só não tombou porque Oxalá não quis… Muitas vezes precisou dormir com sua gira firmada, pois ameaçavam-no de levá-lo durante o sono… Imaginem os leitores amigos os assaltos que devem ter assoberbado o nobre Mestre Matta e Silva…

Seus 2 filhos, Ubiratan e Eluá, também sofreram, embora de forma leve, as rebarbas dos entrechoques de ordem astral que, em avalanche, desceram e atingiram a família do ilustre Mestre. A demanda foi feroz, sendo que, de seus perseguidores, a maioria recebeu segundo a Lei…

Pai Cândido, que logo a seguir denominou-se como Pai Guiné, assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilibro astrofísico de seu Filho, para em seguida orientá-lo na escrita de mais um livro. Sim, aí lançou-se, através da Editora Esperanto, Umbanda – Sua Eterna Doutrina, obra de profunda filosofia transcendental. Até então, jamais haviam sido escritos os conceitos esotéricos e metafísicos expostos. Brilhavam, como ponto alto em sua doutrina, os conceitos sobre o Cosmo Espiritual ou Reino Virginal, as origens dos Seres Espirituais, etc… Os Seres Espirituais foram ditos como sendo incriados e, como tal, eternos…

Devido a ser muito técnica, Umbanda – Sua Eterna Doutrina agradou aos estudiosos de todas as Correntes. Os intelectuais sentiram peso em seus conceitos, sendo que, para dizer a verdade, passou até certo ponto desapercebida pela grande massa de crentes e mesmo pelos ditos dirigentes umbandistas da época.

Ainda não se esgotara a primeira edição de Sua Eterna Doutrina e Pai Matta já lançava outra obra clássica, que viria a enriquecer ainda mais a Doutrina do Movimento Umbandista. Complemento e ampliação dos conceitos herméticos esposados por Sua Eterna Doutrina, o novo livro, Doutrina Secreta de Umbanda, agradou mais uma vez a milhares de pessoas.

Não obstante suas obras serem lidas não só por adeptos umbandistas, mas também por simpatizantes e mesmo estudiosos das ditas Ciências Ocultas, seu Santuário, em Itacurussá, era freqüentado pelos simples, pelos humildes, que sequer desconfiavam ser o velho Matta um escritor conceituado no meio umbandista. Em seu Santuário, Pai Matta guardou o anonimato, vários e vários anos, em contato com a natureza e com a pureza de sentimentos dos simples e humildes. Ele merecera essa dádiva, e nessa doce Paz de seu terreirinho escreveria mais outra obra, também possante em conceitos.

Assim nasceu Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto-Velho, obra mediúnica que apresenta um diálogo edificante entre um Filho-de-Fé (Zi-Cerô) e a Entidade Espiritual que se diz Preto-Velho. Obra de nível, mas de fácil entendimento, sem dúvida foi um marco para a Doutrina do Movimento Umbandista.

Após 4 obras, Matta e Silva tornou-se por demais conhecido, sendo procurado por simpatizantes de todo o Brasil. Embora atendesse a milhares de casos, como em geral são atendidos em tantos e tantos terreiros por este Brasil afora, havia em seu atendimento uma diferença fundamental: as dores e mazelas que as humanas criaturas carregam eram retiradas, seus dramas equacionados à luz da Razão e da Caridade, fazendo com que a Choupana do Velho Guiné quase todos os dias estivesse lotada…

Atendia também aos oriundos de Itacurussá – na ocasião uma cidade sem recursos – que, ao necessitarem de médico, e não havendo nenhum na cidade, recorriam ao Velho Matta.

Este, com sua bondade e caridade, a todos ministrava medicamentos da flora local, e mesmo alopatias simples, que ele mesmo comprava quando ia à cidade do Rio de Janeiro. Ficou conhecido como curandeiro, e sua fama ultrapassou os limites citadinos, chegando às ilhas próximas, de onde acorriam centenas de sofredores de vários matizes. Durante exatos 10 anos Matta e Silva cumpriu essa tarefa, que transcendia a suas funções sacerdotais…

Como se vê, é total iniquidade e falta de conhecimento atribuir a Matta e Silva e pecha de elitista. Suas obras são honestas, sinceras, reais, e revelam em suas causas o hermetismo desta Umbanda de Todos Nós. Segundo sapientíssimos mentores de nossa corrente, seus livros levarão mais de 50 anos para serem completamente assimilados e colocados em prática. É necessário que nos preparemos para esse Evento de Luz Redentora da Nova Era do 3º milênio. As obras de W.W. da Matta e Silva preparam, ajustam e apontam para a Umbanda do 3º milênio. Preparemo-nos, caso contrário…

Continuando a seguir a jornada missionária de Pai Matta, vamos encontrá-lo escrevendo mais uma obra: Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda. Logo a seguir, viria Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda. A primeira ressalta de forma bem simples e objetiva as raízes míticas e místicas da Umbanda. Aprofunda-se no sincretismo dos Cultos Afro-Brasileiros, descortinando o panorama do atual Movimento Umbandista. A segunda aborda a Magia Etéreo-Física, revela e ensina de maneira simples e prática certos rituais seletos da Magia de Umbanda. Constitui obra de cunho essencialmente prático e muito eficiente.

Nesse instante de nossa descrição, pedimos tolerância e paciência ao prezado leitor, pois queremos dar ao mesmo uma real noção da cronologia das obras do grande Mestre. Acreditamos que, assim fazendo, estaremos sintonizando-nos ainda mais, permitindo ao caro leitor penetrar no âmago de nossa mensagem.

Prosseguindo, chegamos a Umbanda e o Poder da Mediunidade. Nessa obra entenderemos como e porque ressurgiu a Umbanda no Brasil. Ela aponta as verdadeiras origens da Umbanda. Fala-nos da magia e do médium-magista. Conta-nos, em detalhes, ângulos importantíssimos da magia sexual. Há nesse livro uma descrição dantesca sobre as zonas cavernosas do baixo astral, revelando covas com seus magos negros que, insistentemente, são alimentados em suas forças por pensamentos, atos e até por oferendas grosseiras das humanas criaturas.

Após 7 obras, atendendo a numerosos pedidos de simpatizantes, resolveu o Mestre, em conjunto com a Editora Freitas Bastos, lançar um trabalho que sintetizasse e simplificasse todas as outras já escritas. Assim surgiu Umbanda do Brasil, seu oitavo livro. Agradou a todos e, em 6 meses, esgotou-se. Em 1975 lançaria o Mestre sua última obra: Macumbas e Candomblés na Umbanda. Esse livro é um registro fidedigno de vivências místicas e religiosas dos chamados Cultos Afro-Brasileiros. Constitui um apanhado geral das várias unidades-terreiros, as quais refletem os graus consciencionais de seus adeptos e praticantes. Ilustrado com dezenas de fotografias explicativas, define de maneira clara e insofismável a Umbanda popular, as Macumbas, os Candomblés de Caboclo e dá noções sobre Culto de Nação Africana, etc.

O leitor atento deve ter percebido que, durante nossos dezoito anos de convivência iniciática, e mesmo de relacionamento Pai-Filho com o Pai Matta, algumas das fases que citamos nós a presenciamos in loco…

Conhecemo-lo em 1971 quando, após ler Umbanda de Todos Nós, tivemos forte impulso de procurá-lo. Na ocasião morávamos em São Paulo. Fomos procurá-lo em virtude de nosso Astral casar-se profundamente com o que estava escrito naquele livro, principalmente sobre os conceitos relativos às 7 linhas, modelo de ritual e a tão famosa Lei de Pemba. Assim é que nos dirigimos ao Rio de Janeiro, sem saber se o encontraríamos. Para nosso regozijo, encontramo-lo na Livraria Freitas Bastos da rua 7 de Setembro.

Quando nos viu, disse que já nos aguardava, e porque tínhamos demorado tanto?!

Realmente ficamos perplexo, deslumbrado… parecia que já o conhecíamos há milênios… e, segundo Ele, conhecíamo-nos mesmo, há várias reencarnações…

A partir dessa data, mantivemos um contato estreito, freqüentando, uma vez por mês, a famosíssima Gira de Pai Guiné em Itacurussá – verdadeira Terra da Cruz Sagrada, onde Pai Guiné firmou suas Raízes, que iriam espalhar-se, difundindo-se por todo o Brasil. Mas, voltando, falemos de nosso convívio com o insigne Mestre.

Conhecer Matta e Silva foi realmente um privilégio, uma dádiva dos Orixás, que guardo como sagrado no âmago de meu Ser. Nesta hora, muitos podem estar perguntando:

- Mas, como era esse tal de Matta e Silva?

Primeiramente, muito humano, fazendo questão de ressaltar esse fato. Aliás, era avesso ao endeusamento, mais ainda à mitificação de sua pessoa. Como humano, era muito sensível e de personalidade firme, acostumado que estava a enfrentar os embates da própria vida… Era inteligentíssimo!

Tinha os sentidos aguçadíssimos… Mas era um profundo solitário, apesar de cercarem-no centenas de pessoas. Seu Espírito voava, interpenetrando e interpretando em causas o motivo das dores, sofrimentos e mazelas várias…

A todos tinha uma palavra amiga e individualizada. Pai Matta não tratava casos, tratava Almas… e, como tal, tinha para cada pessoa uma forma de agir, segundo o seu grau consciencional próprio!

Sua cultura era exuberante, mas sem perder a simplicidade e originalidade. De tudo falava, era atualizadíssimo nos mínimos detalhes… Discutia ciência, política, filosofia, arte, ciências sociais, com tal naturalidade que parecia ser Mestre em cada disciplina. E era!…

Quantas e quantas vezes discutíamos medicina e eu, como médico, confesso, tinha de me curvar aos seus conceitos, simples mas avançados…

No mediunismo era portentoso… Seu pequeno copo da vidência parecia uma televisão tridimensional! Sua percepção transcendia!… Na mecânica da incorporação, era singular seu desempenho! Em conjunto simbiótico com Pai Guiné ou Caboclo Juremá, trazia-nos mensagens relevantes, edificantes e reveladoras, além de certos fenômenos magistícos, que não devemos citar…

Assim, caro leitor, centenas de vezes participamos como médium atuante da Tenda de Umbanda Oriental, verdadeira Escola de Iniciação à Umbanda Esotérica de Itacurussá, na Rua Boa Vista, 157, no bairro de Brasilinha.

A Tenda de Umbanda Oriental (T.U.O.) era um humilde prédio de 50 m . Sua construção, simples e pobre, era limpa – e rica em Assistência Astral. Era a verdadeira Tenda dos Orixás… Foi aí, nesse recinto sagrado, onde se respirava a doce Paz da Umbanda, que, em 1978, fomos coroado como Mestre de Iniciação de 7º grau e considerado representante direto da Raiz de Pai Guiné, em São Paulo. Antes de sermos coroado é claro que já havíamos passado por rituais que antecedem a “Coroação Iniciática”.

É necessário frisar que, desde 1969, tínhamos nossa humilde choupana de trabalhos umbandísticos, em São Paulo, onde atendíamos centenas de pessoas, muitas das quais enviadas por Pai Matta. Muitos deles, os que vieram, tornaram-se médiuns de nossa choupana, a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.

Muitas e muitas vezes tivemos a felicidade e a oportunidade ímpares de contarmos com a presença de Pai Matta em nossa choupana, seja em rituais seletos ou públicos e mesmo em memoráveis e inesquecíveis palestras e cursos. Uma delas, aliás, constitui acervo do arquivo da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino: uma fita de videocassete em que seus “netos de Santé” fazem-lhe perguntas sobre sua vida, doutrina e mediunismo… Constam ainda de nossos arquivos centenas e centenas de fotos, tiradas em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros e vários locais…

Para encerrar esta longa conversa com o prezado leitor, pois se continuarmos um livro de mil páginas não seria suficiente, relatemos a última vez que Pai Matta esteve em São Paulo, isto em dezembro de 1987.

Em novembro de 1987 estivemos em Itacurussá, pois nosso Astral já vinha nos alertando que a pesada e nobre tarefa do Velho Mestre estava chegando ao fim… Surpreendeu-nos, quando lá chegamos, que ele nos chamou e, a sós e em tom grave, disse-nos:

- Rivas, minha tarefa está chegando ao fim, o Pai Guiné já me avisou… Pediu-me que eu vá a São Paulo e lá, no seu terreiro, ele baixará para promover, em singelo ritual, a passagem, a transmissão do Comando Vibratório de nossa Raiz…

Bem, caro leitor, no dia 2 de Dezembro, um domingo, nosso querido Mestre chegava do Rio de Janeiro. Hospedando-se em nossa residência, assim como fazia sempre que vinha a São Paulo, pediu-nos que o levássemos a um oftalmologista de nossa confiança, já que havia se submetido sem sucesso a 3 cirurgias paliativas no controle do glaucoma (interessante é que desde muito cedo começou a ter esses problemas, devido a…).

Antes disso, submetemo-lo a rigoroso exame clínico cardiológico, onde diagnosticamos uma hipertensão arterial acompanhada de uma angina de peito, estável. Tratamo-lo e levamo-lo ao colega oftalmologista. Sentíamos que ele estava algo ansioso, e na ocasião disse-nos que Pai Guiné queria fazer o mais rápido possível o ritual. Disse-nos também que a responsabilidade da literatura ficaria ao nosso cargo, já que lera Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica e Umbanda – Luz na Eternidade, vindo a prefaciar as duas obras. Pediu-nos que fizéssemos o que o Sr. 7 Espadas havia nos orientado, isto é, que lançássemos primeiro Umbanda – A Proto Síntese Cósmica. Segundo Pai Matta, esse livro viria a revolucionar o meio Umbandista e os que andavam em paralelo, mormente os ditos estudiosos das ciências esotéricas ou ocultas. Mas, para não divagarmos ainda mais, cheguemos já ao dia 7 de dezembro de 1987.

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, com todo seu corpo mediúnico presente, se engalanava, vibratoriamente falando, para receber nosso querido Mestre e, muito especialmente, Pai Guiné

Às 20 horas em ponto adentramos o recinto sagrado de nosso Santuário Esotérico. Pai Matta fez exortação, dizendo-se feliz de estar mais uma vez em nosso humilde terreiro, e abriu a gira. Embora felizes, sentíamos em nosso Eu que aquela seria a última vez que, como encarnado, nosso Mestre pisaria a areia de nosso Congá. Bem…Pai Guiné, ao baixar, saudou a todos e promoveu um ritual simples, mas profundamente vibrado e significativo.

Num determinado instante do ritual, na apoteose do mesmo, em tom baixo, sussurrando ao nosso ouvido, disse-nos:

- Arapiaga, meu Filho, sempre fostes fiel ao meu cavalo e ao Astral, mas sabeis também que a tarefa de meu cavalo não foi fácil, e a vossa também não será… Não vos deixeis impressionar por aqueles que querem usurpar e só sabem trair… lembrai-vos de que Oxalá, o Mestre dos Mestres, foi coroado com uma coroa de espinhos… Que Oxalá abençoe vossa jornada, estarei sempre convosco…

Em uma madeira de cedro, deu-nos um Ponto Riscado, cravou um ponteiro e, ao beber o vinho da Taça Sagrada, disse-nos:

- Podes beber da Taça que dei ao meu Cavalo – ao beberes, seguirás o determinado… que Oxalá te abençoe sempre!

A seguir, em voz alta, transmitiu-nos o comando magístico vibratório de nossa Raiz…

Caro leitor, em poucas palavras, foi assim o ritual de transmissão de comando, que, com a aquiescência de Pai Guiné, temos gravado em videocassete em várias fotografias.

Alguns dias após o ritual, Pai Matta mostrou-nos um documento com firma reconhecida, no qual declarava que nós éramos seu representante direto, em âmbito nacional e internacional (?!) Sinceramente, ficamos perplexo!…

Na ocasião não entendíamos o porquê de tal precaução, mesmo porque queríamos e queremos ser apenas nós mesmos, ou seja, não ser sucessor de ninguém, quanto mais de nosso Mestre. Talvez, por circunstância Astral, Ele e Pai Guiné não pudessem deixar um hiato, onde usurpadores vários poderiam, como aventureiros, aproveitar-se para destruir o que Eles haviam construído! Sabiam que, como sucessor do grande Mestre, eu não seria nada mais que um fiel depositário de seus mananciais doutrinários!

Quem nos conhece a fundo sabe que somos desimbuídos da tola vaidade! Podemos ter milhares de defeitos, e realmente os temos, mas a vaidade não é um deles, mormente nas coisas do Espiritual. Não estaríamos de pé, durante 33 anos de lutas e batalhas, se o Astral não estivesse conosco… Assim, queremos deixar claro a todos que, nem ao Pai Guiné ou ao Pai Matta, em momento algum, solicitamos isto ou aquilo referente a nossa Iniciação e muito menos à sua sucessão… Foi o Astral quem nos pediu (o videocassete mostra) e, como sempre o fizemos, a Ele obedecemos… Mas o que queremos, em verdade, é ser aquilo que sempre fomos: nós mesmos. Não estamos atrás de status; queremos servir… Queremos ajudar, como outros, a semeadura, pois quem tem um pingo de esclarecimento sabe que amanhã…

Texto retirado do Livro Fundamentos Herméticos de Umbanda . (Mestre Arhapiagha – Editora Ícone – 1996)

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28 Responses to “W. W. da Mata e Silva”

  1. Remy says:
    5 de julho de 2009 às 17:21

    Incrível é a força de um Pai Velho em suas demandas vinculadas ao signo da caridade.

    Reply
  2. Tim says:
    5 de julho de 2009 às 20:35

    Tio,

    o que vc acha disso aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=H5NwRfMJgOQ&feature=related

    Isso é real? Como ele faz isso?

    @MDD – É falso, tem uma mangueira de ar debaixo da mesinha. o próprio autor do vídeo já postou como ele fez o truque.

    Reply
  3. Tainã says:
    5 de julho de 2009 às 21:02

    mto bonito…

    Reply
  4. Padawan says:
    5 de julho de 2009 às 21:31

    Por muito tempo tive um preconceito enorme com a Umbanda e em grande parte devido à minha criação católica (religião que abandonei faz tempo). Acreditava que se tratava de alguma forma “atrasada” de crença e atribuia à ela o mesmo valor que qualquer forma de religião de origem africana ou afro-brasileira. Quanta ignorância!

    Alguns de nós, acabamos por permitir que esses preconceitos entrem em nossa mente e o resultado no meu caso é que até hoje vejo uma certa estranheza, principalmente nos termos utilizados, e nos nomes das entidades desta religião. (Espero um dia me livrar disso.)

    Mesmo assim, hoje e em grande parte graças a este blog, percebo o quanto estava enganado e quanto há para se desenvolver nos seus ensinamentos.

    Não sigo nenhuma religião. Acredito, que aquele que quiser evoluir espiritualmente deve buscar extrair o melhor dos ensinamentos de todas as religiões – e praticar no dia a dia! E livre dos preconceitos, hoje posso ter mais uma fonte de ensinamentos!

    Obrigado e continue com o ótimo trabalho!

    Reply
  5. Luiz martins says:
    6 de julho de 2009 às 0:27

    muito boa, marcelo!

    Poste mais textos sobre a umbanda. Tem muita coisa bonita sobre ela e é muito pouco explorada…

    Reply
  6. Bolívar says:
    6 de julho de 2009 às 1:10

    Só questiono porque o sr. ww silva escolheu o sr. rivas como sucessor?

    Um cara totalmente desequilibrado. Entre outras coisas, ousou ofender Zé pilintra chamando esta entidade de “Zé Pilantra”.

    Nem discuto a literatura, mas o cara é suspeito.

    Tá aí quem já conviveu com o cara:

    http://vozesdearuanda.blogspot.com/2009/03/as-duas-caras-da-ftuoicd.html

    Reply
  7. Bolívar says:
    6 de julho de 2009 às 1:12

    Falando de Umbanda, segue a resposta de um fanático ao ataque à um terreiro no rio de janeiro:

    http://www.youtube.com/watch?v=QKwjd096b80&eurl=http%3A%2F%2Fvozesdearuanda%2Eblogspot%2Ecom%2Fsearch%3Fupdated%2Dmax%3D2009%2D06%2D24T12%253A51%253A00%2D03%253A00%26max%2Dresults%3D3&feature=player_embedded

    Reply
  8. Matheus Sá Motta says:
    6 de julho de 2009 às 9:55

    O médium que mais serviços prestou a umbanda foi sem sombra de dúvidas Zélio Fernandino de Morais, afinal foi através dele como aparelho que o caboclo das sete encruzilhadas pode anúnciar a Umbanda no dia 15 de novembro de 1908, entretanto W.W. Matta e Silva, não por isso seja menos importante. Contudo sou Umbandista e pertenço a vertente que muitos chamam de Umbanda tradicional. Nem por isso desmereço o trabalho realizado no ramo da Umbanda Esotérica, muito pelo contrário, respeito e faço questão de tentar compreender os aspectos que envolvem a mesma. De qualquer maneira acho complicado dizer que neste ramo se encontram “as bases e os fundamentos mais avançados do puro e real Umbandismo…” qualquer afirmação em relação à verdades inquestionáveis tratando-se principalmente da Umbanda que é uma religião com aspectos tão diversos e universais é no mínimo estranho.

    Pessoalmente, gosto de acreditar que a umbanda é de fato uma religião Nascida no Brasil, criado por entidades residentes no campo astral que envolve nosso país, e principalmente, entidades que foram responsáveis pela construção do nosso país. Dentro da minha visão e da minha grande ignorância, não consigo associar os estudos atlantes, lemurianos, herméticos com os fundamentos umbandistas, mas respeito que consegue ter esse tipo de visão e creio que isso em momento nenhum atrapalha a verdadeira função da Umbanda que é a caridade.

    @MDD – Estou preparando um post no Sedentário e Hiperativo justamente mostrando estas relações.

    Mais uma vez digo que o que me é passado em relação ao estudo da Umbanda esotérica, W.W. Matta e Silva e sobre Pai Rivas Neto é que todos são dignos de respeito e portadores de tremenda luz.

    Marcelo, fico grato por mostrar as pessoas que a Umbanda não é o monstro ditado pelo senso comum e pelos deturpadores da palavra dos Mestre.

    Reply
  9. Bolívar says:
    6 de julho de 2009 às 10:25

    Outra coisa:
    Umbanda de Todos Nós – considerada por todos a Bíblia da Umbanda

    Talvez nos próximos 500 anos não exista um “bíblia” na Umbanda, pois a codificação foi trazida depois de 50 anos de sua oficialização.

    Como o texto é tendencioso(Rivas), ele esquece que hoje além da chamada Umbanda esotérica, existem outros segmentos da Umbanda que contam com grande número de “praticantes”, como por exemplo a Umbanda pura trazida pelo fundador Zélio, e a Umbanda Sagrada codificada através de Rubens Saraceni.

    Uma “bíblia”(codificação unificada) está para a Umbanda assim como a paz está para o Oriente médio.

    Reply
  10. Douglas Penna says:
    6 de julho de 2009 às 13:01

    Saudações fraternais,

    Devemos tomar cuidado ao ler textos que falam da verdade absoluta, pois ao classificar a “Verdadeira Umbanda”, estamos imediatamente classificando outras formas de manifestação como erradas. É o antigo conceito da demonização, agora aplicado à Umbanda.

    A Umbanda, pelo menos na minha visão, é uma religião muito plural, e as suas diversas manifestações se complementam em essência e forma: basta entender a função de cada casa.

    Entretanto, devido à essas pequenas diferenças de rito, há diversas discórdias entre seus “adeptos”. Essas “inconsistências” existem desde muito tempo (desde o primeiro congresso Umbandista, que a princípio era pra “unificar” a Umbanda), e pelas [i]ações[/i] de diversas correntes atuais, creio que não há ainda vontade de mudança.

    Fora isso, há o critério do eterno novo. “Novidade!”, “Informações novas do Astral Superior!” ou quaisquer outras formas de propaganda de um conteúdo que já é mais antigo do que andar pra frente.

    Abaixo apresento um texto do livreto de Arthur Shopenhauer, entitulado “Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão”, com introdução notas e comentários do filósofo Olavo de Carvalho, Rio de Janeiro, Topbooks Ed., 1997. Tais excertos foram retirados da parte que discorre sobre Estratagemas Dialéticos, em especial o Argumentum ad verecundiam (dirigido ao sentimento da honra).

    Agradeço ao irmão Sciola por enviar para mim este pequeno trecho, que espero servir de reflexão aos leitores.

    Paz Profunda,

    Douglas Penna

    Olavo em nota:
    A mera crença, além de ser menos trabalhosa, tem a vantagem de dar ao crente um sentimento de participação e solidariedade grupal, indispensável para manter de pé as personalidades frágeis. Bastaria aliás esta observação para dar por terra com o mito do “espírito libertário da juventude”, topos retórico infalível no discurso político. O jovem não é libertário nem inconformista: apenas adere ao sentimento da maioria esmagadora – seus companheiros de geração -, que exerce sobre ele uma pressão mais direta, na escola e nas ruas, do que a autoridade dos pais, confinada ao recinto doméstico. Daí que a juventude tenha sido sempre a principal massa de manobra para as ideologias totalitárias. Daí também que seja quase impossível, num ambiente dominado por jovens, um debate honesto e sem preconceitos.

    Shopenhauer:
    Diz Sêneca: Unuscuiusque mavult credere quam judiciare (“qualquer um prefere crer a julgar por si mesmo”).

    Olavo em nota:
    Uma boa definição de “homem comum” está em Ludwig von Mises, A Ação Humana. Um Tratado de Economia, trad. Donaldo Stewart Jr., Rio, Instituto Liberal, 2ª ed., 1995, p. 49:
    “O homem comum não especula sobre os grandes problemas. Ampara-se na autoridade de outras pessoas, comporta-se ‘como um sujeito decente deve comportar-se’, como um cordeiro no rebanho. É precisamente esta inércia intelectual que caracteriza um homem como um homem comum. Entretanto, apesar disso, o homem comum efetivamente escolhe.. Prefere adotar padrões tradicionais ou padrões adotados por outras pessoas porque está convencido de que esse procedimento é o mais adequado para atingir o seu próprio bem-estar. E esta apto a mudar sua ideologia e, conseqüentemente, o seu modo de ação, sempre que estiver convencido de que a mudança servirá melhor a seus interesses”.
    Essa definição destaca dois traços: a passividade intelectual e a sujeição das idéias à comodidade do conforto psicológico. quando se dá ao jovem a ilusão de que ao aderir às modas e crenças de sua geração ele está se libertando e se individualizando, em vez de advertí-lo de que o faz por inércia e por busca de segurança psicológica, o resultado que se obtém é incutir nele o mais perverso dos conformismos. O homem não se liberta do “espírito de rebanho”, de que falava Nietzsche, simplesmente por passar de um rebanho mais velho a um mais novo.

    Shopenhauer:
    (…) as pessoas comuns têm profundo respeito ante os especialistas de todo gênero. Ignoram que quem faz de um assunto sua profissão não ama o assunto em si, e sim o lucro que ele lhe dá; e que aquele que ensina um assunto raras vezes o conhece a fundo, porque àquele que o estuda a fundo não resta, em geral, tempo para dedicar-se ao ensino.

    Olavo em nota:
    Não esquecer que, nos dias que correm, a simples adesão a um novo preconceito faz um sujeito se sentir livre de preconceitos. O uso corrente da palavra “preconceito” é de teor nitidamente preconceituoso, pois cria uma prevenção irracional contra um opinião que, em geral, só se conhece por alto. A acusação de “preconceito” é hoje um dos estratagemas de uso mais freqüente: ela dispensa o exame dos argumentos da parte contrária. Nos meios acadêmicos, fortemente influenciados pela mentalidade “politicamente correta!”, ampliar desmesuradamente o sentido da palavra “preconceito” tornou-se até um método de corrente de investigação e prova em História e ciências sociais: se um sujeito fez uma piada sobre judeus, é prova de que tem preconceito anti-semita. A suscetibilidade neurótica que espuma raiva ante gracejos, por seu lado, não é preconceito: é exemplo de superior neutralidade científica.

    Shopenhauer:
    De fato, não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, que os homens não se lancem a torná-la sua, tão logo se tenha chegado a convencê-los de que é universalmente aceita. O exemplo vale tanto para suas opiniões quanto para sua conduta. São ovelhas que vão atrás do carneiro-guia aonde quer que as leve. Para ele, é mais fácil morrer que pensar. É estranho que a universalidade de uma opinião tenha para eles tanto peso, pois basta-lhes observar a si mesmo para constatar como eles mesmos aceitam opiniões sem julgar, pela força do mero exemplo. Mas, na realidade, não o vêem porque desprovidos de todo conhecimento de si mesmos.
    Só os melhores dizem, com Platão: “os muitos têm muitas opiniões”, isto é, o Vulgus tem muitas lorotas na cabeça, e quem desejar livrar-se delas terá muito trabalho pela frente.
    A universalidade de uma opinião, se falarmos a sério, não é uma prova nem um indício de veracidade. Os que afirmam isto devem admitir: 1) que a distância no tempo priva aquela universalidade de sua força probatória; do contrário, deveriam estar em vigor todos os antigos erros que num tempo eram considerados verdade.

    Olavo em nota:
    Se algumas verdade admitidas por todos atravessam os tempos e outras não, estas últimas não são realmente admitidas por todos, mas só aparentemente e temporariamente. Não há como escapar à distinção entre a opinião dominante de uma época e o quod semper, quod ubique, quod ab omnibus credita est (“aquilo em que todos, em toda parte, sempre acreditaram”). Pode-se alegar,é claro, que este é difícil de conhecer, mas, em todo o caso, jamais se confunde com a opinião de um grupo, por mais vasto, ou de uma época, por mais longa que seja.

    Shopenhauer, continuando:
    Por exemplo, seria preciso aceitar de novo o sistema ptolomaico ou, em todos os países protestantes, o catolicismo; 2) que a distância no espaço produz o mesmo efeito; do contrário, a diversidade de opinião entre os que professam o budismo, o cristianismo e o islamismo os poria em apuros.
    O que se chama opinião geral reduz-se, para sermos precisos, à opinião de duas ou três pessoas; e ficaríamos convencidos disto se pudéssemos ver a maneira como nasce tal opinião universalmente válida. Então descobriríamos que, num primeiro momento, foram dois ou três que pela primeira vez as assumiram e apresentaram ou afirmaram e que os outros foram tão benevolentes com eles que acreditaram que as haviam examinado a fundo; prejulgando a competência destes, outros aceitaram igualmente essa opinião e nestes acreditaram por sua vez muitos outros a quem a preguiça mental impelia a crer de um golpe antes que tivessem o trabalho de examinar as coisas com rigor. Assim crescem dia após dia o número de tais seguidores preguiçosos e crédulos.
    De fato, uma vez que a opinião tinha um bom número de vozes que a aceitavam, os que vieram depois supuseram que só podia ter tantos seguidores pelo peso concludente de seus argumentos. Os demais, para não passar por espíritos inquietos que se rebelaram contra opiniões universalmente admitidas e por sabichões que quisessem ser mais espertos que o mundo inteiro, foram obrigados a admitir o que todo mundo já aceitava.

    Comentário de Olavo:
    Schopenhauer não poderia adivinhar que, na época que se seguiria, essa situação viria a inverter-se; isto é, que o novo e o diferente viriam a adquirir, por força da velocidade das comunicações, a autoridade de crenças universalmente aceitas, relativizando ou revogando, no ato e sem exame, opiniões milenares. Um forte preconceito em favor do “novo” faz tomar por novidades coisas que não o são, ao mesmo tempo que, dia após dia, a crescente ignorância do passado faz a inteligência girar em círculos, quando crê avançar. Por outro lado, desde que Kant trouxe à baila as estruturas que a priori condicionam o conhecimento, e que só podem ser compreendidas desde o ponto de vista superior do “sujeito transcendental” cujo horizonte abarca a um tempo o conhecido e o conhecer, uma sucessão impressionante de pensadores e cientistas veio revelando novas e novas estruturas condicionantes, cada qual pretendendo enxergar por cima e por trás dos ombros alheios, como se novos sujeitos transcendentais, cada vez mais transcendentais, fossem abarcando e engolindo os horizontes de seus antecessores e desvelando os fios ocultos que moviam os cego marionetes no palco do drama humano.
    Para Marx, o titereteiro invisível da História chama-se “interesse de classe”: é ele que move os guerreiros, estadistas e pensadores que, ingenuamente, acreditavam estar agindo por Deus, pela pátria, pela verdade ou por qualquer outro motivo.
    Para Nietzsche, o interesse de classe ou qualquer outro motivo alegado para explicar a condição humana não é senão o véu ilusório a encobrir a verdadeira motivação da história toda: a vontade do poder.
    Já segundo Freud, todos os personagens do drama, inclusive aqueles que pensam agir por interesse de classe ou por uma nietzscheana vontade de poder, não fazem senão obedecer ao impulso da libido inconsciente recalcada.
    Para Jung, ao contrário, o revolucionário de Marx, o recalcado libidinoso de Freud e o ambicioso super-homem de Nietzsche são apenas atores que, sem saber, repetem as tramas arquetípicas de um script milenar registrado no inconsciente coletivo.
    Korzybsky e Whorf, os fundadores da “Semântica Geral”, pretendem que todo o Ocidente, incluindo Marx, Freud, Nietzsche e Jung, tenha sido enganado durante dois milênios por “pressupostos metafísicos” aristotélicos imbricados na estrutura da linguagem, e que os primeiros a escaparem dessa coerção invisível e onipresente tenham sido… Korzybsky e Whorf.
    Mas Foucault dizque não é nada disso: o script invisível,o a priori supremo, chama-se episteme: é a estrutura geral do saber, que condiciona todos os conhecimentos particulares de uma dada época – incluindo as teorias de Marx, Freud, Jung, Korzybsky e Whorf – e que de repente, sem razão plausível, muda para outra episteme deixando todos perdidos no ar, como se um cenário rodante girasse de Hamlet para Romeu e Julieta sem dar aviso aos atores.
    Cada um pretende, em suma, descerrar o véu, revelar a trama secreta da qual seus antecessores foram apenas protagonistas inconscientes.
    De modo geral, o público letrado e científico dá credibilidade imediata e automática a essas revelações, sem que a ninguém ocorra a idéia de que seu número mesmo e a velocidade de sua sucessão devem torná-las, a todas, igualmente duvidosas.
    Tudo isso contribui para criar, nos meios letrados, um preconceito inverso daquele assinalado por Shopenhauer: o preconceito de que cada geração, pelo simples fato de ter nascido mais tarde, é o eu transcendental das gerações mais velhas e enxerga o fundo das águas onde boiavam, inconscientes, os antepassados.
    Assim, dia adia torna-se cada vez mais difícil mostrar às novas gerações qualquer coisa que os antigos enxergassem perfeitamente bem e cuja visão tenha se perdido entropicamente na massa informática do “novo”. O esquecimento adquire o prestígio de um saber superior. Doutrinas que o público desconhece passam por “superadas”, sem exame, por mero decurso de prazo. O temor de passar por “um sabichão que quisesse ser mais esperto que o mundo inteiro” cede lugar ao medo de passar por um bobalhão desatualizado, que se ocupa de idéias superadas. Este preconceito é hoje o mais temível obstáculo em qualquer discussão científica.

    Shopenhauer, continuando:
    Neste ponto, a concordância torna-se uma obrigação. E, de agora em diante, os poucos que forem capazes de ter uma opinião por si mesmos se calarão, e só poderão falar aqueles que, totalmente incapazes de ter uma opinião e juízo próprios,sejam o eco das opiniões alheias. E estes, ademais, são os mais apaixonados e intransigentes defensores dessas opiniões. Pois estes, na verdade, odeiam aquele que pensam de modo diferente, não tanto por terem opinião diversa daquela que ele afirma, quanto pela sua audácia de querer julgar por si mesmo, coisa que eles nunca poderão fazer, sendo por dentro conscientes disso.
    Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opiniões. E que outra coisa lhes resta senão tomá-las de outros em lugar de formá-las por conta própria?
    E, dado que isto é o que sucede, que pode valer a voz de centenas de milhões de pessoas?
    Tanto, por exemplo, quanto um fato histórico que se encontre em cem historiadores, quando se constata que todos se copiaram uns dos outros, com o que, enfim, tudo se reduz a um só testemunho. (Segundo Bayle, Pensées sus les Comètes, vol.I, p. 10).
    Dico ego, tu dicis, se denique dixit et ille:
    Dictaque pos toties, nil nisi dicta vides.
    (“Eu digo, tu dizes e, no fim, o diz também ele; depois de dar-lhe tantas voltas, ninguém mais vê aquilo que se disse”

    Reply
  11. Rafael says:
    6 de julho de 2009 às 14:52

    “(interessante é que desde muito cedo começou a ter esses problemas, devido a…)”

    devido a…..?

    MDD, vc sabe a que foi devido isso?

    parece ate que foi censurado..

    Reply
  12. bcd says:
    6 de julho de 2009 às 15:35

    Como esse artigo fala sobre Umbanda, onde eu encontro o livro “A Magia no Brasil” de Waldemar Bento? E também gostaria de saber se existe um Terreiro de Umbanda bom (quando digo bom eu estou falando de um terreiro confiável, “fiel” a religião Umbandista, sem mistificadores e charlatães) em Bauru.

    E quais são os livros da “codificação” Umbandista e onde posso comprar eles?

    Reply
  13. livio says:
    6 de julho de 2009 às 15:46

    http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=W.+W.+da+Mata+e+Silva&tipo=simples&estante=(todas+estantes)&alvo=autor+ou+titulo

    Reply
  14. Luiz martins says:
    6 de julho de 2009 às 15:47

    Marcelo, comecei há pouco tempo a freqüentar um centro de umbanda e tenho algumas duvidas que eu acredito que você possa me sanar.

    1 – Uma das primeiras coisas que me fora indicado no centro pelo meu guia foi ler os livros do Allan Kardec, e comecei por “o livro dos espíritos”. Essa mesma obra já tinha sido indicada por você mesmo para quem deseja se iniciar nos estudos ocultistas.

    Porem, é sabido que existe uma divisão entre a Umbanda e o Kardecismo. No próprio texto que foi postado aqui no blog sobre as origens da umbanda fala sobre essa “cisma” dos espíritas kardecistas com a umbanda, em relação a eles acharem que os espíritos dos caboclos e dos pretos velhos não são elevados o suficiente, alem do próprio WW da mata dizer, se eu não me engano, nesse mesmo livro de onde sai esse prefácio: “umbanda não é kardecismo”.
    As diferenças são obvias, mas eu particularmente acredito nessas questões existindo muito mais no campo filosófico do que no campo prático, já que o livro dos espíritos é escrito de uma forma muito analítica e lógica ( e eu entendo do assunto, sou professor de matemática). Logo acredito que, na prática, as duas correntes estão juntas. Estou correto?

    @MDD – Esse é um erro clássico dos espíritas… que na verdade, veio do ranço dos ex-catolicos convertidos, não dos espiritas originais. Associar a bebida e o charuto a “vícios” é uma besteira. São instrumentos necessários para facilitar a incorporação. O tabaco é uma erva usada para facilitar o contato astral e o álcool facilita ao espírito manter-se no Plano Material. Os pretos-velhos e exús costumam ser bem mais elevados do que os próprios espíritos (muitas vezes meros cascões) que incorporam em centros kardecistas.

    2 – No próprio livro dos espíritos, ta escrito que os espíritos não se dobram a formulas e praticas para dispormos de suas vontade (na minha edição, é a pergunta 553). Dessa forma, como fica as questões dos trabalhos e ebós? Não entendi de a coisa não rola mesmo (e no livro, inclusive, isso tudo é classificado como charlatanismo) ou se nesse trecho, a passagem se refere a algum tipo de amuleto, aonde vc iria “escravizar” o espírito para que ele fosse subserviente e os trabalhos e ebós entrariam numa categoria de oferenda, para que, a partir dela, nos mostrássemos simpáticos aos espíritos e entidades a qual estamos pedindo ajuda, ou ainda que as entidades sejam completamente diferentes e eu esteja trocando as estações.

    @MDD – o kardecismo não estuda kiumbas, elementais nem daevas, permanecendo apenas no estudo dos desencarnados, o que na minha opinião, acabou restringindo bastante o conhecimento dentro deste campo científico.

    3 – Eu posso fazer coisas boas de forma pragmática, sem a real intenção de fazer as coisas boas, apenas para “ganhar pontos” com o karma? Por exemplo, ajudar uma instituição de caridade não com o intuito real de ajudar, mas só pra “ficar bem na fita” com o karma, para obter as reações boas desse ato?

    @MDD – Não adianta nada.

    4 – Conhece algum site/blog sério sobre umbanda?

    @MDD – Nao sei. Preciso fuçar na net pra ver se acho. Quem tver sugestões pode postar.

    5 – Tenda espírita e centro espírita é a mesma coisa?

    @MDD – hmmm em essência, sim. Acho que quem se chama de “centro” quer parecer “superior” a uma mera “tenda”, que seria mais “coisa de preto” ao passo que “centro” parece mais “europeu branquinho”.

    Reply
  15. Bolívar says:
    7 de julho de 2009 às 11:16

    bcd,

    Acho que isto deve te ajudar:

    http://www.umbandabauru.com.br
    http://rodrigoqueiroz.blogspot.com/

    Não conheço o Rodrigo pessoalmente mas tenho boas referências.

    Reply
  16. matheus sá motta says:
    13 de julho de 2009 às 16:33

    um blog bacana é o do centro que frequento, a casa branca de oxalá, é localizado em Lagoa Santa, MG e é administrado sérias e versadas na história e prática da caridade via umbanda tradicional.

    http://wwwcasabrancadeoxala.blogspot.com/

    Reply
  17. Vinicius Lira says:
    28 de julho de 2009 às 11:56

    É.. parece que censuraram algumas partes do texto.
    Nada que você pegando o livro não resolva.

    Reply
  18. neuza says:
    6 de agosto de 2009 às 1:29

    Olá,
    Gostaria de uma orientação: numa consulta com seo Tranca Ruas das Amas foi dito que uma pessoa tinha trabalho de amarração de sete exus feito contra ela e que a desviavam do caminho do bem. O mesmo disse que iria desmanchar o trabalho e que contasse o prazo de 3 luas para retornar a consulta. Como devo contar esse prazo e vcs conhecem esse tipo de amarração?

    @MDD – Três luas são 21 dias. Três semanas.

    Reply
  19. guilherme says:
    14 de agosto de 2009 às 13:49

    Marcelo o que vc me diz de rubens saraceni, será que é certo estudar seus livros de magia e umbanda, ou vou só gastar dinheiro atoa? agradeço a resposta.

    @MDD – Sim, os livros dele sao interessantes.

    Reply
  20. erpa says:
    7 de novembro de 2009 às 1:52

    Olha esses mala sem alça,que se dizem mestre de iniciação,não passam de oportunistas,que usam a fe das pessoas,para montar templos luxuosos e com a conta bancaria bem gordinha.

    Reply
  21. Felipe says:
    14 de novembro de 2009 às 12:05

    O vídeo do Youtube é possível por vários meios puramente científicos: estática, calor, entre outros que não posso especificar por ética profissional (sou ilusionista e há meios específicos utilizados por nós mágicos para a reprodução desse tipo de “fenômeno” ). Não quero polemizar, apenas responder a pergunta sobre se é ou não real. Posso ser taxativo: É um truque.

    Reply
  22. erpa says:
    26 de novembro de 2009 às 22:15

    Já fui menbro de uma tal ordem iniciatica,Esse tal Mestre zombou da minha fé nos Orixas,Disse coisas que eu nem imaginava ou pensaria,Pois sou uma pessoa simples. Talvez ele me tratou mal porque eu não tenha um Diploma em cardiologia

    Reply
  23. erpa says:
    26 de novembro de 2009 às 22:37

    Infelizmente não conheci http://www.mata silva,tenho todos os livros dele. que para mim são livros sagrados. De altssima sapiencia. E para mim não existirá outro Mestre como ele. pessoa simples , honesta, trabalhador ,Que conquistou o respeito Daqueles que leram as suas obras . um grande e verdadeiro é único Mestre de iniciação da Aumbandhan é fim de sinceridade

    ERPA

    Reply
  24. rene ost says:
    17 de janeiro de 2010 às 11:31

    Saí da igreja Adventista sem acreditar em mais nada, quando me separei do meu marido,todos os irmãos inclusive os parentes , me viraram as costas. Foi uma cardecista, quem me deu apoio em uma depressão de morte. Conheci a caridade tambem na Umbanda, onde desenvolvo e é minha religião, hoje. Em todos os lugares vemos coisas certas e erradas, é por isso que estamos em evolução.

    Reply
  25. Paulo says:
    27 de fevereiro de 2010 às 1:31

    Alguns na Umbanda em evolução… e outros dessa citada ordem acima em INVOLUÇÃO.

    Reply
  26. cleber says:
    3 de março de 2010 às 19:49

    Boa tarde!
    Tenho algumas perguntas sem resposta. Nomomento estou lendo o livro do saudoso mestre Matta e Silva, (umbanda de todos nós) e por mais que o texto sejá facil o entendimento sempre fica uma duvida. E eu quero resolve-lá.
    Se for possivel gostaria de entrar em contato com alguem que me possa esclarecer essas questões.
    De momento obrigado, e o meu email é cvcsanferr@hotmail.com

    Reply
  27. guilherme costa says:
    31 de março de 2010 às 14:44

    Marcelo… tenho dúvidas sobre umbanda, poís, fui praticante e só tive decepções, os pais de santos da casa, tinham mesmo o dom da mediunidade mas as entidades eram muito mentirosas, faziam intrigas entre os filhos da casa, não parecia serem espiritos de luz que se comunicavam. Depois que lí umbanda de todos nós, veio me cair a ficha ,que tentavam me desenvolver sem ter a mediunidade karmica para umbanda. Queria saber mesmo, por que de tanto erros nesse meio , seria por causa da mediunidade desiquilibrada desses pais de santos, ou semelhante atrai semelhante.,que dizer de acordo com seus graus mentais, intelectuais, morais, atraíriam entidades de luz ou mestres iniciados. E mais, só por que passei por esses meios, teria haver com karmas passados.

    Reply
  28. Uhanne says:
    1 de agosto de 2010 às 22:08

    Marcelo, você chegou a ser iniciado em umbanda? O que você acha sobre a afirmação contida no Umbanda para todos nós, dizendo que a umbanda é a religião original a partir da qual surgiu todo o conhecimento mágico, religioso…?

    @MDD – Não, e realmente nao pretendo raspar cabeça tão cedo, por uma série de razões. Apesar de 75% dos meus amigos mais próximos estarem diretamente ligados à Umbanda (seja pela linha magistica do Rubens sarreceni e Alexandre Cumino), seja pela Umbanda de raiz (do Pai Waldir Persona), seja pela Umbanda Natural (do Fernando Maiorino), a minha posição e verdadeira vontade não incluem ajudar desta maneira (mediunidade). Minha função é cuidar deste blog, coordenar o Mayhem e organizar um local onde se possa reunir todo o conhecimento ocultista sério que colhemos até os dias de hoje.
    Eu tenho minhas dúvidas se a Umbanda é a religião original, visto que ela mesma segue a estrutura da kabbalah (não a judaica Cabalá), que é mais antiga e estruturada. Acredito que todas as religiões partiram da mesma estrutura ainda mais antiga, ligada diretamente à Astrologia espiritual do Sistema Solar e estrutura de reencarnações; os orixás são apenas nomes, assim como deuses ou energias, que refletem estas leis.

    Reply

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